sábado, 9 de junho de 2018

ORNITHOGALUM THYRSOIDES (ESTRELA-de-BELÉM, CHINCHIERINCHEE)


Dispostos em vaso ou directamente no solo os bolbos de ornithogalum, gentilmente oferecidos por uma particular amiga, cresceram muito rapidamente na fase vegetativa, culminando com florações que se tem mostrado duradouras. 


Um vaso rectangular, mais comprido do que habitualmente, foi colocado junto a uma parede pintada de branco, voltada a sul A terra escolhida foi substrato vegetal de uma das compostagens que regularmente preparamos no quintal. Recebeu os bolbos no início da primavera que ficaram cobertos em cerca de 8 cm. Estas plantas provenientes da África do Sul gostam da exposição directa ao sol e adaptam-se bem às condições de pouca humidade. Esperamos que igualmente passem bem o teste das geadas. Na dúvida pode-se recolher os bolbos no final do outono.


Os bolbos que não couberam no vaso foram plantados ao abrigo de uma sebe. A partir das 2 horas da tarde já não recebem luz directa. Mas, relativamente às plantas do vaso têm a vantagem do largo espaço disponível para se expandirem. 


Na foto, três caules erectos com folhas basais. Nas fotos anteriores, inflorescências brancas em espiga com realce para os ovários em tons de castanho-escuro a preto e as anteras em amarelo. São muito procuradas como flores de corte. A multiplicação pode fazer-se também por divisão dos tufos.  Esta planta é tóxica, particularmente os bolbos. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

CORDYLINE AUSTRALIS (FITEIRA, ÁRVORE-da-COUVE)



Chegou ao jardim  com menos de 20 cm de altura. Os cuidados têm vindo a ser os  mínimos e, ainda assim, cerca de dez anos depois, mede uns 2 m de altura. Temos ficado pela poda das folhas secas, monda das ervas selvagens e, no verão, beneficia da rega  das plantas vizinhas, mais carentes. Tem resistido bem às geadas. 


Poderia ver-se nela não tanto um sucedâneo, nem sequer um sucedâneo barato mas, talvez, apenas uma remediada sugestão da magnífica palmeira Washingtonia robusta que ali mesmo pontificou de par com outra, sacrificadas em nome da segurança da casa e do alargamento da rua à custa do jardim fronteiro de que faziam uma luzida parte. Talvez porque o tronco se mostra ramificado apenas na parte superior, as folhas são compridas, fibrosas e sésseis.


Pois, há dias, a fiteira brindou-nos com a sua primeira floração: grandes panículas de flores de cor branca, perfumadas, seis estames abertos em círculo, terminando em anteras com pólen amarelo. Na base do ovário há néctar. Flores de um dia que, lamentavelmente, começaram a murchar a partir do dia seguinte à ântese. A reclamar maior cuidado? Então, um pequeno círculo de terra vegetal de protecção ao tronco, um leve "arranhar" do solo em volta e uma pitada de adubo (10-10-10, o que mais aplico em todo o jardim) a sublinhar o perímetro. Mais um pouco de terra vegetal a cobrir todo o círculo e, com cuidado para o não destruir, alguma água. Deixar infiltrar e de novo a água. Será que para o ano já terei de a fotografar a partir da janela?

quarta-feira, 30 de maio de 2018

GLADIOLUS



Primeiros dias de Maio, entre Trás-do-Passal, a Pateira e o Moinho.  Na orla da clareira, delimitada em todos os lados por valas de drenagem, crescem como cortinas de abrigo, choupos, salgueiros e freixos.  Às 10 horas o manto vegetal permanece orvalhado o suficiente para molhar as botas e as calças até aos joelhos. 


As inflorescências brancas da cenoura-brava (daucus carota) elevam-se sobre o panasco (dactylis glomerata) e os juncos (juncus),  enquanto espécies rasteiras como o ranúnculo (ranunculus) a custo se mostram nas suas flores amarelas. Sobressaem os gladíolos (gladiolus illyricus ou italicus?) 


As valas são transponíveis aqui ou ali mas não ainda a que nos separa do Moinho. Paro e observo em volta. Ocorre-me a recomendação de sempre dada aos trabalhadores "Não se esqueçam de levar a tábua!", por vezes duas, desde há muitos anos as mesmas, imprescindíveis para passar as valas, transportadas pelos homens ao ombro ou pelas mulheres à cabeça. Mas a única ferramenta que levo hoje comigo é a máquina fotográfica. Não se ouvem vozes nem se avistam pessoas: apenas o chilreio dos pássaros e ao longe o motor de uma máquina agrícola. O céu está limpo: anuncia-se um dia de calor. 


