domingo, 27 de outubro de 2013

DHALIA (DÁLIAS), em flor nos finais de outubro


Dálias em flor no quintal: na primavera brotaram as primeiras folhas.


Desde o início do verão não mais paravam de florir.


Tenho tido o cuidado de retirar as flores velhas.


Mantenho-as livres de infestantes.


E durante a época de Estio não lhes faltei com água.


As recentes chuvas de outono, ainda que por vezes fortes, apenas fizeram curvar as cabeças floridas mas a beleza continua lá, intacta.

As fotos de hoje são posteriores a essas chuvas. Uma festa!

Fotos da passada semana, no quintal.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

HOGNA RADIATA (ARANHA-LOBO-RADIADA)



Na passada quarta-feira, depois de uma madrugada de chuva, surgiu uma manhã de sol. Pareceu-me ser uma boa ocasião para queimar no quintal todos aqueles resíduos de podas e herbáceas invasivas ou com sinais de doença que evitamos levar aos montes de composto.


No final da manhã, após três horas de combustão bem sucedida, estava de regresso. Passando por um dos montes de composto e sobre a tela de cobertura, dei conta da presença de uma grande aranha.


Fui a casa buscar a câmara fotográfica e regressando lá encontrei o bicho exactamente na mesma posição em que o deixara, gozando do calor retido pelo plástico negro. Pude fazer algumas fotos antes de se retirar sem pressa.


Para um leigo, como é o caso, não é nada fácil entrar neste complexo mundo dos aracnídeos. Como habitualmente, consultei o excelente portal Naturdata (in www.naturdata.com/Hogna-radiata-12975.htm) para onde remeto o visitante que, com segurança, queira conhecer  melhores dados. Creio ter bem identificado uma aranha-lobo (família lycosidae). De acordo com aquela fonte, a aranha-lobo alimenta-se de insectos e também de outras aranhas a quem faz emboscadas. Não costuma atacar o homem e o seu veneno não é perigoso. Em todo o caso convém não desafiar o destino pois uma picada deste bicho pode ser muito desagradável. 

Ainda antes de recolher estes dados, por princípio de respeito e por cautela, a deixei livre e ...
agradecido pela oportunidade de se deixar retratar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

GLADIOLUS CALLIANTHUS OU G. ACIDANTHERA (ACIDANTERA, GLADÍOLO-da-ABISSÍNIA)


Surpreendente esta planta que julgava perdida (por vezes, é necessário esperar até três anos que a primeira floração aconteça). Em setembro surgiram as hastes florais e entrou em floração desde o início de outubro. Planta da família das iridaceae de floração tardia, podendo persistir florindo mesmo após a chegada do frio. 



A acidantera é de porte erecto e de folhas verdes em forma de espada. No entanto é menor em tamanho e menos vistosa que os verdadeiros gladíolos. 


A flor em estrela é suavemente perfumada, mais intensamente à noitinha. Longo cálice tubular, como se vê na foto (medidos 14 cm). Seis pétalas de cor branca com manchas no interior-centro da corola de cor vermelha acastanhada a púrpura avermelhada, estilete amarelo de ouro. Ovário destacado em cor verde.


Quando todas as folhas estiverem secas e sendo local habitual de muito frio, iremos cortá-las a uns 3 cm acima do solo, escavar e extrair os cormos, (órgãos subterrâneos de armazenamento semelhantes a rizomas) que devem ser guardados destapados, dentro de casa, em local arejado, sombrio e seco até à primavera. Depois de enxutos haverá que descascar as peles secas. Não esquecer de colocar etiquetas. Replantar em abril ou maio (incluindo os cormos laterais a obter por divisão do cormo mãe) em terra leve, a dez centímetros de profundidade, para que as suas gemas produzam novas raízes e rebentos que se alimentarão dos tecidos de reserva. 


Em locais mais temperados não se justifica a remoção: a terra será suficiente para resguardar a parte subterrânea da planta. Neste caso, far-se-à a divisão dos cormos na primavera.

