sábado, 17 de setembro de 2011

DETALHES ARQUITECTÓNICOS EM PEDRA

                                      
                                       Excessivo.



                                     Privado.

                                        
                                     Esmagador.



Esmagado.


                                       Humilhado.

                                        Enxertado.


Demarcado.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MAIS FLORES DE UM DIA HIBISCOS AINDA


Porque ontem andámos em torno de uma só flor, trago hoje outras cores de hibisco.

Por curiosidade, o hibiscus avaiano é um dos símbolos do estado do Havai, onde os portugueses são, aliás, um dos cinco maiores grupos étnicos. Não é sem razão que as avaianas os preferem para adornar os cabelos.


Trata-se de uma espécie própria daquelas paragens a não confundir com os mais divulgados e adaptados aos climas temperados, hibiscos chineses (hibiscus rosa-sinensis) e seus variados híbridos.

De resto, não creio que uma planta tropical como o hibisco avaiano sobrevivesse aos rigores do frio do inverno no nosso jardim.


Mesmo alguns dos h. sinensis do nosso jardim estão em vasos para os podermos deslocar no inverno para um local resguardado no interior da casa com pelo menos quatro horas de luz por dia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SEGUINDO A FLOR UM DIA NA VIDA DUM HIBISCO


Ainda que não totalmente conseguidas, do que espero me absolvam, estas fotos de uma mesma flor de hibisco foram todas tiradas ontem, dia 14 de setembro de 2011. Em cima, cerca das sete horas da manhã.


cerca das oito horas, desenrolando, mostrando já do aparelho masculino os estames  com filetes (hastes brancas) e anteras (amarelo claro) para o pólen e do feminino o estigma (em amarelo mais escuro). 


e abrindo,


Pelas nove horas. E começa a surgir o interior da corola.


Ainda bocejando,


São dez e trinta. Uma flor completa! Bem visível o androceu, (verticilo reprodutor masculino) cujos estames se mostram unidos num só bloco.  Nos estames são também visíveis os filetes (pequenas hastes brancas) e nas extremidades destes as anteras, porção mais dilatada de cor amarela onde se encontram os grãos de pólen lugar da formação dos gâmetas masculinos. Do gineceu é visível o estigma em amarelo mais claro. Interiormente o estilo liga o estigma ao ovário. Este está disposto interiormente na base para onde parecem convergir as manchas vermelhas e contém os óvulos.


Dezoito horas: as pétalas, que exibem agora claramente a sua estrutura, na sua parte superior voltaram-se para cima, na direcção do androceu tornando a corola menos aberta. Aquele também curvou no sentido ascendente.


Vinte horas: recolhendo a penates.


Vinte horas e trinta: pálpebras pesadas...porque será?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

JANELAS


em guilhotina, para um olhar desigual.


ainda oblíqua, inacessível. Casa de habitação? Falta ali  qualquer coisa!


habitável. Porém, janela espelhada, velada, escondendo o interior: hostil.  


Pedra afagada. Janela em caixilhos, de duas folhas em alumínio lacado a branco vivo. Cortinas fixas tradicionais em branco baço, realçam a janela e aconchegam o interior. Vaso de gloxínia ( sinningia ) em flor   - cereja no bolo. Acolhedora.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ESPIGUEIROS


Nas zonas de grande pluviosidade, o arejamento do cereal e a defesa contra a intrusão de roedores determinou este tipo de solução forte mas bela - manifestação da cultura ancestral do povo do norte atlântico. Destacam-se assento e corpo. Assento que suporta o corpo do espigueiro, com alicerce ou soco, pés e mesa. Corpo: no seu interior se guardam as espigas.
 

De arquitectura funcional, não dispensa elementos decorativos em pedra e madeira. Arte da cantaria, entalhes e, por vezes, pinturas na madeira, exprimem a sacralização do pão i.e. da vida.


Construções complexas em granito e madeira nobre, carregadas de simbolismo, hoje remetidas a figuras de museu, atestam o carácter dos encomendadores e artífices.  Obras dispendiosas para servir o cultivo do milho em regime de minifúndio, feitas para uso de sucessivas gerações, não resistiram (nunca seria possível resistir!) à competição em economia global, ao desempenho  das máquinas debulhadoras e aos preços  baixos possibilitados pelas cultivos em grande escala (EUA, China e Brasil).  

