sábado, 7 de janeiro de 2012

STELLARIA MEDIA (MORUGEM, ERVA-CANÁRIA, ERVA-MOLEIRA))


De volta à Stellaria, que é como quem diz, à morugem, atendendo a que mais do que um amigo leitor, conterrâneos, não conseguiu reconhecer a plantinha de ontem nos seus quintais. E, de facto, dá-se bem nos terrenos cultivados mas passa despercebida. E a ampliação da imagem da flor que mostrei induziu em erro alguns leitores. Esta planta germina no outono, embora possa surgir em qualquer altura do ano. Aguenta-se firme no inverno, floresce normalmente no início da primavera e vem a morrer no verão. Prefere o frio e humidade do inverno à secura e calor do verão. A luz e temperaturas amenas do outono passado e deste começo de inverno fez com que as flores aparecessem este ano mais cedo.


As raízes são curtas e frágeis. Os caules rastejam por cerca de 40 cm. A parte final do caule ergue-se até uns 20 cm. Os caules ramificam-se e surgem folhas. Por vezes crescem raízes junto aos nós das folhas em contacto ou muito próximos do solo.


Está praticamente sempre em flor. Fecham à noite. A flor tem cerca de 6 milímetros de diâmetro! Mostram cinco pétalas que aparentam dez, e cinco sépalas verdes, maiores do que aquelas. Cada planta produz cerca de quinze mil sementes que podem esperar anos e anos até germinarem!
Vá, procurem bem. Bem rente ao solo hão-de encontrar nos vossos quintais ou jardins muitas morugens com e sem flor. Bons encontros botânicos!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GEADAS, EFEITOS nas SIMPLES. STELLARIA MEDIA


O que é espantoso é que plantas minúsculas, com débeis caules e folhas e flores insignificantes, resistam tanto aos rigores do inverno.


É o caso da  Stellaria media, herbácea selvagem, muito abundante no quintal (demasiado até!) que se corta com o mais leve toque de unha. 


Dá para perceber que se trata, de facto, de uma planta de caules, folhas e flores ínfimas?


Como está muito rente ao solo e vive em colónias densas, conserva o fresco orvalho da noite criando uma atmosfera de humidade alta que afecta igualmente as plantas cultivadas entre as quais se abriga.


As pequeníssimas flores são deslumbrantes como se vê na foto ampliada.
Fotos de ontem, no quintal.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

GEADAS


Para hortas e jardins o que das geadas interessa são os efeitos nas plantas. Diferentes plantas têm graus diferentes de resistência  ao frio. O congelamento do orvalho na superfície pode ocorrer com temperaturas do ar positivas.


De facto a temperatura ao nível do solo (temperatura na relva) pode ser inferior em cinco graus à temperatura do ar. Podem ocorrer geadas com temperatura do ar de cinco graus positivos. E à medida que a temperatura desce podem ocorrer geadas de graus significativamente diferentes.


Baixas temperaturas, céu limpo, noite estrelada antecedem geralmente as geadas. Este ano e nesta região já houve geadas mas ainda não de grande intensidade. Os estragos, normais, são visíveis nas plantas com níveis de resistência mais baixo. É o caso das dálias, as da mancha castanha na foto acima, em que a seiva em caules e folhas congelou. E continuando a temperatura a descer destruiu-lhes as células. Porém tubérculos e raízes tuberosas abaixo do nível do solo estão, em princípio, imunes à geada. Então, podemos esperar vê-las ressurgir na primavera.


No comércio de plantas tenho visto a promoção das Chagas apontando a boa resistência ao frio. Mas não é assim. Como se vê na foto acima. Produziram flores até à primeira geada. Aí tremeu a parte aérea, desmaiaram as cores. À segunda colapsaram. Com as dálias foram as primeiras a gear.
A receita da cobertura das plantas de jardim (todas, ou as mais sensíveis) com plásticos é correcta. Porém, é economicamente impraticável quando a área a cobrir é mais vasta, como é a do nosso jardim. Por isso, resta-nos aguardar os acontecimentos sabendo que entre mortas e feridas muitas vão escapar incólumes e até há plantas que precisam do frio. Voltaremos a este tema.

As duas primeiras fotos são do inverno passado e as restantes de finais de dezembro passado.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PHYSALIS (FISALIS, ALQUEQUENJE ) de FRUTO AMARELO


Decididamente as fisalis parecem instaladas no jardim e expandem para o quintal se as deixarmos.

Já em Julho e Agosto aqui demos notícia das fisalis de fruto vermelho ou alaranjado.


Nesta e na primeira das fotos apresentamos os frutos amarelos. São comestíveis. Li algures que não convém ingerir, de cada vez, para além de uns cinco frutos.


Tal como as alaranjadas ou as vermelhas assemelham-se a grandes pérolas.

Todo o cuidado é pouco com a ingestão de bagas. Muitas se assemelham entre si e algumas são mortais, mesmo em pequenas quantidades, como é o caso da beladona, da gravura abaixo.
As fotos das bagas alaranjadas e vermelhas são de Outubro e as amarelas são de ontem. A da gravura foi extraída do blog Dicas do Timoneiro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ANTÓNIO LOBO ANTUNES SÁTIRA AOS HOMENS QUANDO ESTÃO COM GRIPE


Foto: Consternação na capoeira: muito sofre um GALO constipado.

 Pachos na testa, terço na mão, Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel, Três aspirinas, creme na pele Grito de medo, chamo a mulher. Ai Lurdes que vou morrer. Mede-me a febre, olha-me a goela, Cala os miúdos, fecha a janela, Não quero canja, nem a salada, Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada. Se tu sonhasses como me sinto, Já vejo a morte nunca te minto, Já vejo o inferno, chamas, diabos, Anjos estranhos, cornos e rabos, Vejo demónios nas suas danças Tigres sem listras, bodes sem tranças Choros de coruja, risos de grilo Ai Lurdes, Lurdes fica comigo Não é o pingo de uma torneira, Põe-me a Santinha à cabeceira, Compõe-me a colcha, Fala ao prior, Pousa o Jesus no cobertor. Chama o Doutor, passa a chamada, Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada. Faz-me tisana e pão de ló, Não te levantes que fico só, Aqui sozinho a apodrecer, Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.  

Ainda não ganhei folgo para ler até ao fim os livros de António Lobo Antunes. Exige muito do leitor e já não tenho recursos para tanto. Não é, pois, defeito do escritor aliás com a maior reputação internacional. Mas sempre me deliciaram as suas crónicas repletas de humor inteligente. A mais fina ironia também está patente nos seus poemas como se vê exemplarmente na "Sátira aos HOMENS quando estão com gripe". 
A segunda foto é do "Le Coq" do pintor espanhol Joan Miró.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

LEILÃO DE JARDIM


Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles

Foto: Junho de 2011, Charante Maritime, França.

domingo, 1 de janeiro de 2012

CÂNTICO DA ESPERANÇA


Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.

Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.



Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.

Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.


Não seja eu tão cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso!


Rabindranath Tagore, "Coração da Primavera", Traduzido por Manuel Simões.
Extraído de www. citador.pt

No 1º de Janeiro de 2012, Dia Mundial da Paz. Bom Ano!