Atenção às regas e à adubação com adubo líquido, de quinze em quinze dias.

Já há muitas variedades de bolbos (e cormos) à venda, quer a granel quer já embalados. Porque não as acidanteras? Às vezes até conseguem florir no ano da plantação. Quer tentar?

Fotos de outubro de 2013, no jardim.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

LONICERA PERICLYMENUM (MADRESSILVA), a flor


Após a profusão de temas botânicos que nos oferecem os meses gloriosos de março a setembro e que também nos podem induzir a apenas saltitar a superfície colorida das várias espécies vegetais, eis-nos de regresso àquela época em que uma só flor do jardim ou espontânea dos campos nos podem surpreender pela capacidade de adaptação a condições ambientais tão rigorosas como as do pico do inverno e a que, mais livres das tarefas no quintal e no jardim, podemos dedicar mais tempo.


Assumindo definitivamente o papel de "botânico" de lareira, também me sobra tempo para, com mais vagar, revisitar e rever temas e tentar aprofundá-los. 

Não é preciso ir longe. Mesmo a partir de casa e quase ao alcance da mão, temos a madressilva (família caprifoliaceae) ainda florida. Observemos de novo a flor, agora mais de perto.


Na foto e em plano superior, podemos ver claramente uma flor cuja corola se apresenta dividida em dois lábios ou lóbulos de cor branca. Destes, o superior é mais largo, curvado, voltado para cima e, perto do termo, enrolado para baixo. No limite, é subdividido em quatro lóbulos (recortes) curtos. O lábio inferior, mais estreito, curvado para baixo, é inteiro.


A parte inferior da corola é formada por um tubo profundo também de cor branca que se abre nos referidos dois lábios. O néctar encontra-se a tal profundidade que só os insectos munidos de trompas suficientemente longas o alcançam. O perfume é sobremaneira intenso durante a noite o que faz atrair borboletas nocturnas que recolhem o néctar sobre as cabeças peludas que colocam no pistilo colante de outra flor. 


Partindo do interior da corola, ressaltam estames e estiletes e estigma. Este, no extremo do estilete filiforme de cor branca, mostra a antera, uma pequena cabeça verde-clara.  

Os estames, filamentos que partem do tubo e contêm os sacos polínicos, são em número de cinco e compõem o androceu ou parte masculina da flor. São visíveis os filetes em cor branca e as anteras em tom acastanhado com que rematam.

 Fotos da passada sexta-feira, no jardim.

sábado, 19 de outubro de 2013

CUCURBITA MAXIMA, (GIRAUMON), (TURBANTE-TURCO)


Outubro, mês de abóboras. Noutros tempos - o tempo em que não se brincava em serviço - formas e sabores parecia resumirem-se a porqueiras e meninas (sem ofensa). Milhões de compatriotas não totalmente alheios a estas culturas, pasmavam com fenómenos do Entroncamento que por regra envolviam gigantismos e a quem já os bons burgueses da época (rurais e não rurais que fossem) prestavam um indisfarçável desdém no uso deliberadamente injurioso da expressão "cabeça-de-abóbora", como sinónimo de "estúpido" e, pasme-se, sem cuidar de, pelo menos, ressalvar a honrada abóbora-menina.   
  

Agora - novo tempo de Epicuro - em que ao menor esforço se deve contrapor o maior prazer possível, o trabalho do quintal, para ser politicamente correcto, tem de ser simultâneamente divertido e os seus produtos leves ou ao menos proporcionados e sobretudo, degustáveis. (1) Percebe-se que sejam recomendados os quintais-jardim e neles as inevitáveis ervas aromáticas.