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

COLHEITAS


Também aqui na aldeia ao nível do cultivo familiar tradicional são cada vez menos os que arriscam cultivar o que quer que seja. O ciclo do milho é muito exigente em recursos humanos e materiais. Exige terras abundantemente estrumadas e regadas. Ora, são cada vez menos os criadores de animais fonte principal dos estrumes. Mesmo a criação de galinhas tende a ser feita com maior recurso às rações industriais do que resulta estrume de inferior qualidade. Os recursos de água também são cada vez mais escassos.


Em fins de abril, princípios de maio, o estrume era espalhado pela terra e seguidamente passava-se a grade. Depois era lançado o grão e novamente se fazia  passar a grade.  Usava-se a força de uma junta de bois. O trabalho é agora executado por tractores que, num ápice  abrem regos e nivelam os solos.


São apenas pessoas idosas que ainda cultivam algum milho. Nesta altura as espigas foram recolhidas, debulhadas e o milho seca nas eiras ao sol quente deste setembro ou recolheu já aos celeiros.


Este ano a maturação das uvas adiantou-se duas semanas relativamente à média dos anos. Consequência do aquecimento global?


 Nas grandes casas as vindimas principiaram nos últimos dias de Julho, tendo em vista a produção de espumante. Não há memória de se ter começado tão cedo.


Já os pequenos produtores só agora começam as vindimas. Nesta altura colhem-se apenas as uvas brancas. Quanto às uvas tintas aguardarão por mais uns dias uma melhor maturação. A previsão do tempo para a próxima semana parece favorável. Aumento das temperaturas máximas e frescura durante as noites. Por vezes, manhãs orvalhadas pelas neblinas.

domingo, 11 de setembro de 2011

BICHEZAS DO MEU QUINTAL GAFANHOTO


Ontem, ao fim da tarde andava de volta da laranjeira, tesoura em punho cortando os raminhos secos. Fiquei um pouco surpreendido por ver primeiro um depois outro gafanhoto entre a ramagem da laranjeira. Mais surpreendido ainda porque não fugiram logo à minha aproximação, como seria normal. Dei conta que apresentavam diferentes tamanhos e tonalidades. O primeiro mais escuro. O segundo castanho rosado.

Estas bichezas não são bem-vindas aos quintais pois são vorazes e causam estragos nas culturas, por vezes significativos. De acordo com informação navegável, chegam a comer o equivalente a dezasseis vezes o seu próprio peso. O seu corpo é formado por cabeça, tórax e abdómen, três pares de patas, dois pares de asas e duas antenas (neste caso, curtas). Ao longo de cada lado do corpo têm umas aberturas por onde respiram. As patas longas traseiras servem-lhe para pular. As demais para caminhar e segurar as presas. Alguns machos emitem sinais sonoros roçando simultâneamente as patas longas nas asas.

Aqui, o mais escuro dos bichos, também mais largo, é a dama. Estes animais andam geralmente sós e só se aproximam no verão, para acasalar. Diferentemente certas espécies formam imensos bandos de efeitos desastrosos para a agricultura. As tais pragas.


Com as duas patas longas funcionando como uma catapulta conseguem saltos vinte vezes o seu tamanho. As asas permitem-lhes também voar.


A configuração da parte final do abdómen das fêmeas permite-lhes escavar os buracos onde depositam os ovos. Estes darão lugar a larvas, seguindo-se a pulpa e o insecto pequeno.


Para mim não é possível distinguir entre estragos causados por este particular insecto e pelos demais. E afinal também oferecem pasto a aves, ratos, cobras. Os ovos são em parte comidos por larvas de mosca que por sua vez alimentam as aves. As muitas ervas e cereais que comem voltam de novo à terra transformados em nutrientes, tudo contribuindo afinal para o equilíbrio do ambiente. Por tudo (inclusive alguma pieguisse) os deixo seguir em boa paz.