sábado, 19 de novembro de 2011

AMARANTHUS HYBRIDUS (AMARANTO, BREDO, BELDRO)


Esta é também uma dispensável presença na horta. Este ano queimei algumas mas isso nenhuma expressão terá, estou certo, na quantidade de plantas que no próximo ano regressarão por certo. Como se vê, cada uma dá uma quantidade incrível de sementes.


Arrancam-se bem á mão, excepto quando começam a desvanecer. Geralmente não estão sós. Onde há uma,  há dúzias. A sua presença indica que naquela área o solo é fértil e com grande quantidade de matéria orgânica.


Como é natural, há muitíssimas variedades de amarantos. Eles  começaram a surgir há anos no jardim e na variedade "gangeticus", trazidos pelos pássaros ou pelo vento. Desconhecendo os inconvenientes da planta e agradados pelas bonitas flores, recebemo-las o melhor possível. Entretanto alguém mais avisado nos preveniu do potencial perigo de invasão. A princípio nem queria acreditar. Mas quando vi como se multiplicavam de ano para ano não obstante a "caça" que passámos a fazer-lhe, soube como era difícil erradicá-las. Por vezes  ainda nasce uma dessas plantas no jardim ou nas imediações. Mas como já as identificamos facilmente, logo as arrancamos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

GALINSOGA PARVIFLORA (ERVA -DA-MODA)


Nesta altura é a mais abundante de entre as ervas daninhas em floração no quintal. Até são bonitas, com as suas cinco lígulas brancas de cerca de 1mm por 1 mm e as flores do disco em amarelo. É uma planta invasiva, mais comum nos terrenos que estiveram cultivados na última estação onde sobra algum estrume e adubo e que foram regados. Duram cerca de mês e meio.


Estas plantas arrancam-se muito bem á mão. Ontem andei a arrancá-las à enxada para não ter de me curvar tanto. Custumava deixá-las na terra à espera que secassem. Mas como só nos lembramos de as arrancar quando em floração, de futuro terei de as guardar num saco de plástico preto até as sementes perderem a capacidade reprodutiva ou  terei de as juntar para queima, como ainda ontem fiz ao escalrracho. Obviamente, é melhor erradicar as ervas daninhas antes de florirem.


Esta erva-da-moda com a ajuda do vento e da humidade espalha-se por tudo quanto é sítio e tem um poder de sobrevivência admirável. Andei há dias a arrancá-las do jardim e deixei algumas no caminho de acesso. Pois mesmo arrancadas e bem pisadas, mantêm-se vivas e, por tropismo, após jogadas ao chão erguem-se agora sobre a primeira metade do caule e raízes, com as flores a apontar o céu à espera de vingarem para se reproduzirem.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CONYZA BONARIENSIS (AVOADINHA, AVOADINHA-PELUDA)


Nesta altura em que as culturas hortícolas abrandam não faltam ervas daninhas na horta. Aliás este tempo de chuvas, luz e temperaturas altas para a época, é propício à germinação dos invisíveis larguíssimos milhões de sementes na horta, que os bandos de pássaros entre as ervas denunciam.


A avoadinha ou avoadinha-peluda manifesta-se entre Abril e Novembro. Esta é a época da germinação. Não uso herbicidas para a erradicação destas ou outras ervas. Mas é quase impossível arrancar a planta por inteiro dado o seu sistema de raízes estar muito desenvolvido o que explicará a sua excepcional resistência. Por isso o uso de uma enxadinha é aconselhável. O ideal é evitar que a planta produza sementes. Juntar as daninhas para as queimar na época permitida para fogueiras também é razoável.


Em Portugal foi acusada resistência desta planta aos químicos usados no seu combate. E o que é grave, essa capacidade da planta torna-se hereditária.  A avoadinha reproduz-se por sementes e cada planta produz entre 2.000 e 230.000 sementes! A luz é essencial para a germinação das sementes. Daí que as sementes enterradas a mais de  6 centímetros não germinem. Ver Boletim Técnico de Recursos Biológicos, E.P., 09, Maio de 2011. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

APROXIMAÇÕES À SIMPLICIDADE


Flor de rúcula: um travo picante e aroma desejável. Sofisticação.


Simplicidade. Beleza. Uma das mais ínfimas infestantes do quintal.


