quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SER GENTE


Dure-me a vida apenas quanto baste
P,ra me sentir entre raíz e flor apenas haste
De todo alheia ao seu nascer e morte
Igual alheia a todo azar ou sorte;
E eu, apenas não diferente,
Poder vogar meus dias sendo apenas gente.


BASTE SER GENTE, Enéadas 9 NOVENAS, JOSÉ BLANC DE PORTUGAL, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1989.

Fotos de Abril de 2011, no jardim.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

NAMORO


Um dia,
Em que tecia,
Com olhos contentes
E mãos diligentes,
Capelas de rosas,
Entre uma das rosas, achei um Amor.


Peguei-lhe nas asas com todo o geitinho,
Tirei-o da flor,
Deitei-o depois numa taça de vinho,
E ao beber sequioso
O vinho capitoso,
- Engoli também o pequenino Amor...



Quis que fosse a minha taça o seu esquife
E o meu peito a sua negra sepultura...
Porém o maroto, porém o patife,
Ainda vive! Ainda mexe! Ainda dura!


Furou-me o estômago, mudou de prisão
E faz-me cuidado,
Dá-me aflição,
Senti-lo cá dentro, raivoso e irado,
- A bater as asas no meu coração!...

O Mosquito Alcoviteiro (Paráfrase a um Epigrama de Meleagro),  Rosas desta Manhã, Augusto Gil, Obras Completas de, 3ª Ed., Portugália Editora, Lisboa, 1968

Fotos de Junho de 2011, no jardim.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

VIOLA TRICOLOR (AMOR-PERFEITO) ,CORES NO INVERNO


Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.



Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.



Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.


Canção do Amor-Perfeito
Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'

Fotos de 8 de Fevereiro, no jardim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

JARDIM DA EUROPA


(...) Jardim da Europa à beira-mar plantado
de loiros e de acácias olorosas;


                                de fontes e de arroios serpeado,
                             rasgado por torrentes alterosas,


                                 onde num cerro erguido e requeimado
                                 se casam em festões jasmins e rosas;


                                   balsa virente de eternal magia
                               onde as aves gorgeiam noite e dia. (...)

Tomás Ribeiro, A Portugal, D. Jayme (1862)

Fotos de ontem, Constância.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

GEADA, nas culturas


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...


Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…



E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...



Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.





Balada da Neve, (cont. da edição anterior), Luar de Janeiro, Augusto Gil.

Fotos de folhas de faveira, alho, ervilheira e couve, tiradas em 10 de fevereiro de 2012, pelas 10,00 horas, no quintal.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

GEADA nos morangueiros


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…



Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.



Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Balada da Neve, a seguir na próxima edição do blogue, Luar de Janeiro de Augusto Gil

Fotos de ontem, dia 10 de Fevereiro, às 10,00 horas, no quintal.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

NARCISSUS (NARCISO)


Ontem, 9 de fevereiro, no jardim abriram os primeiros narcisos do ano.


Dia 4 de fevereiro.


Dia 5 de fevereiro.


Dia 8 de fevereiro.


Dia 9 de fevereiro.

Sininhos amarelos que habitam o jardim desde há muitos anos. Aliás, nem sequer retiramos os seus bolbos da terra. Mas se quer narcisos entre o meio do inverno e começo da primavera então convém que os bolbos estejam na terra no final do outono. Escolha os bolbos maiores, sem achatamento ou rombo. Plantam-se à profundidade de três vezes o seu volume em local de sol.