sexta-feira, 7 de outubro de 2011

FLOREIRAS II POTES VASOS


Um pote que também é pretexto para refúgio/brincadeira dos gatos.


Ao lado do pote de barro, uma tacinha também em barro oferece água fresca aos tais brincalhões.


Composições simples que resultam.


A pia, antes bebedouro dos bois, agora floreira.


Jarra em grês de apenas uma flor.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SEDUM SPECTABILE ( SEDO )


Do género crassulaceae, esta espécie de suculenta apresenta-se em centenas de variações. Caules e folhas são carnudos. Atinge uns cinquenta a sessenta centímetros de altura e carece de ser apoiada. Os nossos sedos estão (demasiado) à sombra de árvores e arbustos mas mantêm-se muito vistosos e são pródigos em floração. As fotografias são da mesma planta e a última foi tirada ontem ao fim da tarde.


Como estão à sombra tendem a tomar a posição horizontal à procura dos raios directos do sol. Em contrapartida as folhas são de um verde mais escuro. 


Estas inflorescências são lindíssimas como se vê. As flores rosadas abriram totalmente no verão para regalo dos insectos polinizadores. Noutros sedos as flores são mais avermelhadas. Prefiro as minhas porque casam bem com o branco dos botões.


O sedo multiplica-se facilmente por estaca a efectuar por esta altura ou pelo destacamento de um caule com raízes.


Nesta fase dão as suas sementes. O frio e as geadas que se avizinham queimarão caules e folhas. Nessa altura ou mesmo antes quando os caules secarem, cortam-se pela base. Na primavera seguinte, rebentarão os brotos, o sedo toma forma e rapidamente atinge o seu máximo de altura.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

AZULEJOS PUBLICITÁRIOS


Dói-me ver o comércio de produtos da terra expostos displicentemente nas bermas das estradas. Sol intenso, poeiras em remoinho, gases dos escapes automóveis, papéis e plásticos voando e que mais? Água, instalações sanitárias ou sabão, só na concorrência estabelecida em imóveis. O comércio nas bermas tem comerciantes ambulantes de profissão (a não confundir com pequenos produtores locais que esporadicamente tentam vender à porta alguns dos seus mimos) e clientes motorizados. Mas a publicidade destes estabelecimentos não engana ninguém. Em papelão ou numa qualquer tábua, travada por pedras igualmente toscas, impera o "Vendo batata cerejas morangos melão e ...frutas" impresso à trincha, em letras desiguais em plano inclinado. As barracas suportadas por meia dúzia de estacas, estão naquele tem-te, não caias, cobertas a plástico ou com restos de encerado. A suposta pobreza do comercio ambulante explica a improvisação disto tudo. E a preferência dada pela clientela, como se explica? Displicência, apenas?
 Atavismo. Num dos sentidos: excessivo apego aos valores herdados da cultura tribal. 


Não frequentei nem podia frequentar, pela distância, qualquer dos estabelecimentos comerciais referenciados pelos dois conjuntos de fotografias de hoje tiradas no centro histórico de Abrantes. Não sei qual a qualidade dos produtos que passaram ou passam por ali. Mas sei seguramente que os donos destas obras ao encomendá-las, tinham-se e tinham os clientes em alta estima. Só podia ser. A nobreza dos materiais escolhidos, a disposição da mensagem, a regularidade das linhas, todo o exterior significava (e faço votos que ainda mereça significar) o interior: confiança.


Na época da imperativa segurança alimentar vigiada da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) coexistem  em Portugal vários normativos que condicionam o comércio de produtos alimentares. Basicamente o legal (o do fundamentalismo odioso das leis abstractas) e o herdado (prático e ajustado). O mais efectivo é este último porque conta na sua aplicação prática com a colaboração passiva de uma parte significativa dos consumidores que - lamento ter de o dizer, mas sem ofensa - ali, de algum modo, se sentem "em casa". 


 Um ambiente adequado e esteticamente acolhedor, (com ou sem azulejo) exprime o desígnio de bem receber. Quando expostos com gosto, também  os bons produtos da terra  exprimem a dignidade do trabalho da sua produção e comércio e o respeito pela humanidade do consumidor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

STAPELIA ( Flor Estrela, Estapélia )


Plantámos a estapélia no canteiro dos cactos, convencidos que se tratava de um cacto. Afinal são plantas suculentas mas não cactáceas. Os seus caules são grossos e de quatro arestas. Mostram-se de cor verde vivo e brilhante.  Nesse verde aparecem manchas acastanhadas.


