quarta-feira, 13 de junho de 2018

ROSMARINUS OFFICINALIS (ALECRIM, ROSEMARY)


Alecrim em mancha densa. Este resultado que me agrada, é obtido com a aplicação das técnicas que aprendi mormente em cursos promovidos pela Associação dos Amigos do Jardim Botânico da Ajuda que recomendo (www.aajba.com/Cursos/Cursos20172018.aspx)  Mas o que mais abaixo deixo dito apenas a mim responsabiliza, mero intérprete de dados de várias fontes e prático incipiente.


Seguindo a tradição, não interferia no crescimento das aromáticas salvo cortes para compor um arranjo floral ou muito raramente, para multiplicação. Mas, até nessas condições, há critérios mínimos a observar. Tenha-se presente que as hormonas de crescimento situadas nas partes terminais das hastes têm um efeito estimulador destas e  um efeito inibidor sobre os ramos inferiores. Entregues a si mesmas, essa tendência reforça as mais fortes, os seus caules vão crescendo, lenhificando e acabam ficando demasiado altos. Com o aumento de peso as hastes curvam-se, abrindo em leque, perdendo a graça.


 Logo após o início da floração, uso a tesoura da poda para encurtar algumas das hastes mais velhas  ou que excedem o limite da forma arredondada que pretendo. Aproveito para cortar os inúmeros caules mortos que se acumularam na base. São facilmente identificáveis. Levo os encurtamentos até dois terços podendo levá-los a cabo em dois tempos: inicialmente um terço e três  a quatro meses depois o outro terço. Tomo em consideração a posição do gomo a eleger. Escolho um gomo que  esteja voltado para o exterior do arbusto e, como é de regra, o corte é feito acima. Algumas vezes elimino a haste pela base. E prefiro que subsistam as hastes novas. Elas irão aproveitar a maior iluminação e ventilação para se desenvolverem podendo vir a ocupar a posição das concorrentes eliminadas ou encurtadas. Irá demorar algum tempo até reverter o pleno crescimento do arbusto. Mas, atenção: nada de entusiasmos com os cortes porque o alecrim apesar de ser uma planta conhecida por se adaptar a duras condições, nomeadamente a solos pobres, ressente-se das podas e uma poda excessiva pode mesmo ser-lhe fatal.  

sábado, 9 de junho de 2018

ORNITHOGALUM THYRSOIDES (ESTRELA-de-BELÉM, CHINCHIERINCHEE)


Dispostos em vaso ou directamente no solo os bolbos de ornithogalum, gentilmente oferecidos por uma particular amiga, cresceram muito rapidamente na fase vegetativa, culminando com florações que se tem mostrado duradouras. 


Um vaso rectangular, mais comprido do que habitualmente, foi colocado junto a uma parede pintada de branco, voltada a sul A terra escolhida foi substrato vegetal de uma das compostagens que regularmente preparamos no quintal. Recebeu os bolbos no início da primavera que ficaram cobertos em cerca de 8 cm. Estas plantas provenientes da África do Sul gostam da exposição directa ao sol e adaptam-se bem às condições de pouca humidade. Esperamos que igualmente passem bem o teste das geadas. Na dúvida pode-se recolher os bolbos no final do outono.


Os bolbos que não couberam no vaso foram plantados ao abrigo de uma sebe. A partir das 2 horas da tarde já não recebem luz directa. Mas, relativamente às plantas do vaso têm a vantagem do largo espaço disponível para se expandirem. 


Na foto, três caules erectos com folhas basais. Nas fotos anteriores, inflorescências brancas em espiga com realce para os ovários em tons de castanho-escuro a preto e as anteras em amarelo. São muito procuradas como flores de corte. A multiplicação pode fazer-se também por divisão dos tufos.  Esta planta é tóxica, particularmente os bolbos. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

CORDYLINE AUSTRALIS (FITEIRA, ÁRVORE-da-COUVE)



Chegou ao jardim  com menos de 20 cm de altura. Os cuidados têm vindo a ser os  mínimos e, ainda assim, cerca de dez anos depois, mede uns 2 m de altura. Temos ficado pela poda das folhas secas, monda das ervas selvagens e, no verão, beneficia da rega  das plantas vizinhas, mais carentes. Tem resistido bem às geadas. 


Poderia ver-se nela não tanto um sucedâneo, nem sequer um sucedâneo barato mas, talvez, apenas uma remediada sugestão da magnífica palmeira Washingtonia robusta que ali mesmo pontificou de par com outra, sacrificadas em nome da segurança da casa e do alargamento da rua à custa do jardim fronteiro de que faziam uma luzida parte. Talvez porque o tronco se mostra ramificado apenas na parte superior, as folhas são compridas, fibrosas e sésseis.


