quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

AO SOL de INVERNO


 Do cimo da leve colina ao sol  que brilha generosamente em tarde de inverno, estendem-se vinhedos de largo compasso, em repouso vegetativo bem merecido. As folhas caíram, a seiva desceu. O solstício foi há apenas uns dias. Não há garantia de perdurabilidade para este céu único. Aproveitemos, então. A primavera não demorará...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

RETOMANDO ALENTO


O Paiva, rio de águas bravas, do planalto da Nave, Serra de Leomil, a cerca de 1.000 m de altitude, até Castelo de Paiva, na margem esquerda do rio Douro, aqui deslizando placidamente por entre carvalhais (carvalho-alvarinho), amieiros e freixos, nos derradeiros dias de Dezembro passado. 

sábado, 22 de dezembro de 2018

acerca de um pobre príncipe esfarrapado







Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Natal Chique, Vitorino Nemésio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

TRANSIÇÕES


Surgiram estrategicamente no meio de campos de centeio, cevada ou trigo, pontuados por oliveiras e  amendoeiras, abrigo de pombos que encontravam alimento no restolho dos cereais.


A carne das aves complementava a dieta dos lavradores. Por outro lado, a alimentação natural dos pombos possibilitava um estrume especialmente rico em azoto (muito superior ao do gado vacum ou equino) que era aplicado nos campos. Mas, a pouco e pouco,  extensos vinhedos  plantados em socalcos substituíram as culturas tradicionais do Vale do Côa.  Já não há novos pombais e a maior parte dos antigos foi tomada pelas silvas. Sobram aqueles que o gosto ou o capricho dos proprietários vão mantendo, a par dos não menos belos muros de pedra solta. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

TERRAS ALTAS. FRIO? QUAL FRIO?


Tardam os nevões, mas esta pequena vaca não os teme vestida como está com o seu casaco espesso. Nas terras altas, onde os pastos escasseiam,  pode alimentar-se de plantas que outro gado recusaria e suportar condições climatéricas a que outros não sobreviveriam. Naturalmente preparadas para o frio não carecem tanto de acumular gordura. Por outro lado o declive natural do terreno propicia o desenvolvimento de bons músculos. A vaca adulta pode pesar 500 Kg e o boi 800 Kg com uma excelente qualidade de carne.


Em natureza, estes animais têm uma esperança de vida de 20 anos. São muito dóceis. Há que ter em conta, porém, o zelo exagerado na protecção das crias. Hoje em dia, a procura de um bom bife magro de gorduras desperta o interesse comercial na criação deste gado. Não há, assim, risco de extinção, bem ao contrário do bisonte ou mamute com quem são manifestamente aparentados. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

CAÇANDO IMAGENS


Outono. Um casal de faisões cruza a estrada, o macho na dianteira já a meio do talude, meio confundido com a vegetação, e a fêmea atrás, sensivelmente a meio da via. No corpo e cauda, os machos têm pintas castanhas, verdes e pretas, cabeça em verde escuro e face avermelhada.  As fêmeas são mais pequenas  e a cor é mais uniforme. Apresentam um corpo mosqueado a castanho pálido. A cauda é comprida. Procuram sementes e insectos,  especialmente no restolho dos cereais. Estas belíssimas aves dificilmente serão colhidas pelo trânsito rodoviário. Porém, o risco  de serem mortas pelos caçadores é constante entre 1 de  Outubro a 1 de Fevereiro. Por estas paragens são criadas em cativeiro aos milhões (mais de 30 milhões) e soltas a partir de Julho de modo que possam ser abatidas a voar com pelo menos 7 semanas. A caça destas aves está estritamente regulamentada e, para os nossos padrões, é caríssima. Os caçadores são devidamente enquadrados pelos promotores que oferecem pacotes de serviços, incluindo alojamento, refeições e transporte na reserva. E, assim, por cada ave abatida, o caçador pagará em média o correspondente a cerca de 30 a 40 euros...