sexta-feira, 9 de novembro de 2012

BUDDLEIA DAVIDII (BUDLEIA, FLOR-DE-MEL)


Num passeio de fim de tarde de domingo perto do canal central da ria de Aveiro, berma encharcada, somos atraídos por esta magnífica inflorescência, num cacho longo e pendente. O arbusto que o sustenta tem cerca de 2,50 m de altura e estende-se por uns 3 m.


Paramos. Caules arqueados. Folha lanceolada, de cor verde e verde acinzentado na página inferior. Trata-se da budleia (família das loganiaceae) cujas flores são especialmente procuradas por borboletas e abelhas.
 
Cresce rapidamente e tem tendência a invadir os espaços em volta pelo que convém confiná-la nomeadamente através de podas a fazer por fevereiro-março, no mínimo, de três em três anos, que até induzem a floração já que as flores nascem em lançamentos do ano.
 
Afinal, até somos conhecidos e tanto que também temos espaço para ele no jardim, embora sem a imponência deste exemplar.


Flores muito perfumadas de cor violeta, com uma garganta de cor laranja, surgem no final do verão a meados do outono. Este arbusto resulta muito bem por detrás dos maciços de roseiras e lilaseiros (syringa), formando cortinas.
 
Multiplicação por sementes e por estaca. Podem experimentar-se estacas curtas, com muitos nós, novas em maio,  semi-duras em julho ou de madeira dura em outubro. Enraizar em viveiro. Se tiver acesso a hormonas de enraizamento (procurar no comércio de mudas), maiores  a possibilidades de êxito.
 
Fotos de 7 de outubro de 2012.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CHRYSANTHEMUM (CRISÂNTEMO)


Nos cultivos ao ar livre o crisântemo tornou-se uma flor de outono, estação do ano dos dias de luz curtos e nebulosos. O fotoperiodismo é natural.
 
Mas o crisântemo é flor de todo o ano porque, em estufa, é possível dar-lhe artificialmente aquelas luz e obscuridade que induzem quer o crescimento vegetativo quer o floral. 
 
Use-se o crisântemo todo o ano e não apenas no Dia de Todos os Santos. Na Holanda frequentemente, compõem-se os ramos de noiva com crisântemos. Porque não?

 
No contexto dos dias curtos, a completa exposição solar é preferível à sombra de todo o dia. No entanto, as fotos de hoje são de crisântemos cultivados à sombra.
 
O seu êxito relativo, creio eu, relaciona-se com a circunstância destes terem tirado melhor partido das regas por a terra se manter fresca por muito mais tempo. O crisântemo sofre demasiado com as secas, mas também com o encharcamento! A parede contra a qual plantei alguns deles reduz,  em grande parte, os efeitos das chuvas tocadas a vento, normais para a época, e que os desfiguram e derrubam.
 
 
Como se vê, estão agora em plena floração.
 
Uma vez terminada, irei proceder aos cortes dos caules a uns 15 - 20 cm do solo. Aproveito para recolher algumas estacas retiradas das ponteiras que irei plantar em viveiro em local protegido dos ventos e das geadas. Se as geadas apertarem, uso cobri-los com palhagem. Com o tempo e ainda durante o inverno, a palha irá dispersar-se e permitir que surjam os novos rebentos. Quando estes atingirem uns 10 cm poderão também ser usados na multiplicação. Após o enraizamento serão transplantadas para local definitivo.
 
 
Uma regra fundamental é a de dar espaço aos crisântemos. Em princípio os ramos não devem tocar-se nos demais das plantas vizinhas. Como não tenho problemas de espaço, deixo intervalos entre plantas de cerca de 80 cm.
 
Têm tendência a formar grandes touceiras que cedo, na primavera, têm de ser divididas e eliminadas, se desnecessárias. 
 
Para aumentar o tamanho das flores, ainda que em prejuízo do número, convém eliminar alguns dos botões. Também costumo eliminar os rebentos do eixo das folhas, o que permite que a planta se desenvolva mais direita e, portanto, mais equilibrada na sua estrutura.
 
Fotos de ontem, no quintal.  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

BAUHINIA VARIEGATA, ÁRVORE-ORQUÍDEA, PATA-DE-VACA), a FOLHA


Os curiosos da botânica,  partem do exame da morfologia externa da planta para a sua identificação. É, sobretudo, a análise da flor que permite as mais decisivas aproximações.

Sucede que esta jovem planta ainda não deu flor. Em todo o caso, duvido que só por si o exame da flor me desse a solução, tantas são as semelhanças com as flores doutras árvores da mesma origem geográfica, sejam ou não da mesma família. 

 

Felizmente, as folhas são manifestamente incomuns quer na forma, quer na nervação. São alternas, simples, bilobadas (dois recortes mais ou menos profundos das margens), orbiculares (= forma bem arredondada) , de 5 a 12 cm de comprimento e 10 a 13 de largura, de cor verde brilhante (cor mais clara na página inferior), textura coreácea. 

Cada lóbo mostra, em regra, seis nervuras primárias, palmadas, que saem radialmente dum mesmo ponto-base junto à inserção do pecíolo. As nervuras secundárias são curvas e ligam-se ás primárias 

A foliação é semipersistente. 

Estas são, afinal, folhas de uma planta ornamental de paragens tão remotas como a China ou a Índia. Será a Bauhinia variegata, muito semelhante á árvore que dá a flor emblema de Hong-Kong, a Hong Kong Bauhinia ou Bauhinia Blakeana, da família leguminosae. 


Esta é uma árvore ainda jovem, no  jardim de meus vizinhos e particulares amigos. Poderá alcançar 6 a 12 metros de altura. Ainda não deu flor mas o lançamento dos ramos e as inconfundíveis folhas são para já, uma notável recompensa ao seu insuperável jardineiro. Esperamos todos que cedo comece a dar flor. E que flores!