As flores nascem desde a primavera até ao outono, mas em abundância apenas no verão, de pedúnculos muito curtos, na base e apresentam cinco pétalas em estrela. São acastanhadas mas também há amareladas e roxas. Outras vezes tomam uma cor base de fundo que é salpicada ou listrada com outra cor. Quando a flor murcha surge uma vagem com as sementes. O solo deve estar bem drenado. Quando ensopado podem começar a apodrecer pela base. Multiplicam-se por sementes ou por estaca. Esta variedade de menores dimensões pode esperar três anos após a plantação para mostrarem as suas primeiras flores.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ILUMINAÇÃO, VESTINDO OS CANDEEIROS


Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Cecília Meireles

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Alexandre O, Neill - Portugal

LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles

Tudo em meu torno é o universo nu, abstrato, feito de negações noturnas. Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensação do corpo um conhecimento metafísico do mistério das coisas. Por vezes amole-se-me a alma, e então os pormenores sem forma da vida quotidiana bóiam-se-me à superfície da consciência, e estou fazendo lançamentos à tona de não poder dormir. Outras vezes, acordo de dentro do meio-sono em que estagnei, e imagens vagas, de um colorido poético e involuntário, deixam escorrer pela minha desatenção o seu espectáculo sem ruídos. Não tenho os olhos inteiramente cerrados. Orla-me a vista frouxa uma luz que vem de longe; são os candeeiros públicos acesos lá em baixo, nos confins abandonados da rua.
Bernardo Soares - Heterónimo de Fernando Pessoa - Livro do Desassossego, Fragmento 6.


domingo, 2 de outubro de 2011

PETUNIA HYBRIDA ( PETÚNIAS ) TONS MATIZADOS


Como antes disse, não costumamos semear as petúnias. Mas quem optar pela sementeira pode tentar usar os recipientes plásticos de iogurte e em cada um semear apenas três sementes. Não semear muito fundo pois a semente carece de luz para germinar. Regar sempre até brotarem as plantinhas. Depois, antes de voltar a regar, deixar secar a terra para que o oxigénio não falte às raízes. Estas nunca devem ficar expostas ao sol. Quando tiverem dois pares de folhas mudar para um vaso individual. Estará na altura de fertilizar podendo usar-se o fertilizante líquido na proporção mínima, i.e. 2 ml por litro de água. Na foto vêm-se algumas flores murchas que já deveriam ter sido retiradas, evitando as consequências do apodrecimento e sobretudo que as plantas cessem a produção de novas flores. As flores murchas são cortadas pelo pecíolo e não puxando apenas as pétalas.




Para resultarem melhor as petúnias adultas requerem algum fertilizante. Costume tomar as especificações dos rótulos como limite máximo e na prática uso menos uma dose do que a indicada, entre 2 e 2,5 ml por litro de água. Para as plantas adultas venho usando um adubo granulado azul NPK que dissolvo em água na proporção de 40 gr para um metro quadrado. Aplico-o no solo com o regador e um crivo muito fino. Quando se trata apenas de uma meia dúzia de plantas  posso usar um difusor desses que serviram para guardar detergentes e depois de muito bem lavado. Faço essa aplicação ao fim da tarde quando as plantas estão ao abrigo do sol directo, evitando o contacto com os caules. A terra deve estar um pouco húmida e nunca totalmente seca. De manhã, rego. Duas semanas depois aconchego a terra com um pouquinho de substrato. Quinze dias depois, volto a aplicar mais um pouquinho de fertilizante.


Aqueles vasos da sementeira e da primeira muda devem ter uns furinhos na base para drenar. Quando as plantas estão a crescer nos vasos individuais e as raízes começam a aparecer nos buracos do fundo está na altura de as transplantar para o local definitivo, podendo enterrar-se o vaso no solo.

Há petúnias de menor tamanho (em altura e diâmetro da flor) mas em contra partida cobrem melhor o solo porque podem ser semeadas com compassos mais cerrados e são mais rústicas suportando melhor a escassez de água. As petúnias de maior dimensão são mais usadas em suportes pendentes.


As petúnias em tons matizados combinam tons de cor de rosa e púrpura, azul e branco ou apresentam-se bicolores ou multicolores. Não são as mais comuns no nosso jardim. Mas gosto de as ver e resultam muito bem em grandes maciços.


As pétalas das petúnias são muito sensíveis à força da chuva forte. Pela mesma razão não devem ser regadas com aspersores ou mangueiras que debitem caudais susceptíveis de as ferir.

sábado, 1 de outubro de 2011

PETÚNIAS EM TONS DE AZUL


O azul como o púrpura não são as cores mais comuns nos híbridos de petúnias disponíveis no mercado.


No nosso jardim as petúnias estão presentes e a florir desde meados de maio até agora e prometem continuar. São plantas relativamente baratas e de fácil cultivo que por isso mesmo nos dispensamos às vezes de semear. Compramos frequentemente em vaso escolhendo de entre as mais saudáveis, as cores que mais nos agradam.


As flores duram por muito tempo e são talvez as mais vistas do jardim pois geralmente estão logo à porta, em linha, como bordadura do relvado, voltadas a sul. 


Retiramos regularmente as flores e pétalas secas para estimular o aparecimento de novas. Aqui o solo pede água de 3 em 3 ou no máximo de 4 em 4 dias. De tempos a tempos convém adicionar algum adubo. Em breve voltaremos às petúnias com fotos de cores mais quentes.