quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

PEREGRINAÇÕES


                  Nos meses de inverno são muitos os criadores a optar por estabular o gado, não apenas para protecção dos bichos contra o frio, ventos e chuva. Sucede que a escassez de alimento verde disponível numa quinta vale como desafio à invasão de terrenos vizinhos: há quase sempre uma falha nas vedações que tarde ou cedo os animais acabarão por descobrir e aí, muito provavelmente,  o criador irá ter o vizinho à perna. Mesmo que o gado não venha a ultrapassar os limites da quinta mas havendo, como é normal, sementeiras  de trigo ou cevada, são de temer o espezinhamento e compressão de solos permanentemente húmidos.  


            Ainda que por períodos de tempo limitados, é desejável que os animais façam algum exercício nos prados, compensando a longa inactividade, confinados às cercas e aos currais com riscos para a saúde, nomeadamente ao nível dos cascos. E, estando disponível, o prado supera em qualidade a alimentação com os fenos que se devem ter sempre de reserva. 


                Estes animais estão adaptados às condições próprias do inverno. No entanto devem ser poupados, sobretudo as crias, ao tempo frio acompanhado de ventos fortes. São particularmente hábeis para buscar alimento escavando a neve que cobre as  ervas e tanto mais facilmente se a neve é fofa do que quando se mostra muito húmida e gelada. Aliás, se se tornar demasiado sólida à superfície pode ser impossível de quebrar por insuficiente peso e força destes animais.  Quanto mais erva houver debaixo da neve e também quanto mais longa, menor a hipótese de geada na superfície e mais fácil é escavar para a encontrar. 
           Ei-los, por demais ocupados com a alimentação, peregrinando pelos largos espaços da quinta. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

CORAGEM e MUITO RESPEITO


Passo decidido a caminho das melhores ondas do ano que, por estas paragens, são as dos curtos dias-de-luz de inverno. No entanto já há quem as procure desde os finais de Setembro até ao início de Abril. Em qualquer caso, há que aproveitar o máximo de luz do dia, isto é, entre as 9 e as 15H30.


Não é fácil! Há que contar com águas geladas, neve, rajadas de vento,  por vezes nevoeiro e também com o risco de chocar com pedaços soltos de gelo largados por ali perto na embocadura do rio de montanha. 


 O montante em dinheiro do equipamento não é para todosalém da prancha, muito bons fatos (demoram a secar), botas, gorro, luvas... 
E, sempre, muito e muito  discernimento. Saber quando se deve sair do mar é tão importante como saber  onde e quando entrar.  É-lhe  devido muito respeito!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

MANHÃ de SOL. PASSEIO à BEIRA-MAR.


Sem medo do inverno, 



bons agasalhos à prova de água, boas botas, um casal passeia romanticamente à beira-mar.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MIMOS QUE ESTRAGAM


 De pequena altura média, estrutura óssea pesada, pernas curtas, crinas e cauda vistosas, resultado de um secular apuramento de raças, os póneis são muito mais do que pequenos cavalos.  Estão, é claro, perfeitamente adaptados ao clima frio e húmido mas nem por isso dispensam cuidados permanentes.


Têm tendência para acumular gordura, a que se soma a circunstância de serem frequentemente usados como animais de companhia (de pessoas e até de outros cavalos de maior porte) a quem frequentemente se procura dar o máximo de conforto e mimos, poupando-os a quaisquer esforços por mais leves, afinal, em seu directo prejuízo.  E então, da gordura à obesidade vai apenas um passo. E os problemas da obesidade não são um exclusivo humano! 


A prevenção inclui rações frequentes mas em pequenas quantidades e exercício com passeios à mão ou pequenas corridas. Mesmo com neve, um tratador experiente e atento às condições do tempo em cada momento, pode libertá-los no prado por tempo  limitado assim lhes dando a possibilidade de comerem algum pasto verde e de fazerem exercício...Na verdade, descontada a gordura supérflua, estes animais quando em boas condições de saúde chegam a valer o seu peso em ouro.

domingo, 31 de dezembro de 2017

É INVERNO e ... TÁ-SE BEM!


          Não raro, estes belos animais preferem o campo ao estábulo talvez pelo espaço amplo que lhes permite exercício, maior limpeza e algum pasto verde. Porém, com baixas temperaturas, vento e precipitação, os tratadores devem redobrar os cuidados. Há que  compensar o investimento energético requerido pelas perdas da temperatura do corpo. Haverá cuidado com a temperatura da água que bebem e a ração diária em feno e grão será aumentada seguindo os ensinamentos da experiência e as indicações do veterinário. 
           Há limiares-padrão que não devem ser ultrapassados, mormente no inverno. Relevam  o tamanho, peso, idade (menor tolerância se muito novos ou muito velhos) a saúde em geral ou até a espessura da pelagem. 
           O animal da foto - o Aloha -, tem acesso livre ao estábulo e quando as condições do tempo se agravam dele faz uso sem cerimónia. Em todo o caso, o seu dedicado tratador está atento, o que se vê bem atestado pelo cobrejão leve, impermeável e almofadado numa manhã de sol. 

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

MARGENS


        Ao longo destes corredores aquáticos, no interface entre terra e águas, dinâmicas simultaneamente de erosão, transporte e depósito dão forma e substância às margens ribeirinhas. Árvores e arbustos, simples ervas, todas nativas, por isso perfeitamente adaptadas ao meio, povoam um meio ambiente por demais singular.  
       Para além do controlo das margens, o  tecido radicular quer à superfície ou no subsolo,  tem um papel fundamental no depuramento das águas e serve de refúgio a imensas espécies. Funciona também como tampão quer nas inundações após as chuvas fortes, quer na contensão da neve e gelo. 
           O valor-madeira não é nada desprezível.  E que dizer em sede de amenidade do meio-ambiente, contensão dos ventos, luz filtrada, sons relaxantes? 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

VIDAS. OUTRAS MANEIRAS DE OLHAR.


           O maior desafio para as aves durante todo o tempo do frio é encontrar comida própria e em quantidade bastante para armazenarem gordura que lhes forneça a energia necessária à sobrevivência. Frequentemente, neve e gelo escondem  os recursos alimentares e os solos ficam demasiado duros para serem esgravatados ou picados. Outras vezes é a superfície de lagos e charnecas  que ficam perfeitamente vidrados. 
              Então, o instinto leva-as a procurar comida fora dos seus habituais pousos. Ponto é que não lhes faltem energias para os voos. 


            Cá e lá, o chamado "desporto" da caça e a cupidez pelos pratos sofisticados, faz deslocar o equilíbrio da balança em desfavor das aves. Importam-se quando escasseiam, faisões incluídos, para que as empresas do ramo possam continuar a fornecer aos "desportistas" bastante "carne para canhão" ou melhor, "para espingarda". 
           Mas simultâneamente, valha a verdade, também vai havendo por ali cada vez mais outro tipo de "caçadores", estes armados apenas de objectivas. Respeitam as aves não só não ameaçando as suas vidas, como contribuindo activamente para o sustento delas, afinal com vantagens para todos.