Este campo com cerca de um hectare, hoje inculto, foi uma magnífica vinha e pomar. O dono pertencia à discreta nobreza da terra, não em título ou em fortuna mas em carácter. Ali nos cruzámos algumas vezes pois devíamos reciprocamente servidão de passagem de pé a favor dos nossos prédios confinantes e, além do mais éramos parentes e amigos.  Não esquecerei jamais a última conversa que tivemos, ali mesmo. Descubro-me à sua memória. E prossigo mas, em caminho de regresso. Com sorte, a humidade não repassará.  

sábado, 26 de maio de 2018

PILRITEIRO ( CRATAEGUS MONOGYNA), HAWTHORN


A "limpeza" dos solos, imperativo legal e categórico da hora, tem aplicação retroactiva. A  administração pública estatal ou administrativa autorizou a expansão urbana pelas áreas de cultivo onde já existiam árvores, arbustos e ervas que passaram a ter por vizinhos construções e edificações novas. Alargou as vias de comunicação ou rasgou novas vias à custa de terrenos cultivados.  É o progresso, não é? 


Pois... Então, não é? Criam-se em seguida servidões administrativas e as correspondentes sanções, entretanto agravadas. Há que proteger o património edificado e a segurança nas estradas. As servidões têm custos. Mas quem os suporta?  
Objectivamente, os rurais septuagenários, (na filosofia do politicamente correto, "feios, sujos, ignorantes e maus") maioritariamente de fracos recursos em dinheiro e em saúde, separados da descendência emigrada. 


Têm também um novo desafio no pilriteiro, árvore ou arbusto espontâneos,  em vias de expansão, tornando-se invasivo com o abandono dos campos.  Experimente cortá-o pela base do tronco. Ou ataque-o com meios químicos. Em vão! Na Primavera seguinte ... surpresa! o pilriteiro continuará, renascido, forte, poderoso. 
Apenas as máquinas destroçadoras poderão resolver o problema.  Teoricamente. Na prática, considerando a dimensão média da propriedade rústica nas áreas de minifúndio, por quanto fica o destroçar de cada uma destas espécies?  Que importa! - é de elementar justiça republicana! Afinal, nem os destinatários se queixam. E, depois, se se queixassem?

terça-feira, 22 de maio de 2018

PONTES


 A partir  do problema empírico traduzido na necessidade de realizar de modo permanente e duradoiro a ligação entre as margens do rio, eram múltiplas as soluções possíveis. Em todas foi usado o cálculo matemático aplicado à natureza dos materiais escolhidos, à  paisagem, incluindo o homem, ao vão a preencher, a prazos, custos e a mil e um outros condicionalismos. É manifesta igualmente a aplicação de conceitos estéticos.  


 No mesmo rio, com idêntica envolvente, uma solução diferente para o mesmo problema  só aparentemente menos sofisticada que a da foto anterior: em madeira, a "Mathematical Bridge" sobre o rio Cam, em Cambridge, Reino Unido, sólida, útil e bela em estrutura tangencial e radial. 


E a Ponte dos Suspiros, à maneira veneziana, em perfeita harmonia com a estética dos edifícios que une pelo interior. Entre a dúzia de outras pontes vizinhas nenhuma realização se mostra duplicada. Muito legitimamente a engenharia reivindica para todas elas  a designação de "obra de arte". Apenas um  desígnio estético, suportado técnica e cientificamente ou a solução pragmática de um problema em equilíbrio harmónico com a envolvente natural e construída?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Esta Primavera, entre o Focinho de Cão e as Cardosas.

 

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.


Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.



Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

sábado, 12 de maio de 2018

QUANDO O ÓPTIMO É INIMIGO DO BOM


A acumulação de sedimentos, o travamento das árvores caídas e a dinâmica das cheias, por si mesmas e na combinação entre si e com outros factores, são as causas mais comuns das alterações das margens dos rios, valas ou ribeiros.


Longe vão os tempos em que a limpeza das margens e do leito menor das valas eram confiados a profissionais, alguns encartados, que usavam ferramentas tradicionais, como a pá de valar, respeitadoras da fragilidade natural do meio. A partir dos anos 60 do século passado deixámos de poder contar com o sábio trabalho  dos valadores. Mas, por lá ficaram contendo as margens, os amieiros, choupos, freixos, salgueiros, ulmeiros, vidoeiros, vimeiros e roseiras bravas, além da vegetação rasteira. 


