sexta-feira, 28 de novembro de 2014

NERINE BOOWDENII (SPYDER LILY, GUERNSEY LILY)


18 de Novembro, de manhã: a partir do bolbo levemente enterrado no solo, a haste floral foi crescendo desprovida de folhas ao longo de meses durante o verão e boa parte do outono, e no ápice começou a abrir a umbela. Os pedicelos curtos vão-se afastando entre si a partir do cimo do escapo. Por baixo de cada botão as brácteas parecem rasgar-se.


21 de Novembro: os seis botões estão agora claramente separados e bem distintos. Mas o seu crescimento é desigual. Destacam-se dois pelo tamanho:  na foto, um em baixo e outro em plano superior pendendo para a direita. 


24 de Novembro: ovário inferior. Tons de rosa claro com barras longitudinais em rosa mais escuro. 


Flores de seis tépalas estreitas, unidas na base formando um curto tubo. A parte livre é ondulada e recurvada para trás. Seis estames direitos na foto, levemente recurvados na anterior. Hoje, 28, todas as flores estão abertas. O tempo fresco e chuvoso parece estar-lhes de feição.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SYMPHORICARPOS ALBUS (BOLA-de-NEVE, COMMON SNOWBERRY, ARBRE aux PERLES, LACRIME d, ITALIA, BOLITA de NIEVE)


Outono, tempo de frutos, tempo das bagas. Inesperadamente, um arbusto de bagas brancas ( mais precisamente drupas em atenção ao endocarpo lenhoso) aqui usado como ornamental. Entre Junho e Setembro deu inflorescências de pequenas flores branco-rosadas. 


Arbusto da família das caprifoliáceas (a que igualmente pertence a madressilva) de ramagem arqueada, folhas caducas, ovadas, em verde-escuro. suporta bem o frio e as geadas: por alguma razão foi fotografado em Trás-os-Montes. Alcança os dois metros de altura.


As bagas, inicialmente de cor verde, tornando-se brancas ao amadurecer, são tóxicas se ingeridas. Elas persistem inverno adentro, mesmo após a queda das folhas.

Novembro de 2014.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Céus de outono



Nesta altura do ano,  arcões do milho, tonéis e pias do azeite bem atestados, recolhidas as palhas e matos, as lenhas postas a abrigo, que viessem dias de chuva ... para maior esplendor das forragens semeadas no pó de Setembro.  


Em sintonia com o ritmo aparente da natureza, não faria mal um abrandamento do trabalho, depois de um verão esforçado, seguido da lufa-lufa das colheitas. Sobraria tempo para, debaixo dos telheiros, limpar varas, canas e vergas destinadas à empa e à cestaria.


O som dos pingos das águas tombadas dos beirais, variando na cadência, era música celestial. Tanto assim que o ampliávamos, recolhendo-as em latões e latas para podermos escutar  à noite a toada, ora dolente ora acelerada. Estava certo! Podíamos entregar-nos ao sonho.

Trás-os-Montes, no Outono.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Pata Branca


Apresenta-se o Pata Branca, de 5 meses. Do meu posto de observação, cheio de nove horas, observo o dono cuidando do jardim. Sempre de volta das plantas... Que mania!


À medida que o inverno se aproxima, os meus pêlos crescem, crescem... que se apresente o portador de uma bigodaça maior!  


Tão estranhas as árvores... Trepador, sim. Agora contorcionista...



Então, com vossa licença...vou andando.

Fotos de 8 de Novembro de 2014, no jardim.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MIGUEL TORGA (1907-1995), A vida é feita de nadas


                                                                       Miguel Torga
                                              São Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937                                                                  
                                                                      BUCÓLICA
                                             
                                                          A vida é feita de nadas
                                                      De grandes serras paradas
                                                        À espera de movimento;
                                                           De searas onduladas 
                                                                   Pelo vento;


                                                           De casas de moradia
                                                            Caídas e com sinais              
                                                     De ninhos que outrora havia
                                                                 Nos beirais;


                                                                     De poeira;
                                                          De sombra de uma figueira;
                                                              De ver esta maravilha:
                                                         Meu pai a erguer uma videira
                                                   Como uma mãe que faz a trança à filha.

Fotos:na Serra da Lousã, em Junho de 2014.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ORBEA VARIEGATA (ESTAPÉLIA, STARFISH FLOWER, FLOR de LAGARTO)


Há anos que as estapélias partilham com outras suculentas um tabuleiro de ardósia  posto ao ar livre num plano elevado e de encontro a uma parede orientada no sentido sul-norte. Recebem directamente os primeiros raios de luz do dia e, a partir do início da tarde, ficam à sombra.



