sábado, 15 de dezembro de 2012

LAMIASTRUM GALEOBDOLON (YELLOW ARCHANGEL)


Nesta altura do ano em que as flores não abundam, é talvez uma boa época para prestar atenção à folhagem persistente ou semi-persistente de plantas de cobertura de solos. São geralmente herbáceas que se espalham rente ao solo, formando um denso tapete vegetal, podendo servir de substituto à relva ou de tamanho médio até uns 20 a 40 cm ou de grande porte entre os 40 e 60 cm.

Podemos finalmente distinguir entre as que preferem a sombra (e por vezes não toleram mesmo o sol directo) e as que se adaptam bem à exposição ao sol. Estas são geralmente mais altas e de porte mais erecto. Mas a folhagem daquelas, quando resistentes ao frio, atraem sobremaneira a nossa atenção.

Nestas plantas, a folhagem e ás vezes igualmente as flores, distinguem-se desde logo pelo brilho das cores. E se o jardineiro tiver optado por as combinar, opondo cores quentes (vermelho e amarelo como o de cóleus) e cores frias (como o verde e prateado  das píleas) então teremos motivos suplementares para, mesmo em dias baços do final de outono ou no inverno, continuarmos a visitar os jardins ou, quem tiver condições, experimentar plantá-las.
 


Trago hoje, da família lamiaceae (a mesma do alecrim, hortelã ou da lavanda e mais evidente quando se compara a morfologia externa das flores), uma vivaz, de rápido crescimento, podendo formar densas cortinas que cobrem o solo.

Prefere a sombra. Exposta ao sol pleno ou em solos particularmente secos não sobrevive. As folhas de fundo verde na página superior, apresentam-se manchadas de cor prateada ou branca. São de forma ovalada, opostas, arredondadas na base e com margens serradas. O lamium em sombra oferece folhas mais largas, mais finas e de verde mais escuro.

 
Abundam as subespécies desta planta e mesmo estas podem apresentar variações como se vê comparando as duas primeiras fotos  com a última. As condições do habitat poderão explicar as diferenças. Na foto de cima a planta está mais exposta á luz natural e daí, talvez, o maior tamanho dos caules e o porte mais erecto, a folha mais estreita, menos brilhante.
 
Além do valor decorativo da folhagem, também contribuem para impedir o crescimento de ervas indesejáveis. No entanto, a planta é capaz de se comportar como invasiva, cobrindo outras semeadas e espraiando-se, se não for muito bem controlada.
 
As flores em forma de sino, são em amarelo brilhante e abrem por períodos muito curtos, entre abril e maio.

Não encontrei para ela  o nome em português em qualquer das variedades. Daí que ao lado do nome latino, tenha acrescentado o mais conhecido na língua inglesa.

Fotos(a 2ª manifestamente ampliada)do início deste mês de dezembro.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

APONOGETON DISTACHYOS (ESPARGO-DO-CABO)

 
Um curso de água intermitente, quase apagado no estio e grosso das chuvas outonais e da invernia, oxigenado pelo efeito dos desníveis do leito, corre à sombra das árvores e arbustos que o ladeiam, numa atmosfera saturada de humidade, com temperaturas mitigadas de verão e de inverno, criando um micro-clima muito adequado à população ribeirinha.  


Desperta-nos a curiosidade a vegetação parcialmente imersa. Vemos os conhecidos ranúnculos e os temíveis jacintos aquáticos e a lentilha. E deparamos com uma novidade florida: o espargo-do-Cabo, originário da África do Sul.


As folhas estreitas, em forma de lança ou elípticas, parcialmente mosqueadas, dançam em suaves movimentos ondulados embaladas pela corrente. Estão ligadas ao caule por um pecíolo muito longo.
 
As inflorescências em rácemos, brancas com anteras em lilás, saem bifurcadas de um espigão erecto, mantêm-se à superfície da água e espalham um delicado perfume que atrai as abelhas.  
 
A flor carece dos habituais cálice e corola. A família das aponogetoneaceae é, afinal, uma das mais primitivas do campo botânico.
 

Fotos do início de dezembro de 2012, nas cercanias de Sintra.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TECELAGEM MANUAL e POESIA




A minha casa é concha. Como os bichos

Segreguei-a de mim com paciência:

Fachada de marés, a sonho e lixos,

O horto e os muros só areia e ausência.




Minha casa sou eu e os meus caprichos.

O orgulho carregado de inocência

Se às vezes dá uma varanda, vence-a

O sal que os santos esboroou nos nichos.




E telhados de vidro, e escadarias

Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!

Lareira aberta ao vento, as salas frias.
 



A minha casa... Mas é outra a história:

Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,

Sentado numa pedra de memória.


Vitorino Nemésio, A concha.

Fotos: outono já adiantado de 2012. Tecido, apenas com as mãos, em macramé por Malema, com motivos florais pintados pela nossa vizinha e amiga Lurdes Carvalho.

domingo, 9 de dezembro de 2012

ARISARUM VULGARE (CANDEIAS, CAPUZ-DE-FRADE)


Desde a infância que não voltara a ver estas candeias que atraiam a minha curiosidade pelas suas formas invulgares e elegantes e que tinham por habitat os solos argilo-calcários das vinhas em torno da aldeia.

As riscas longitudinais, brancas na base, depois verde-acastanhadas e purpuradas no capucho, dão-lhe um belo efeito. Na foto seguinte pode ver-se uma pontinha do espádice como se fosse um pequeno pavio saindo do tubo curvado da grande bráctea (espata) que o envolve.
 

Dão flor entre outubro e abril. No resto do ano pela ausência da flor e de folhas permanecem invisíveis aos nossos olhos. E, de facto, para sua própria defesa passam a época desfavorável do verão sem folhas ou flores reduzidas ao tubérculo subterrâneo.

È uma planta da família das araceae, herbácea, vivaz, de 10 a 30 cm de altura, sem ramificações. Cada folha e cada inflorescência nascem de um único caule, directamente do tubérculo. Ao longo dos caules vêem-se diminutas manchas escuras que parecem formigas. Esses tracinhos são visíveis na primeira das fotos. As folhas de longos pecíolos, são largas, em forma de seta ou coração e de cor verde pálido.


A flor, perfumada para atrair os insectos, não tem pétalas. A partir de baixo, a espata de cor acastanhada e em forma de capucho protege as inflorescências em cacho que se encontram no interior em torno do espádice, as femininas mais abaixo e menos numerosas.

Os frutos são bagas, aliás, tóxicas.

Multiplica-se por divisão dos tubérculos.

Fotos em ambiente de floresta, de 1 de dezembro de 2012.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SENECIO MACROGLOSSUS (HERA-DO-CABO)


Num primeiro relance julguei ver as folhas de uma hera, não de uma hera qualquer pelas manchas brancas ou branco-amareladas nas bordas que lhe dão um toque de exotismo. Trata-se, de facto, de uma trepadeira. Surgindo de entre a mancha da folhagem vi ainda algumas inflorescências amarelas, típicas das compostas. Só de muito perto me apercebi, com surpresa, que eram órgãos da mesma planta.


Na ausência de flores teria concluído tratar-se de uma hera, aliás, muito decorativa. A forma da inflorescência ilumina o caminho para a solução. As flores do círculo externo são largas. Aqui são em amarelo pálido mas também as há em  branco. As do círculo interno são amarelas como as das comuns margaridas. Florescem todo o ano. É, de facto, uma asteraceae enquanto que a hera pertence á família das araleaceae.  


A hera-do-Cabo é uma planta herbácea, vivaz, de folhagem perene. Com os seus caules finos e flexíveis, mas sem gavinhas,  entrelaça-se com o que encontrar como suporte. As folhas são algo carnudas e de verde-brilhante.  
 
As plantas das fotos são cultivadas em jardim. Mas a hera-do-Cabo pode ser cultivada em interiores com boa luz. Duas magníficas opções!
 
Fotos de 1 de dezembro de 2012.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MUEHLENBECKIA COMPLEXA (PLANTA-ARAME)


Pendente de alto muro voltado a norte e em larga extensão, chamou-me a atenção exactamente pela massa enorme que oferece.  Aproximei-me e deparei então com as florzinhas meio envergonhadas, confundidas entre o verde das folhas redondas, muito pequenas e as hastes em tom castanho e roxo.
 
Originária da Nova Zelândia, esta curiosa trepadeira perene da família das poligonáceas mostra um rendilhado de ramos finíssimos mas resistentes, cobrindo cerca de 4 metros em altura.  O verdadeiro tamanho das hastes não será fácil de medir.


No seu habitat natural é uma notável barreira á penetração humana. É usada em sebes e vedações, oferecendo boa resistência ao vento e à salinidade. Em solos férteis e voltada ao sol, carece de controlo sob pena de se tornar invasiva. Um modo de controle será o de a plantar em vaso-contentor.


As inflorescências são de cor branca ou branca-amarelada, com pequeno valor ornamental. Nesta altura ainda exibe as flores já com as sementes visíveis, sendo os meses dos meados do verão até meados de outono mais propícios á floração.

Multiplicação fácil por sementes frescas ou por estaquia.
 
Fotos da passada semana, em Sintra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NOTÍCIAS DO QUINTAL, outras


De entre as plantações e sementeiras no outono, algumas são novas. È o caso da plantação de alfaces. Antes não tive coragem de arriscar a plantação ás inevitáveis geadas dos meados de outono em diante. Desta vez abriguei a primeira dúzia em garrafões de plástico e as seguintes em túnel baixo.
 
Aparentemente, estas últimas têm melhor crescimento que as dos garrafões o que já era esperado pela qualidade do abrigo. Veremos se umas e outras continuarão crescendo. É que as grandes geadas estão aí!
 
 
Também estou a experimentar a sementeira de grão-de-bico que foi tradicional na economia de subsistência da aldeia e sem grandes riscos, mas que não me lembrara ainda de fazer. Comprei as sementes a granel, na cooperativa. Já despontaram e dali não vislumbro queixas do frio. São valentes (ou naturalmente adaptadas?).
 
 
De entre as sementeiras já aqui experimentadas voltei às favas, embora seja o único consumidor da casa, e às ervilhas, sempre apetecidas e que costumo "encostar" ás faveiras.
 
Falhada a primeira sementeira do início do outono, de nabo greleiro e nabiça (humidade insuficiente?; sementes sem qualidade?) voltei a elas na primeira quinzena de novembro. Já brotaram na maior parte.
 
 
Em cima, flores em cultura ao ar livre. Uma beleza juvenil e muito frágil, enfrenta a adversidade do clima e tenta persistir na vida até, pelo menos, ver garantida a continuidade dos seus genes. As fotos, quem diria, são do início da manhã do passado sábado.