Fotos da passada semana no jardim A. Maia.



 

domingo, 4 de novembro de 2012

SETARIA VERTICILLATA (ERVA-DE-RABOS)


A continuação das chuvas e tempo morno nesta quadra outonal, significam mais herbáceas selvagens no quintal. A erva-de-rabos, da família poaceae, não é felizmente, tão invasiva como o chenopodium, a digitária ou o amaranthus mas, ainda assim, marca presença inquietante com os seus caules erectos até uns 30 cm de altura e panículas verdes ou roxas, semelhantes a espigões, e toda ela parece dirigir a maior parte da energia para a produção de sementes. É bastante resistente à seca e adapta-se facilmente a todo o tipo de solos e culturas.


É uma gramínea anual que aqui surge entre junho e o início do outono nos solos cultivados e ruderais. Os herbicidas podem eventualmente matar a planta (a resistência vem aumentando, como é de regra) mas não afectam as sementes alojadas nas espiguetas que, assim, podem germinar na época seguinte.


Folhas com longas bainhas ao redor do caule.
 
O montão de gramíneas, agora bem ensopado pela água das chuvas, aguardará por mais uns dias para enxugar e secar melhor até se tornar de mais fácil combustão. Com o prometido escaldão do fogo,  algumas das espiguetas da setaria que juntei não  vão certamente germinar. É a vingança do chinês!
 
Fotos dos últimos dias, no quintal.

sábado, 3 de novembro de 2012

TANACETUM PARTHENIUM (TANACETO)


Tenho de admitir que sendo o tanaceto do mais fácil dos cultivos, o facto de o ver à solta onde não é desejado, dentro e fora do jardim e até mesmo pelo quintal fora, o vinha desvalorizando aos meus  olhos e passara a tomá-lo como mais uma das herbáceas selvagens a arrancar ou ignorar.
 
De passagem tomei-a por mais uma margarida. Ao tentar aproximar-me melhor da identificação, até para a distinguir das demais compostas que abundam no jardim, notei por exemplo a organização da flor em capítulos com cerca de 1,50 cm de diâmetro, as do círculo exterior de cor branca e liguladas e as do interior amarelas e tubuladas. 
 
Está florida entre junho e novembro, dura muito tempo mesmo após cortada e pode ser usada na composição de jarras em verde ou como flor seca.


Apresenta a folhagem verde-amarelada, muito próxima da dos crisântemos: alterna, com ou sem pecíolo, recomposta, o limbo ovado ou obovado. Embora não seja muito comum, o chrysantemum cinerarifolium, por exemplo, dá uma inflorescência muito semelhante á deste tanaceto.  Não surpreende que o T. parthenium também seja conhecido por chrysanthemum parthenium.


No entanto, o tanaceto mais comum, é o T. vulgare (tanásia ou atanásia), bem distinto do T. parthenium e que pode ser encontrado junto a charcos ou restos de demolições. A flor daquele é amarelo-dourada e a folha profundamente recortada em folíolos serrados. Uma vez seca os antigos espalhavam-na por toda a casa para afastar bichezas da mais variada espécie ou usavam-na como planta medicinal.  
 
Os T. parthenium são pouco exigentes, a floração é abundante e adaptam-se bem a terrenos muito secos. Bem vistas as coisas, merece afinal o nosso cuidado.
 
Fotos destes últimos dias no quintal.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ALDEIA MEMÓRIA IDENTIDADE


Hoje, ás 7 horas, o povo juntou-se na igreja para orar a Deus por vivos e mortos e peregrinou pelo cemitério da aldeia. Meia hora antes o toque dos sinos a finados apressava os mais lentos. A Liga Portuguesa Contra o Cancro recolheu esmolas.
 
 
Nenhuma manifestação social convoca mais povo. Nenhuma é mais antiga   e mais autênticamente vivida. Memória social e identidade: entre nós, vida e morte têm um forte componente social (uma família de luto, toda a aldeia de luto), para além do óbvio e duro impacto em cada um dos mais chegados. 
 
 
Findos os rituais, passos apressados, regressou-se à luta, ao trabalho, os rostos manifestamente aliviados.
 
Dor e prazer, finito e infinito, quase, quase se tocaram. Com orações, flores e espinhos, cumprimos uma vez mais o que era imperativo á consciência.
 
Sim, à nossa medida, rezámos e demos. Toscamente (quem sabe?) levámos flores, levámos luz de velas. As nossas vidas voltam mais densas, mais esperançadas.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

RAPHANUS SATIVUS, (RABANETE) A FLOR


A raiz do rabanete é muito plástica e resulta bem quando talhada artisticamente para decorar mesas e pratos. Nessa modalidade é muitas vezes apresentada como flor aberta tirando partido das tonalidades vermelha da pele e branca do interior.
 
 
Não será tão vistosa como as conseguidas pela arte dos chefes de mesa mas, como tudo o que é natureza, situa-se noutro patamar de inesgotável complexidade mesmo quando a nossa leiga aproximação  a resume a uma aparentemente simples corola de quatro pétalas de unha comprida dispostas em cruz de nervação vincada.


As flores dispostas na planta em tamanho mais próximo do real. Optei por guardar algumas plantas para colheita de sementes ainda que as do comércio sejam baratas.


Fiquei surpreendido com a abundância de flores e frutos. As sementes são mais do que muitas. Não quero arriscar a sementeira  antes do fim das geadas embora o rabanete tenha fama de resistir bem ao frio. De qualquer modo o excedente de sementes caídas na terra fará o definitivo teste.

Fotos do outono de 2012, no quintal.