Quem pretender ser imune a modas que levante o dedo. Por mim mereço inteiramente estar incluído no "in" pois que só de ervas tenho, por exemplo, abundante salsa e ultimamente até rúcula. Mas, certamente por atavismo de que aqui publicamente me penitencio, deu-me para me aplicar também em cores e formas com que atinjo, não raro, o puro deleite e o mais inócuo e absurdo sentido empresarial. Lamentavelmente, sem cuidar, do tal sentido das proporções que justamente nos sujeita ao ridículo. (tive exemplares, imaginem, que por si só quase encheriam um carro-de-bois)  (2)


Por hoje, fiquemos pelos muito decorativos turbantes-turcos, algumas cores e padrões deste ano. Vejamos semelhanças e diferenças entre si e com as primas cabaças e vulgares abóboras. Nomeadamente comparemos os pedúnculos, cilíndricos nestes turbantes e angulosos nas abóboras porqueiras (cucurbita pepo). E, dentro das c. maxima, comparemos no lado oposto aos pedúnculos, o número e padrão dos lóbulos. 

Notável, não será? Um espanto, sem dúvida.

Anote-se que há muito boa gente que não negando a estética da embalagem, prefere degustar o miolo e dele dizer que tem a textura da farinha e é agradavelmente doce.  Não sei o que disso diria o porco, caso falasse. Por mim, não confirmo nem desminto.

(1) Quantos complexos teriam sido evitados ás criancinhas desses tempos se oportunamente as mães tivessem desistido de lhes impor a violência (por exemplo) das sopas de hortaliças.

(2) A propósito, vem à memória aquele episódio vivido em que o professor mandou o aluno da 1ª classe da instrução primária que escrevesse um "a" no quadro negro da escola. E o aluno, com a ajuda do banquinho a que subiu, prontamente desenhou o "a", com a particularidade de que com ele ocupou praticamente todo o espaço do quadro. "O  que é isso, Joaquim?"
- "Se o Senhor professor não vê bem, compre uns óculos!"
Como se vê, já nessa altura (idos de 40 do século passado) os mestres-pensadores se ocupavam em transmitir aos discípulos o sentido das proporções. Em vão, como se deixou ver.

Fotos desta semana. É parte da abundante colheita de 2013. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SIRFÍDEOS (MOSCA-DAS-FLORES)



Meio da tarde de ontem, no jardim. Nas sebes floridas há movimentos de asas, por vezes muito rápidos, outras apenas pairando. 


Vespa? Com apenas duas asas é manifesto que não se trata de vespa que tem dois pares. Trata-se efectivamente de uma verdadeira mosca (Diptera, da família syrphidae).


Para um leigo, é muito difícil determinar o género. No ano passado, em fins de novembro publiquei aqui fotos de um outro género de mosca-das-flores, mais curta e mais larga. Já nessa altura experimentei as grandes dificuldades em tentar entrar no mundo dos insectos. Hoje acresce a circunstância de não ter conseguido uma foto frontal do bicho: não deixou! 


Sphaerophoria?  S. nigra? S. philanthus? ou S. rueppellii?

Vale uma ajuda?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

PAUZINHOS DE INCENSO e HIGIENE PÚBLICA



Pauzinhos de incenso: em bambu (ou requintado sândalo), com serrim, pós e resinas (em locais mais remotos também se usa a bosta), óleos essenciais, ervas aromáticas e saber-fazer.   Aqui na foto: produção manual caseira.


Ao serviço milenar da oração, da espiritualidade, da estética ou, mais prosaicamente da defenestração de mosquitos ou do refrescamento das casas. 

Mas a ciência descobriu nas partículas e gases libertados na combustão perigos, exoticamente perfumados, da inalação continuada em ambientes fechados.


O incenso mata!  Um slogan preventivo que não tardará a acompanhar cada embalagem de pauzinhos de incenso à venda no tendencialmente asséptico espaço entre a Roménia e a Suécia. Tal como acontece já com o tabaco, recomenda-se a ampliação das restrições ao uso do incenso em locais públicos. Serão assim espectáveis melhorias drásticas dos níveis de saúde pública e na esperança de vida.  

Fotos gentileza J.M. Beijinhos de gratidão.