Apesar do Abril chuvoso, este ano não tivemos cheias. Talvez porque, por iniciativa da administração central do estado, o leito do rio  tem vindo a ser drenado. Uma dádiva valiosa do governo da nação, considerando que, por lei, compete aos proprietários nada menos do que a execução de obras hidráulicas, nomeadamente a correcção, regularização, conservação, desobstrução e limpeza do rio. Como se está mesmo a ver, encargos de valor insignificante tendo em conta os manifestos e escandalosos rendimentos  obtidos pelos agricultores na exploração familiar minifundiária ... 



São agora usados, potentes tractores e motosserras. O acesso ao rio de máquinas pesadas implica o derrube de árvores. É uma tal limpeza... Mas o objectivo é alcançado: aumento significativo do potencial de escoamento. Efeito que, por não compensado, tem um impacto negativo nas margens e, de ano para ano, uma significativa maior erosão vem acelerando a instabilidade com o derrube dos taludes. Assim, à custa dos proprietários privados, vai avançando a faixa de domínio público das margens que é, no caso do rio da aldeia, de 10 metros. Coisa de somenos...



Noutras paragens também não se dispensa o contributo das novas ferramentas. Mas há outra atenção, outra sensibilidade, outro respeito pelo meio ambiente e pelas pessoas nele envolvidas e, consequentemente, outra ponderação e outra perícia no controle da erosão e da sinuosidade. Praticam algo agora designado significativamente por bioengenharia, combinação de meios naturais e  material inerte. Os proprietários tal como o estado têm deveres legais a cumprir. Mas na distribuição dos encargos haverá ou não racionalidade e proporcionalidade em função da capacidade real dos particulares. Ou justiça, digo eu.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

TONS e SONS da PRIMAVERA


Dir-se-ia uma paisagem banal: um troço de rio de montanha, em torrente amortecida pelo leito pedregoso. Nas margens, algumas árvores despertando indolentes do frio inverno, um relvado natural protegido, e as flores amarelas dos narcisos espontâneos na crista do talude.


A mesma paisagem vista da varanda estrategicamente voltada para o rio. 



Sons repousantes, o movimento do rio, o baloiçar das folhas tenras, a brisa fresca da manhã, as cores, tudo convidando à fusão com a natureza. 
(Para voltar a ver/ouvir, accionar o símbolo no canto inferior esquerdo. Como fazer para apagar as referências indesejadas a outros vídeos?)

domingo, 29 de abril de 2018

PRIMEIRAS ROSAS do ANO


Há três para quatro dias, eram apenas botões.


Progressivamente, tornaram-se alguns em rosas abertas.


Outras flores, como as da base do canteiro, amarelas dos íris (mais precoces as dos íris azuis), fenecem cedo mas, por meses a fio, a roseira continuará em seu explendor.  

segunda-feira, 23 de abril de 2018

AZÁLEA


Em processo de adaptação, a azálea das fotos vai permanecer em vaso durante, pelo menos, um ano. 


Em meia-sombra, rega com água das chuvas e mensalmente uma pitada de adubo,  esperamos poder contar com a nova azálea por muito tempo. 


Ponto é que permaneça resguardada das temperaturas do ar da ordem dos 30 ou mais graus. A elevada humidade relativa destes dias é-lhe favorável. Mas, por quanto tempo?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

FLOR de GINGEIRA


Já depois das chuvas, flores abertas no nosso quintal.  Felizmente anunciam-se alguns dias sem chuva. 


Aqui, ainda em botão. Alguns começaram a abrir e até já são visíveis os estames. 


A árvore não gosta de encharcamento. Também não gostaria de passar sede na época da floração.  Poderá ser aconselhado um tratamento preventivo contra a moniliose.

terça-feira, 10 de abril de 2018

IRIS


No nosso jardim não há lugar para vegetais. Já no quintal também cultivo algumas flores. Os cravos túnicos, por exemplo, ganharam um lugar certo junto dos tomateiros porque supostamente têm a virtude de afastar algumas bichezas. Verdade ou consequência, habituei-me a vê-los por lá, em largas manchas e sempre com muito prazer. Não acrescentam trabalho depois da necessária transplantação. A rega é simultânea com a das culturas hortícolas. 



