sexta-feira, 19 de outubro de 2018

CYRTOSTACHYS renda (PALMEIRA-LACA, RED SEALING WAX PALM)



Uma planta bem exótica esta palmeira proveniente dos climas tropicais, quentes e de elevada humidade. Demasiado sensível ao frio ou à secura pode, no entanto, adaptar-se ao ambiente controlado de uma estufa quente. Os caules são do tipo espique, finos e múltiplos, cilíndricos,  podendo alcançar os 4 a 6 metros de altura e nas melhores condições em natureza podem alcançar os 10 metros. O crescimento é lento. Pecíolos longos, unem o espique à folha. Espique e pecíolos são de cor vermelha, por vezes alaranjada consoante a variedade. As folhas são compostas (constituídas pelos ditos folíolos) em tons de verde e as flores de cor amarelo-pálido. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

EICHHORNIA CRASSIPES (JACINTO-de-ÁGUA, AGUAPÉ-de-FLOR ROXA, COMMON WATER HYACINTH)


Conceda-se-lhe a triste fama de ser uma das cem mais nocivas invasoras do mundo. Nem a manifesta beleza das flores e folhas a absolverá. A comercialização da planta em Portugal está proibida por lei desde 1974. No entanto, há notícia de que já tem sido vista à venda, como decorativa, em lojas de flores. 


Os jacintos de água, originários da bacia do Amazonas, formam tapetes densos à superfície das águas impedindo as plantas aquáticas nativas de receberem a luz solar. Afetam os recursos de água para consumo doméstico, alteram a temperatura da água, baixam os níveis de oxigenação com reflexos também na saúde e vida dos peixes, impedem o escoamento favorecendo as inundações, facilitam a proliferação de mosquitos. 

Dispensam a terra para o seu desenvolvimento. Encontram-no nas substâncias orgânicas presentes na água. São plantas herbáceas flutuantes, de longas raízes em cabeleira. Os caules são estoloníferos que em desenvolvimento formam rapidamente novas plantas. As folhas são espessas e largas, ovóides na forma, de um verde-escuro brilhante e mostram-se num pecíolo inchado formado por um tecido esponjoso que lhes faculta a capacidade da flutuação. 


Grandes flores hermafroditas de seis tépalas semelhantes a pétalas, ovadas a oblongas. A tépala cimeira apresenta-se de amarelo ao centro rodeado por tons de azul pálido, raiados a violeta. 

Um exemplo de cuidado: o município de Águeda  tomou a peito o controlo dos jacintos da lindíssima Pateira de Fermentelos usando uma ceifeira aquática, já baptizada "Pato de Água" e que flutua desde os 35 cm de água. Controlo que não a eliminação total ...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

ASTILBE "FANAL" (x arendsii)


Proveniente de zonas húmidas do sudeste asiático, esta planta requer a proximidade da água ao nível das raízes. As folhas, finamente recortadas, são de belo efeito. Mas naquele mês de Julho em que as fotografei, o destaque ia para os cachos vermelhos das minúsculas flores organizadas em panículas. 


O verão é curto.  Ainda no outono e com os primeiros frios, as folhas irão amarelecer. É, porém, uma planta vivaz, rizomatosa, e a expectativa é a de que permaneça no jardim por muitos anos com o cuidado de se proceder à divisão dos tufos de três em três. De outro modo a planta perderá viço e diminuirá a produção de flores. Quando a água das chuvas não abunda, importa regar a astilbe em profundidade, não bastando a rega a crivo, lança de rega, pistola ou aspersores. A turfa, disponível em abundância por estas paragens, dá uma ajuda complementar quando falta a água das chuvas. 


Ao fundo junto à parede e em verde-escuro, o alecrim e o tubo de descarga da água das chuvas. Este canto é de meia sombra, já que a exposição total ao sol desmaiaria as cores. Ora, o tão esperado verão celebra-se com cores quentes, bem vivas. Mas, quem suspirar por tons menos chamativos mas ainda assim gloriosos, pode ainda encontrar noutras variedades de astilbe, o branco, o amarelo-creme, os tons de malva ou rosa. A escolher!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAMINHADAS de VERÃO


Tendo em conta a forma física particular deste caminhante, prefiro as caminhadas fáceis ou moderadas. Calçado leve e apropriado, algumas provisões,  água incluída, o chapéu de sol e, sendo caso disso, protecção para a chuva. Se não aceitarmos  o risco normal destas paragens de apanhar alguma chuva passaremos o dia dentro de portas. Diferentemente o anúncio de tempestades deve ser respeitado. Caminhar à chuva, por muito bom que seja o equipamento de protecção - há que assumir -, traz sempre algum desconforto sobretudo se não se tem experiência bastante. 


Também prefiro os declives suaves às altas altitudes. Uma boa sugestão: trilhos sinuosos em parques arborizados de grandes áreas quase sempre com belos jardins, permitem percursos maiores sem nos afastarmos demasiado da entrada.


Em contrapartida, há sempre  colinas ou outeiros de horizontes largos, dispondo de trilhos ladeados de pastagens espontâneas ou cultivadas com a vantagem comparativa de menor trânsito de caminhantes e... mais arejados. 

domingo, 26 de agosto de 2018

O JARDIM do PONTO de VISTA dos PELUDOS da CASA



Na época do frio, dias mais curtos, menos luz, a pelagem cresce.  Aliás, começa a crescer logo no outono. Um poderoso isolante térmico. Não chega, porém. Aproveitam a menor réstia de sol para se aquecerem nos meses frios e, no verão, nada como uma boa soneca à sombra das árvores ou arbustos onde ninguém nem nada os incomode. 


A partir da primavera a pelagem torna-se menos densa. O gato usa a língua como ferramenta e daí os muitos   rolos de pelo que acaba engolindo e tenta depois regurgitar. Acima, à esquerda a mesma gata da primeira foto, já com a fatiota de verão. No canto oposto o gato "Tigre" cuida do pelo. Neste, a  altura e densidade do pelo pouco se alteram durante o ano.


A curiosidade é, no entanto, superior aos cuidados da higiene e da beleza. Ao menor sinal de alerta, movimento das aves ou dos insectos alados, a intrusão de outros felinos,   interrompem-nos  sem hesitação: sobrepõe-se-lhes gosto pela defesa do (seu) território.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

DO INTERIOR COMO JARDIM


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não
morresse.


E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de 
seus dedos magros e o meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta.
Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.


E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessa pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

CECILIA MEIRELES, A Arte de ser feliz.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

ADENIUM OBESUM (ROSA-do-DESERTO, DESERT ROSE PLANT)


 Planta suculenta particularmente resistente à secura, o Adenium  ainda sem folhas, está em flor na primeira parte da estação seca, continuando florido até ao início do outono. A flor tem semelhança  com a do oleandro. No seu meio natural é uma pequena árvore ou um largo arbusto, podendo alcançar os 4 metros de altura. A base do tronco é arredondada, semelhante à do embondeiro e serve para acumular reservas de água. As folhas são espessas, brilhantes, verde cinza. Pode ser encontrada na região subsariana e na zona oriental de África, bem como na Ásia.


Aqui, em miniatura na forma de arbusto, ocupando um espaço apertado, podendo viver muitos anos dentro de casa em local bem iluminado onde a temperatura não desça abaixo dos dez graus centígrados. Não suporta o excesso de rega. 


Na foto acima, uma árvore frondosa no seu meio natural exposta a um sol directo e uma temperatura a rondar os 40 graus centígrados. A planta é tóxica.