sexta-feira, 14 de junho de 2019

RESPEITO


Respiramos o ar da manhã, rarefeito, puro. Face à luz vibrante e cristalina, os olhos entreabrem-se a custo.   Os nossos ouvidos voltam-se para o silêncio. 


O vento  brando sopra intermitente e, na fase de menor intensidade, deixa emergir os sons das torrentes e do quebrar do gelo. 


A montanha, afinal, espelha as nossas almas. À alma utilitária, mercantil,  parecerá coisa: está ali para nos servir. Na verdade, não estamos propriamente em casa. Alturas há em que podemos sentir o convite da montanha. Em todo o caso, devemos-lhe sempre respeito. Nem todos são tempos de visita. E há que saber regressar oportunamente. 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

IGUANA IGUANA (IGUANA VERDE)


O habitat natural deste lagarto é o da proximidade das abundantes águas nas florestas das chuvas das regiões tropicais e subtropicais da América Central. Basicamente é um herbívoro que encontra abrigo no arvoredo onde colhe folhas e frutos e, tendo oportunidade, também lesmas, caracóis, insectos, ovos e pequenos roedores. Faz uso dos ramos altos de 20 e mais metros como prancha para saltar para a água sem se molestar. É, aliás, um excelente nadador, podendo manter-se imerso por cerca de 30 minutos. 


A estação das chuvas, ali chamada de inverno, decorre entre os meses de Maio a Novembro. A precipitação é contínua, alcançando os 5.000 mm nas encostas da Cordillera Central. Já a estação seca, também denominada de verão, tem lugar entre Dezembro e Abril. 


No passado, por constar habitualmente dos cardápios, foi também conhecido por galinha das árvores.  Hoje, goza de protecção legal e, como no sítio das fotos, pode ser encontrado nos lugares menos próprios. Não, não faz mal ao homem... 

domingo, 26 de maio de 2019

APARÊNCIA e REALIDADES


Início de primavera. Os olmos-brancos ganham cor. Mas, ao nível do solo, ervas rasteiras de textura rolada, mostram-se em tons de amarelo tendendo para o castanho. Mortas? Algumas estarão. Mas, no conjunto, só aparentemente. De facto, em grande parte estão apenas adormecidas. Durante meses, a neve cobriu as colinas. A falta de luz, alterou drasticamente as condições em que a vegetação rasteira realiza a função clorofilina. Ou, então, há ervas que alcançaram o pleno do seu desenvolvimento e entraram na fase de multiplicação, soltando as sementes maduras ao vento e ao apetite de aves e ruminantes. Então, porquê a pressa? Dias virão com temperaturas mais amenas e humidade que baste. Ressurgirão possivelmente com todo o vigor. Admiráveis! 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O ESPÍRITO dos LAGOS


As árvores de folha caduca despertam do longo sono de inverno.  Despontam alguns rebentos. Os dias  são ainda frescos e o tempo instável.  Retomam-se os passeios em volta dos lagos. É primavera! 


 O mais ínfimo recorte, a pequena baía, uma rocha que emerge das profundezas, guardam  segredos  veiculados em lendas, superstições e mitos repetidos desde tempos antigos.  Acredite ou não, uma figura sedutora, misto de mulher e foca, pode surgir em lugares recatados das margens apanhando banhos de sol. Outras há, como os unicórnios, criaturas divertidas, enquanto outras são repulsivas.




Por mim, creio que um verdadeiro espírito habita os lagos de montanha e atrai  os visitantes quesem pressa alguma, se disponham  à contemplação das suas águas e da envolvente, incluindo o caprichoso movimento das nuvens. E há a vida selvagem e seus reais segredos a descobrir. A pé ou de bicicleta são incontáveis os trilhos. Para trás, que alívio, ficam cidades, trabalho, preocupações. 






quinta-feira, 2 de maio de 2019

SONS de MONTANHA


  Nos vales profundos e longos, as águas das cheias arrastam em turbilhão  pedras roladas, cascalhos, areias e lodos  que embatem entre si e com as margens graníticas. Agora, os ribeiros rasam os prados e as temperaturas são mais amenas. Reverdecem os pastos. O murmúrio das torrentes, manifestando a vida da montanha, alcança o cimo das colinas. Não, não é o silêncio que habita estes espaços.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

RUY BELO - POEMA VINDO DOS DIAS






         POEMA VINDO DOS DIAS

A tua cruz senhor é pouco funcional
Não fica bem em nenhum jardim da cidade
dizem os vereadores e é verdade
E além disso os nossos olhos cívicos
ficam-se nos corpos de que nos cercaste
Saudamo-nos por fora como bons cidadãos
Submetemos os ombros ao teu peso
mas há tantos outros pesos pelo dia
E quando tu por um acaso passas
retocado pelas nossas tristes mãos
através dos pobres hábitos diários
só desfraldamos colchas e pegamos
em pétalas para te saudar
Queríamos ver-te romper na tarde
e morrem-nos as pálpebras de sono

Ruy Belo (1933-1978)

terça-feira, 9 de abril de 2019

MONTANHA VIVA


Nestas latitudes a neve cai, em média, 52 dias por ano.


Os pontos mais altos beneficiam de mais 24 dias de queda da neve.  Naturalmente, os desportistas de inverno encontram aqui a "sua praia". 


Mas as montanhas são  activamente procuradas por todo o ano. As caminhadas, têm preferência nas escolhas da maioria dos montanhistas servidos por boa rede de estradas, transportes públicos eficientes, variedade de alojamentos. Não lhes chamaria de visitantes, porque se movimentam como quem está em casa, parecem pertencer à montanha. E como a respeitam! Tão longe do "esprito" dos, tão nossos, mornos passeios dos tristes ...