Levo para o quintal outras plantas, geralmente de flores de corte, apenas porque gosto de as ver por lá.  Não requerem cuidados especiais. Amenizam o trabalho.



Nesta altura do ano, destaque para a Iris hollandica.  No jardim e ... no quintal! 


É uma flor para ver de perto, sem pressas. Textura, cores, tonalidades, transparência, tudo nelas é delicado, sofisticado, deveras exótico, raro. 
Alternativas para Abril? Quem cultiva não se prende  nem com a visão das flores brancas ou amarelas das espontâneas, na maior parte invasivas, desafiantes, nem com a superabundância das flores brancas das couves galegas!

terça-feira, 3 de abril de 2018

SPARAXIS TRICOLOR


Estas últimas chuvas, tão longamente apetecidas, são uma benção. 


Mas as terras estão ficando saturadas. E se pesam quando as queremos revolver...


Então, os trabalhos de jardim e horta estão de algum modo a ficar adiados.


Há, porém bulbosas como as liliáceas das fotos, que estão no solo desde Novembro.   Elas resistem indiferentes às persistentes chuvadas de agora, como já antes resistiram às geadas. Conspícuas, manifestam a mesma explosão de cor de sempre. Um espanto!

quarta-feira, 7 de março de 2018

O PROBLEMA DA HABITAÇÃO, ainda


                 PRIMAVERA

      E TUDO ERA POSSÍVEL

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

(Rui Belo, Obra Poética, Edit. Presença, Vol. 1, 2ª edição, 1984, Lisboa, pág. 171.)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

ALCHEMILLA MOLLIS (ALQUEMILA, ALCHÉMILLE, LADY,S MANTLE)



          Grandes folhas verdes, aveludadas, excelentes para tapa-solos. Pequenas gotas brilhantes ao sol mantém-se por muito tempo pendentes das folhas e flores: uma especial capacidade para recolher e manter o orvalho da manhã ou emanam da própria planta? 
              Flores minúsculas (cerca de 3mm), sem pétalas, em amarelo-esverdeado a verde-limão, organizadas em corimbos. Floração de Junho a Agosto. Requer persistentes regas. De contrário as folhas mostram-se secas e com mau aspeto. 
           Pode tornar-se invasiva. Então, preventivamente, quando as flores, após o auge, começam a secar cortam-se antes que produzam e espalhem as sementes. Em fins de Agosto rebaixa-se a folhagem à tesoura. 
           A planta pertencente à família das rosáceas (o que surpreende) é notavelmente robusta e prefere a meia-sombra. É conveniente proteger os caules do frio dos invernos com palha ou flores secas. No entanto existe em natureza.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

LAVATERA em cor branca


Para semear lá para os fins de Março, princípios de Abril, não mais que três sementes por vaso.


Em meados de Maio as pequenas plantas estarão em condições de ser transplantadas para uma zona ensolarada do jardim. 


E entre Junho e Setembro terá belíssimas flores de um branco imaculado, de aspecto frágil e delicado. 

domingo, 28 de janeiro de 2018

À LUZ de INVERNO


  A partir de Outubro, os dias são cada vez mais frios e curtos. Mas o verdadeiro inverno ainda anda longe e só lá por Janeiro/Fevereiro nos é permitido dizer com rigor que o inverno chegou mesmo. E então, sem surpresa, porque no intervalo a adaptação lenta e progressiva, foi possível. O que verdadeiramente nos surpreende é a nova roupagem dos campos e matas. 


     A adaptação não dispensa cautelas. 
    Na cidade, os mais velhos devem ser poupados a esforços devido ao risco aumentado de ataque cardíaco.  Para eles recomenda-se que ponham a pá de lado  e, para a limpeza dos acessos à casa, a confiem desde logo a jovens de boa saúde, pagando já se vê.


      Até as deslocações a pé pelas calçadas cobertas por um manto de gelo são ocasião frequente de escorregadelas e consequentes fracturas de ossos. Os jovens divertem-se a caminho das escolas saltitando na maior, aparentemente imunes a esse tipo de percalços.  


   Nos campos a  aparente quietude do mundo vegetal, a contensão que respira,  é a sua resposta activa à rudeza das condições ambientais que cada elemento rastreia permanentemente. Nem todos sobreviverão ao rigor do inverno e a vida continuará.
    Entretanto, estes recortes à  preciosa luz de Janeiro, comovem-nos, encantam-nos: como é prodigiosa a unidade  de tudo!