Esta planta da família das Asclepiadáceas, em particular a flor, apresenta formas e cores pouco comuns. Os caules (na 1ª foto, sobre a direita, em baixo) entre erectos e prostrados, têm cerca de 18 cm de comprimento, 4 arestas e são desprovidos de folhas. No entanto, ao longo deles,  dispõe-se uma série de tubérculos em forma de dentes, com marcas de cor castanho-purpúreo.  Na falta de folhas, o caule assume as tarefas da fotossíntese.


A flor: de fora para dentro temos corola de 5 pétalas (melhor, lóbulos) de consistência dura ou semi-suculenta, em tons de castanho sobre fundo amarelado. Segue-se o anel (ou annulus) onde sobressai o amarelo com marcas acastanhadas. Depois a coroa com lóbulos externos e internos. A parte interna da coroa  está voltada para cima e para a coluna estaminal, bem ao centro. A parte externa da coroa junto à base da corola e no extremo roçando o anel, é bem maior que a interna e tem forma achatada. Escondidas por debaixo da parte interna da coroa situam-se as polínias compostas por uma massa cerosa de grãos de pólen e uma substância viscosa.



Seduzida pela cor e cheiro semelhantes à da carne em putrefacção, a mosca (possivelmente uma Sarcophaga carnaria) está pronta para cair no embuste. Uma vez poisada no centro da flor para captar o néctar escondido bem no interior da coroa interna ou para pôr ovos, ficará presa numa estrutura especial que funciona como ratoeira e, ao tentar libertar-se, acabará carregando grãos de pólen que, mal aprendida a lição, irá depositar noutras estapélias podendo igualmente deixar ali os ovos que, no final, nenhum sucesso terão. 



Após a polinização a planta desenvolve os frutos em forma de legume, contendo as sementes. Anote-se, finalmente, que a planta é pouco exigente e de fácil cultivo. E, quanto ao cheiro, tranquilize-se: ele está lá mas... é preciso um nariz de mosca para sentir-se incomodado.
Na foto uma flor em botão.

Fotos de meados de Setembro de 2014, no jardim.


domingo, 2 de novembro de 2014

MUTINUS ELEGANS (ELEGANT STINKHORN, SATYRE ÉLÉGANT)


Tinha cortado a relva na véspera com as lâminas ao nível mais baixo, algo de improvável para a última semana de Outubro. Na manhã seguinte,   o caule alaranjado e castanho-escuro do mutinus, um efémero fungo da família das Faláceas que surge todos os anos por esta altura, contrastava com o verde do relvado. Tem a forma de um pequeno corno, que estreita da base para o ápice. E uma noite basta para desencadear o processo de enchimento das células com água que o faz emergir do aparelho esporífero semi-enterrado e logo alcançar cerca de 6 cm de altura.  


O corpo desse aparelho é formado por uma rede de hifas que compõem o micélio. Este decompõe o solo com vantagem para o relvado que, deste modo, consegue um suplemento de nutrientes mais acessível à absorção pelas raízes.  Curiosamente, ao contrário dos demais,  este cogumelo parece preferir a exposição ao sol. Depois, até um certo limite, também aprecia o calor ainda tépido dos finais de Outubro e finalmente, a humidade trazida pelas chuvas  outonais e um solo acidulado e recoberto de folhas secas.  


O caule está mais direccionado para a reprodução. É muito fino, poroso e  alveolado. Por vezes surge recurvado. Na base apresenta uma cinta esbranquiçada que o une ao "ovo" de onde saiu. O seu terço final apresenta-se coberto por uma massa fina e gelatinosa  de odor forte e desagradável, barrada de esporos, que repele borboletas e abelhas mas atrai moscas e outros insectos que dele recolhem alimento e, através do aparelho bucal e das patas, acabam colaborando na dispersão dos esporos. 


                Fotografias ampliadas só são possíveis se tiradas de muito perto. Não fora o muito   experimentado exercício  de apneia e teria sucumbido ao pestilento odor libertado pela gleba madura, sensível para nós até a mais de um metro de distância. No entanto, este cogumelo tem a capacidade de decompor madeira velha e ervas secas onde podem localizar-se organismos patogénicos cujo desenvolvimento inibe. Também por isso e pelas cores vivas (elegans) e forma caprichosa (mutinus=rebelde) os deixo viver a sua vida breve, esperando que continuem a surpreender-me. 

Fotos de 28 de Outubro de 2014, no jardim.