domingo, 3 de março de 2013

VERONICA PERSICA (VERÓNICA-DA-PÉRSIA)


Herbácea anual ou bianual é actualmente uma das infestantes em maior número na zona de repouso do quintal. Mas são ainda numerosas na parte cultivada com tremocilha onde têm um efeito bastante pernicioso pois procuram envolvê-la e abafá-la cobrindo o solo com uma malha apertada que mantém o ambiente demasiado húmido por todo o dia e onde não posso acudir, desde logo pelo tamanho da área.  Fora disso e sobretudo nos canteiros, consigo controlar o seu avanço arrancando-as á mão.
 
 

.As folhas são ovadas a lanceoladas ou orbiculares e têm margem serrada. Abundantes pelos em ambas as faces, bem como ao longo das hastes. Com as sucessivas geadas a planta torna-se efémera. Talvez por isso, apresse a maturidade em vista da multiplicação.
 

Flor azul, por vezes púrpura, branca ao centro donde irradiam traços finos mais escuros.Na foto vemos dois estames (parte masculina) e no meio, mais alto, o estilete e estigma (parte feminina). Ambos mais curtos do que a corola.


Os caules longos, muito tenros e finos, saem da axila das folhas, tomando uma posição prostrada, apoiando-se nas herbáceas vizinhas e no solo aproveitando então para lançar novas raízes a partir dos nós.  Alcança 10 a 40 cm de comprimento.
 

As flores são solitárias e fecham em dias nublados ou escuros. Quatro, o número de pétalas, sépalas e tépalas. A corola tem 8 mm de diâmetro.

As fotos, muito ampliadas, são de janeiro e fevereiro de 2013, no quintal. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

ZANTEDESCHIA AETHIOPICA (JARRO, COPO-DE-LEITE)



Jarro em Portugal, copo-de-leite no Brasil, adveio à Europa a partir dos pântanos do sul da África onde cresce espontâneamente. Entre nós tornou-se uma planta comum, tão bem se adaptou a quaisquer climas temperados. Cedo a conheci. A imagem que guardo dela é a de uma planta algo desequilibrada pelo tamanho do copo branco e das folhas.  Mas é muito mais sofisticada do que aparenta.


Trata-se de uma herbácea semiaquática, vivaz, de raiz rizomatosa. O rizoma, algo dilatado, é a garantia da perenidade do jarro. Dele partem directamente as grandes folhas espiraladas e lustrosas com os bordos levemente ondulados, de verde brilhante e os pedúnculos florais que podem atingir um metro de altura. Os tecidos são algo esponjosos o que os torna especialmente vulneráveis ás geadas. 


O que parece ser uma pétala de grandes dimensões e de cor branca não é senão uma bráctea, folha modificada que na base se apresenta como um tubo fechado e, subindo, abre progressivamente em forma arredondada ou elíptica com o ápice curvado para trás - a espata.
 
Protegidas pela espata, as verdadeiras flores dispõem-se em espiga, formando o espádice de cor amarela. Ao longo desse veio as pequenas e finas flores dispõem-se, as masculinas (apenas estames) na parte superior ocupando cerca de 0,5 cm e as femininas (só gineceu) na inferior.
 
Na foto podem ver-se na parte superior do veio amarelo um pó branco que não é mais do que o pólen das flores masculinas ali imbricadas.  Descendo, destacam-se tecidos também em branco como que pregados ao espádice e que são flores femininas.
 


Floresce no final do inverno e primavera. A multiplicação pode ser feita  por divisão dos pés na primavera.
O fruto são bagas.
 
Toda a planta é venenosa.

A primeira foto reproduz um quadro a óleo pintado em 2010 por Malema, in malemapaintings.blogspot.pt
As demais foram obtidas no dia de ontem, no jardim.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CALCEOLARIA BIFLORA (CALCEOLÁRIA, SAPATINHOS-DE-VÉNUS)



As fortes geadas dos últimos dias vem limitando substancialmente a agenda de trabalhos ao ar livre. Felizmente que no interior da casa ainda há um ou outro vaso florido. 
Escolhemos para hoje uma planta anual, por vezes vivaz, da família calceolariaceae. O seu nome reporta-se á forma da parte inferior da flor (na terceira foto melhor orientadas) e evoca os sapatinhos, de gosto oriental, nas representações de personagens dos contos das Mil e Uma Noites.


As folhas na forma e na cor, lembram-me as prímulas. 
 
Mas,  decididamente, são as muito exóticas flores das calceolárias que fixam a atenção. Organizam-se em inflorescências em dicásio: os pedúnculos de cada flor da inflorescência partem de um mesmo nó e desenvolvem duas gemas de cada vez. 
 
A corola é frequentemente em tons de amarelo, pintalgada com manchas ou pontuações em tons de vermelho ou outras cores contrastantes. Mas há muitas outras combinações, sempre em  vistosas cores, como o laranja, cor de tijolo, vermelho ou rosa.  


Corola labiada sendo os lábios de dimensões diferentes. O superior, curvado, é bem mais pequeno que o inferior. Este reveste a forma de capucho, é inteiro ou ligeiramente lobado.
Lábio inferior mais dilatado de um lado do que do outro (ventricoso). No inferior há um tecido secretor de óleos (elaióforo), retribuição aos selectos polinizadores, insectos alados que alimentam as suas larvas com um pitéu altamente energético.

 
Nas segunda e terceira fotos são bem visíveis os estames e parte do pistilo.
As flores, tão chamativas pela cor são, porém, inodoras.
 
Fotos de 25 de fevereiro de 2013, em casa. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ERICACEAE AZALEA (AZÁLIA)



O meu primeiro contacto com as azáleas foi nas ilhas de baixo, no extremo ocidental do grupo central do arquipélago dos Açores. Aí formam cercas (bardos ou canadas lhes ouvi chamar localmente), ladeando estradas ou separando campos cultivados. Parece-me preferirem a exposição ao sol ou a meia-sombra, locais abrigados e alto teor de humidade relativa do ar. Vi corredores lindíssimos nas orlas das florestas fechadas de criptomérias (cryptomeria japonica) ou resguardadas pelos altos incensos (pittosporum undulatum), sobretudo no microclima da zona da praia e termas do Varadouro, Faial, para onde caem em cascata, sete ribeiras que descem de altas arribas.
 
 
Ultrapassam de longe a beleza das hortênsias azuis, azuis e brancas ou em rosa, muito mais   abundantes do que as azáleas. Também as preferia às camélias sempre presentes nos jardins. As azáleas são, muito mais delicadas nas suas pétalas sedosas e também mais frágeis do que as hortênsias. Não são visíveis a longas distâncias vestindo as encostas húmidas como as hortênsias, nem  alcançam o explendor dos tons vivos das camélias (seguido de uma tão rápida senescência!) mas discreta e persistentemente vão apurando a sua beleza requintada.
 
 
As azáleas da foto não alcançam a beleza das açorianas mas ainda assim quem lhes fica indiferente?  
 
Tantas são as formas, tamanhos, cores da planta e das flores que prometemos em breve voltar a este tema.
 
Fotos de 22 de fevereiro de 2013, jardim privado, em Coimbra.



 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

PLECTRANTHUS ORNATUS (BOLDO RASTEIRO)



Planta herbácea, vivaz, da família lamiaceae, com 30 a 40 cm de altura, tolerante á seca e em geral muito resistente. É uma boa planta de cobertura de solos ou para marcar o limite de canteiros floridos.
 
As folhas são suculentas, boas portanto para suportar a época estival. Apresentam uma invulgar disposição, como que fatiadas quando vistas a partir de cima.
 
 

Floresce todo o ano em espigas nos tons malva ou azul-púrpura e exala um aroma desagradável, tanto, que supostamente afastará cães e gatos. Daí ser conhecida na língua inglesa também por dog bane ou dog gone. O cálice é tubuloso, bilabiado. Igualmente tubulosa é a forma de parte da corola (em funil) e a outra parte é rasgada formando dois lábios. Um superior que protege os estames e um inferior trilobado que serve de pista de aterragem dos insectos polinizadores. 
Androceu com 4 estames.  Filetes concrescidos em bainha aberta através da qual passa o estilete. São bem visíveis nas fotos.


Esta planta multiplica-se por si. Para início podem usar-se estacas.
 
Tenho uma atracção especial pelas formas das flores labiadas. Em geral as labiadas cheiram muito bem, ricas que são em óleos essenciais. Mas o boldo rasteiro  dirige o seu aroma a outros que não os narizes humanos. Todas as plantas com flores em tubo, são muito selectivas com polinizadores alados.  Estratégias apuradas ao longo de milénios. Quanto a humanos, passam muito bem ignorando-os simplesmente. Que ingratas!
 
Fotos de 21 de fevereiro de 2013, em Coimbra.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

MARÍLIA DE DIRCEU


Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
que viva de guardar alheio gado;
de tosco trato, de expressões grosseiro,
dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
das brancas ovelhinhas tiro o leite,
e mais as finas lãs, de que me visto.
                Graças, Marília bela,
                 graças à minha estrela!


Eu vi o meu semblante numa fonte:
dos anos ainda não está cortado;
os pastores, que habitam este monte,
respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
que inveja até me tem o próprio Alceste:
ao som dela concerto a voz celeste
nem canto letra, que não seja minha.
                 Graças, Marília bela,
                  graças à minha estrela!


Mas tendo tantos dotes da ventura,
só apreço lhes dou, gentil pastora,
depois que o teu afecto me segura
que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
de um rebanho, que cubra monte e prado;
porém, gentil pastora, o teu agrado
vale mais que um rebanho e mais que um trono.
                  Graças, Marília bela,
                   graças à minha estrela! (...)

Marília de Dirceu, Tomás António Gonzaga (1744-1810)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MALVA SYLVESTRIS (MALVA-BASTARDA, MALVA-ALTA)


A meio da tarde, demasiado quente para inverno, um espaço transformado dentro do aglomerado urbano, na margem esquerda do Mondego, em Coimbra, desperta-me a atenção pela abundância de ervas espontâneas.
 
De entre todas não pode passar despercebida a malva-alta, (a planta dos queijinhos) pelo seu porte e pela novidade das flores violáceo-purpúrias contrastando com o habitual tom de verde da folhagem.


Parar um pouco, tomar atenção aos pormenores, é sempre compensador. Afinal, de perto, é ainda mais bonita do que aparenta!
 
Vejamos a vistosa flor: cinco pétalas livres entre si, mais estreitas na base,  bilobadas no cimo, imbricadas, soldadas à base do tubo estaminal. As nervuras das pétalas são em tom púrpura mas mais carregado. Cinco sépalas. Os estames  estão soldados pelos filetes. Giniceu (onde se formam os gâmetas femininos) com numerosos carpelos soldados. Na foto pode ainda ver-se uma parte do calículo de três peças, formado por brácteas em círculo envolvendo externamente o cálice.


Numerosas ramificações. As folhas são duras, largas, arredondadas, alternas e pecioladas (pecíolos longos). Apresentam cinco lóbos pouco profundos. As raízes agarram bem no solo tornando muito difícil extrair a planta á mão dos solos cultivados. 
 
Porque não cultivá-la no jardim? Sugere-se a malva moschata. Necessário será mantê-la nos limites pois ressemeia-se espontaneamente. 
 
Fotos de 15 de fevereiro de 2013.