A aproximação é sempre mais bela que a chegada. (Henri Alain-Fourrier, in Correspondência com Jacques Rivière)


Impossible de vous dire mon âge, il change tout le temps. (Alphonse Allais)


Saboreando o pão intemporal partilhado por amor. Obrigado.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PEDRÃO dos DESCOBRIMENTOS


Num dos cumes da alta cadeia montanhosa dos Pirenéus, a pedra solta disposta em rampa aberta compõe um breve pedaço de muro exposto a ventos e tempestades. Inacabado? Pedestal? Em volta algumas outras pedras só aparentemente sobrantes, aconchegam o conjunto. 

Pedra de granito facetada. Cancela de madeira. Casa de duas portas é difícil de guardar!

Tosco, em xisto. Solda pobre. Meia desfeita, meia recomeçada.

Rebocada, remendada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

PANICUM REPENS, CYNODON DACTYLON (ESCALRACHO)


Sob o nome genérico de escalracho, incluem-se diversas variedades, todas infestantes, que são verdadeiramente nefastas e, uma vez estabelecidas, quase impossíveis de erradicar.


O Cynodon Dactylon (Capim ou grama das Bermudas) é menos abundante no quintal. Mesmo assim, ainda não consegui eliminá-lo por inteiro. Situa-se junto ao murinho sul da eira, fixado debaixo do chão cimentado. No foto, caules com mais de 1 metro de comprimento saindo de uma racha.


Os rizomas são mais inteiriços e de maior secção do que os do panicum repens. Aparentemente destacam-se melhor do solo.


Verdadeira praga é essa do panicum repens (Erva Torpedo). Tratam-se de plantas rizomadas que em terras de areia, como o quintal, atingem os 80 cm de profundidade. Quando os puxamos, facilmente partem para ressurgirem viçosos pouco tempo depois, sobretudo se forem beneficiados com humidade. Por isso tenho de cavar mais fundo com a enxada de pontas.


Actualmente o campo mostra-se cheio de crateras...onde antes afloraram os caules e rizomas que recolhi e juntei para queimar. Mesmo no círculo das fogueiras que tenho feito é preciso recolher todos os pedacinhos não ardidos, pois por mais insignificantes voltam a pegar e em breve se tornam numa vigorosa planta. Deixo as crateras abertas pois se sobrou algum pedaço de rizoma enterrado ele acaba por se denunciar.   Uma luta sem fim!

Aqui num monte rizomas a secar, esperando-se a melhor altura após as chuvas para os queimar.

domingo, 13 de novembro de 2011

ARCA, BAÚ, JARDIM

O sótão era o "Olho de Boi" talvez porque a luz do dia lhe chegava através de uma abertura em forma de globo ou porque outro eu visitara com o mesmo nome, lendo uma historinha para jovens. Na ficção e ali realmente, eram lugares de encantamento e de sonho.


Cedo comecei a explorar a arca grande. Meu Deus! Que incrível colecção de ferramentas de marceneiro. Ao lado uma máquina de recortar madeira fina, a pedais, pronta a servir, de que fiz largo uso até inevitavelmente partir a sua serrinha dentada.  


Também havia uma viola e um bercinho de balouçar. Ecos de modinhas tocadas à viola em rasgado nas cordas de arame, cantadas a solo pela mulher à lareira em serões de inverno, talvez trazidas do Brasil pela avó velha que de lá regressara tão pobre como partira. E o berço concebido e executado pelo mesmo artista que nele terá aplicado as ferramentas com talento e arte. E sobre o berço um vestido de baptizado com rendas de festa, naturalmente já muito gasto pelo tempo. 

E cartas. Muitas cartas, não só de Portugal mas de locais de peregrinação como o Brasil, a África e a Índia a que fui arrancando os selos que depois perderia em trocas e baldrocas ou em inimagináveis sumiços. E quantas coisas mais!
Nada que tivesse cotação nos mercados, salvo os selos de que me desliguei antes de qualquer efectiva transacção.
Mas, para mim, é um valioso legado imaterial de doçura que permanece. Para quê jardinar hoje em dia, para quê a horta? Afinal, igualmente actos da mais leve cotação. No entanto, por eles damos testemunho daquela mesma  crença de que ainda vale a pena semear e plantar para haver e cuidar. Pois no cuidar atento e persistente, muito de nós próprios de algum modo se incorporará nos frutos que houver. E do que houver, daremos. Contas de um imemorial rosário de afectos que dedilhamos tecendo laços em que nos consumimos.