Pois, há dias, a fiteira brindou-nos com a sua primeira floração: grandes panículas de flores de cor branca, perfumadas, seis estames abertos em círculo, terminando em anteras com pólen amarelo. Na base do ovário há néctar. Flores de um dia que, lamentavelmente, começaram a murchar a partir do dia seguinte à ântese. A reclamar maior cuidado? Então, um pequeno círculo de terra vegetal de protecção ao tronco, um leve "arranhar" do solo em volta e uma pitada de adubo (10-10-10, o que mais aplico em todo o jardim) a sublinhar o perímetro. Mais um pouco de terra vegetal a cobrir todo o círculo e, com cuidado para o não destruir, alguma água. Deixar infiltrar e de novo a água. Será que para o ano já terei de a fotografar a partir da janela?

quarta-feira, 30 de maio de 2018

GLADIOLUS



Primeiros dias de Maio, entre Trás-do-Passal, a Pateira e o Moinho.  Na orla da clareira, delimitada em todos os lados por valas de drenagem, crescem como cortinas de abrigo, choupos, salgueiros e freixos.  Às 10 horas o manto vegetal permanece orvalhado o suficiente para molhar as botas e as calças até aos joelhos. 


As inflorescências brancas da cenoura-brava (daucus carota) elevam-se sobre o panasco (dactylis glomerata) e os juncos (juncus),  enquanto espécies rasteiras como o ranúnculo (ranunculus) a custo se mostram nas suas flores amarelas. Sobressaem os gladíolos (gladiolus illyricus ou italicus?) 


As valas são transponíveis aqui ou ali mas não ainda a que nos separa do Moinho. Paro e observo em volta. Ocorre-me a recomendação de sempre dada aos trabalhadores "Não se esqueçam de levar a tábua!", por vezes duas, desde há muitos anos as mesmas, imprescindíveis para passar as valas, transportadas pelos homens ao ombro ou pelas mulheres à cabeça. Mas a única ferramenta que levo hoje comigo é a máquina fotográfica. Não se ouvem vozes nem se avistam pessoas: apenas o chilreio dos pássaros e ao longe o motor de uma máquina agrícola. O céu está limpo: anuncia-se um dia de calor. 


Este campo com cerca de um hectare, hoje inculto, foi uma magnífica vinha e pomar. O dono pertencia à discreta nobreza da terra, não em título ou em fortuna mas em carácter. Ali nos cruzámos algumas vezes pois devíamos reciprocamente servidão de passagem de pé a favor dos nossos prédios confinantes e, além do mais éramos parentes e amigos.  Não esquecerei jamais a última conversa que tivemos, ali mesmo. Descubro-me à sua memória. E prossigo mas, em caminho de regresso. Com sorte, a humidade não repassará.  

sábado, 26 de maio de 2018

PILRITEIRO ( CRATAEGUS MONOGYNA), HAWTHORN


A "limpeza" dos solos, imperativo legal e categórico da hora, tem aplicação retroactiva. A  administração pública estatal ou administrativa autorizou a expansão urbana pelas áreas de cultivo onde já existiam árvores, arbustos e ervas que passaram a ter por vizinhos construções e edificações novas. Alargou as vias de comunicação ou rasgou novas vias à custa de terrenos cultivados.  É o progresso, não é? 


Pois... Então, não é? Criam-se em seguida servidões administrativas e as correspondentes sanções, entretanto agravadas. Há que proteger o património edificado e a segurança nas estradas. As servidões têm custos. Mas quem os suporta?  
Objectivamente, os rurais septuagenários, (na filosofia do politicamente correto, "feios, sujos, ignorantes e maus") maioritariamente de fracos recursos em dinheiro e em saúde, separados da descendência emigrada. 


Têm também um novo desafio no pilriteiro, árvore ou arbusto espontâneos,  em vias de expansão, tornando-se invasivo com o abandono dos campos.  Experimente cortá-o pela base do tronco. Ou ataque-o com meios químicos. Em vão! Na Primavera seguinte ... surpresa! o pilriteiro continuará, renascido, forte, poderoso. 
Apenas as máquinas destroçadoras poderão resolver o problema.  Teoricamente. Na prática, considerando a dimensão média da propriedade rústica nas áreas de minifúndio, por quanto fica o destroçar de cada uma destas espécies?  Que importa! - é de elementar justiça republicana! Afinal, nem os destinatários se queixam. E, depois, se se queixassem?

terça-feira, 22 de maio de 2018

PONTES


 A partir  do problema empírico traduzido na necessidade de realizar de modo permanente e duradoiro a ligação entre as margens do rio, eram múltiplas as soluções possíveis. Em todas foi usado o cálculo matemático aplicado à natureza dos materiais escolhidos, à  paisagem, incluindo o homem, ao vão a preencher, a prazos, custos e a mil e um outros condicionalismos. É manifesta igualmente a aplicação de conceitos estéticos.  


 No mesmo rio, com idêntica envolvente, uma solução diferente para o mesmo problema  só aparentemente menos sofisticada que a da foto anterior: em madeira, a "Mathematical Bridge" sobre o rio Cam, em Cambridge, Reino Unido, sólida, útil e bela em estrutura tangencial e radial. 


E a Ponte dos Suspiros, à maneira veneziana, em perfeita harmonia com a estética dos edifícios que une pelo interior. Entre a dúzia de outras pontes vizinhas nenhuma realização se mostra duplicada. Muito legitimamente a engenharia reivindica para todas elas  a designação de "obra de arte". Apenas um  desígnio estético, suportado técnica e cientificamente ou a solução pragmática de um problema em equilíbrio harmónico com a envolvente natural e construída?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Esta Primavera, entre o Focinho de Cão e as Cardosas.

 

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.


Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.



Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões