domingo, 17 de março de 2013

LAMIUM AMPLEXICAULE (LÂMIO)

 
Os lâmios (família lamiaceae) voltaram em força ao quintal. É mais uma planta herbácea anual, não semeada, de crescimento rápido atingindo os 10 a 30 cm de comprimento e que aqui se instalou  definitivamente vinda sei lá de onde. Dá nas vistas desde que surgem os pequenos botões em vermelho púrpura, mais nítidos na foto seguinte, que hão-de resolver-se em flores da mesma cor mais evidentes pelo tamanho e pela complexidade da sua organização externa.



O cálice tubular-campanulado e longo, mais parece o pescoço de uma girafa!


O lábio superior apresenta-se como uma espécie de capacete, pubescente no exterior, uma lanugem densa quase invisível a olho nu que lhe dá uma nota mais carregada de cor púrpura. 
O lábio inferior é mais comprido e manifesto que o superior, nas cores branca, rosada ou púrpura rosada, de manchas em tom mais escuro e com lóbulos laterais arredondados.   


Aqui podem ver-se, bem erguidas, as anteras cobertas de pólen em tom alaranjado. A planta é melífera e as flores abrindo tão cedo no ano, dão um contributo muito válido para o sustento dos insectos numa época em que as flores não abundam.
 
Fotos de março de 2013, no quintal.

sexta-feira, 15 de março de 2013

LUPINUS AUGUSTIFOLIUS TREMOÇO-DE-FOLHAS-ESTREITAS, TREMOÇEIRO-AZUL)


O quintal foi semeado com tremocilha (lupinus luteus) em cultura extensa e também com tremoço (lupinus albus) num pequeno canteiro.


Mas, desde há anos, numa ínfima superfície do quintal, nascem espontâneamente três ou quatro pés de um outro lupino de folhas manifestamente mais estreitas do que as dos aludidos primos e de flor azul.
 

O tremoceiro-de-folhas-estreitas é muito bonito ainda antes da floração (aliás, flores sem valor ornamental, pela forma estilizada das folhas. Á partida, essa dimensão das folhas não nos remete logo, a nós leigos,  para a família das fabáceas. Mas a observação das flores afasta quaisquer dúvidas. 
 

Aqui a foto da inflorescência mais vistosa do lupinus luteus, com a inconfundível cor amarela. 
 
Fotos de ontem, no quintal.

quarta-feira, 13 de março de 2013

FREESIA X hybrida (FRÉSIA)


A frésia é aqui tipicamente uma planta de floração primaveril mas há outras que florescem no final do verão, princípios do outono. Os seus bolbilhos, modalidade de  cormos de pequenas dimensões, órgãos subterrâneos de reserva e de reprodução, funcionalmente semelhantes a rizomas, asseguram a sobrevivência da planta durante os meses de verão e de inverno. Nesses períodos repousam. Quando as condições voltam a ser-lhe favoráveis são ainda esses órgãos que a sustentam.


A flor da frésia apresenta um perfume delicado. No entanto não é fácil encontrar no mercado de perfumes uma essência ou sequer uma nota de frésia, talvez por não ser de fácil extracção.  Com as chuvas dos últimos dias aquele odor adocicado anda um  tanto arredado. 



As inflorescências são de tipo cimoso e as flores dispõem-se em espigas unilaterais de belo efeito. As corolas são campanuladas de cor branca, amarela, rosa, azul ou violeta.


As nossas frésias crescem entre 20 a 40 cm de altura. As folhas são basais, alongadas, verdes, semelhantes às das ervas. Agrupam-se em vistosas colónias e no tempo seco são muito procuradas por insectos.
 
Porque são uma mancha de frescura e de beleza e não exigem qualquer especial cuidado, as recomendo vivamente. 

Fotos de março de 2013, no jardim.

segunda-feira, 11 de março de 2013

ESCHSCHOLZIA CALIFORNICA (PAPOILA-DA-CALIFÓRNIA)

 
As temperaturas do ar têm continuado muito amenas para a época. Já as chuvas voltaram ao modo de fevereiradas. E assim, normalmente e nesta altura do ano, muitas plantas estariam em vias de recuperar dos efeitos das geadas ou apresentariam já o aspecto irremediável da finitude.
 
 
Papoilas-da-Califórnia com a folhagem e caules inteiros e saudáveis e floridas nesta altura do ano? Nem pensar: o tempo normal da floração não será entre maio e outubro?
 
 
Atenção: por ora, são apenas algumas. Ainda assim, nestes primeiros dias de março, um espanto!
 

Como se vê, apresentam algumas manchas e pontuados escuros, consequência do impacto directo das chuvas e do granizo e da terra dividida e logo projectada pelo vento forte. A cor das quatro pétalas, normalmente mais escura ao centro e mais clara na periferia, mostra-se algo desmaiada em toda a extensão. Faltam-lhes aqueles tons brilhantes e sedosos do laranja, amarelo ou do branco-creme que só a luz e o calor dos dias mais longos hão-de trazer. Em contrapartida, talvez seja maior o relevo dos numerosos estames, de filetes curtos e anteras longas. Ao centro na foto, o estigma elevando-se acima dos estames.

Voltaremos a estas papoilas.

Fotos de março de 2013, no jardim.

sábado, 9 de março de 2013

BELLIS PERENNIS (BONINA, MARGARIDA)


A pequena bonina instalou-se definitivamente no tabuleiro das suculentas que, contra o que é habitual o preferiu ao gramado. Ali não lhe sobra espaço para aumentar a colónia. Em todo o caso o lugar é perfeito. Voltado a nascente recebe os primeiros raios de sol da manhã e está protegida pela parede que a abriga dos ventos das bandas do poente.

De entre as várias asteraceae (compositae) do jardim é a mais persistente na produção de flores, não se circunscrevendo ao verão, a época maior.

A bonina acompanha o movimento do sol. Ao fim do dia corre persianas e dormita.


O disco amarelo ao centro, comum ás compostas, é rodeado por um halo aparente que são, apenas, o sombreado de fundo por intervalos na inserção das pétalas. 

O branco vem raiado de cor de rosa, mais acentuado no círculo da periferia. 
 

As inflorescências, no modo de capítulos, agrupam pequeníssimas flores amarelas tubulares de cinco estames  rodeadas por lígulas brancas, rosadas ou vermelhas, numa cabeça floral que impropriamente chamamos de uma flor. São flores hermafroditas (simultâneamente com órgãos masculinos e femininos) que atraem abelhas e moscas, mas também são auto-polinizáveis.


A flor surge solitária em caules curtos, sem folhas, de secção circular, pubescentes, com cerca de 2 a 10 cm de altura.


Na foto, as folhas basais em forma de colher de dois a cinco centímetros de comprimento.

No plano inferior, ao centro, pode ver-se o botão de nova flor.

A bonina consegue sobreviver a tempos mais duros (e aos cortes dos relvados) graças aos seus rizomas curtos.

 A multiplicação faz-se por sementes que produz a mais de mil por planta e que podem permanecer viáveis no solo durante anos!

Fotos muito ampliadas de fevereiro de 2013, no jardim.

quinta-feira, 7 de março de 2013

GERANIUM MOLLE (BICO-DE-POMBA-MENOR)


Os gerânios selvagens aproveitam a disponibilidade de azoto no quintal para se lançarem em forte competição por um pedaço de solo livre. No fundo até lhe convirá a vizinhança apertada de outras herbáceas na medida em que contribuem para formar aquela sombra húmida que tanto apreciam. Nos solos argilo-calcários da várzea próxima são omnipresentes. Mas não desdenham qualquer outro tipo de solo...  
 

O geranium veste-se de abundantes pelos que cobrem não só as sépalas como se distribuem  ao longo das hastes finas que sustentam, cada uma, duas flores com os respectivos pedúnculos. 


Embora pequena (corola com 8 a 12 mm de diâmetro) e discreta, a flor de cinco pétalas em rosa-púrpura, que de longe parecem dez pelo recorte em cada uma delas, faz-se notar por entre a mancha verde que recobre a terra. Cada pétala mede apenas 3 a 5 mm de comprimento.
Bem visíveis os dez estames com as respectivas anteras a azul escuro na foto. Ao centro o estigma bem aberto.

 
As folhas têm a forma de rins, sendo que as superiores são bem mais largas do que as flores e apresentam 5 a 7 lóbulos de fundo recorte, por sua vez divididos em novos segmentos. Ao nível inferior formam uma roseta basal.

Fotos de 27 de fevereiro de 2013, no quintal.

terça-feira, 5 de março de 2013

ALLIUM TRIQUETRUM (ALHO BRAVO)



Não fazemos o cultivo deliberado do alho bravo mas, todos os anos no final do inverno princípios da primavera os vemos, com satisfação, ressurgindo no jardim a partir dos bolbos subterrâneos. É uma pequena herbácea vivaz, decorativa, que transpira beleza e frescura e surge numa altura em que estamos na expectativa da cor. Mas ainda antes da floração, já as folhas em forma de tiras longas e pendentes e os caules de secção triangular oferecem um tom de verde muito próprio. Quando esfregadas exalam um desagradável odor a alho.
 
 
Inicialmente os botões apresentam-se envolvidos por duas brácteas de tom esbranquiçado que os protegem. Ao abrir revelam quinze belas flores tubulares.
 

As inflorescências são do tipo umbela e partem do cimo dos caules. Os longos pedicelos são frágeis, não suportam o peso da flor e curvam-se para baixo.


A corola de cor branca é campanulada. As "pétalas", aliás, tépalas, em número de seis, unidas na base, são brancas e cada uma com um risco verde ao meio que lhe dão muita graça. Os estames são seis de cor amarela.


Pequenos bolbos em forma oval, esbranquiçados,  que quando a terra é remexida se espalham e dão lugar a novas plantas.
 
Fotos de fevereiro de 2013, no jardim.