terça-feira, 22 de maio de 2018

PONTES


 A partir  do problema empírico traduzido na necessidade de realizar de modo permanente e duradoiro a ligação entre as margens do rio, eram múltiplas as soluções possíveis. Em todas foi usado o cálculo matemático aplicado à natureza dos materiais escolhidos, à  paisagem, incluindo o homem, ao vão a preencher, a prazos, custos e a mil e um outros condicionalismos. É manifesta igualmente a aplicação de conceitos estéticos.  


 No mesmo rio, com idêntica envolvente, uma solução diferente para o mesmo problema  só aparentemente menos sofisticada que a da foto anterior: em madeira, a "Mathematical Bridge" sobre o rio Cam, em Cambridge, Reino Unido, sólida, útil e bela em estrutura tangencial e radial. 


E a Ponte dos Suspiros, à maneira veneziana, em perfeita harmonia com a estética dos edifícios que une pelo interior. Entre a dúzia de outras pontes vizinhas nenhuma realização se mostra duplicada. Muito legitimamente a engenharia reivindica para todas elas  a designação de "obra de arte". Apenas um  desígnio estético, suportado técnica e cientificamente ou a solução pragmática de um problema em equilíbrio harmónico com a envolvente natural e construída?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Esta Primavera, entre o Focinho de Cão e as Cardosas.

 

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.


Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.



Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

sábado, 12 de maio de 2018

QUANDO O ÓPTIMO É INIMIGO DO BOM


A acumulação de sedimentos, o travamento das árvores caídas e a dinâmica das cheias, por si mesmas e na combinação entre si e com outros factores, são as causas mais comuns das alterações das margens dos rios, valas ou ribeiros.


Longe vão os tempos em que a limpeza das margens e do leito menor das valas eram confiados a profissionais, alguns encartados, que usavam ferramentas tradicionais, como a pá de valar, respeitadoras da fragilidade natural do meio. A partir dos anos 60 do século passado deixámos de poder contar com o sábio trabalho  dos valadores. Mas, por lá ficaram contendo as margens, os amieiros, choupos, freixos, salgueiros, ulmeiros, vidoeiros, vimeiros e roseiras bravas, além da vegetação rasteira. 


Apesar do Abril chuvoso, este ano não tivemos cheias. Talvez porque, por iniciativa da administração central do estado, o leito do rio  tem vindo a ser drenado. Uma dádiva valiosa do governo da nação, considerando que, por lei, compete aos proprietários nada menos do que a execução de obras hidráulicas, nomeadamente a correcção, regularização, conservação, desobstrução e limpeza do rio. Como se está mesmo a ver, encargos de valor insignificante tendo em conta os manifestos e escandalosos rendimentos  obtidos pelos agricultores na exploração familiar minifundiária ... 



São agora usados, potentes tractores e motosserras. O acesso ao rio de máquinas pesadas implica o derrube de árvores. É uma tal limpeza... Mas o objectivo é alcançado: aumento significativo do potencial de escoamento. Efeito que, por não compensado, tem um impacto negativo nas margens e, de ano para ano, uma significativa maior erosão vem acelerando a instabilidade com o derrube dos taludes. Assim, à custa dos proprietários privados, vai avançando a faixa de domínio público das margens que é, no caso do rio da aldeia, de 10 metros. Coisa de somenos...



Noutras paragens também não se dispensa o contributo das novas ferramentas. Mas há outra atenção, outra sensibilidade, outro respeito pelo meio ambiente e pelas pessoas nele envolvidas e, consequentemente, outra ponderação e outra perícia no controle da erosão e da sinuosidade. Praticam algo agora designado significativamente por bioengenharia, combinação de meios naturais e  material inerte. Os proprietários tal como o estado têm deveres legais a cumprir. Mas na distribuição dos encargos haverá ou não racionalidade e proporcionalidade em função da capacidade real dos particulares. Ou justiça, digo eu.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

TONS e SONS da PRIMAVERA


Dir-se-ia uma paisagem banal: um troço de rio de montanha, em torrente amortecida pelo leito pedregoso. Nas margens, algumas árvores despertando indolentes do frio inverno, um relvado natural protegido, e as flores amarelas dos narcisos espontâneos na crista do talude.


A mesma paisagem vista da varanda estrategicamente voltada para o rio. 



Sons repousantes, o movimento do rio, o baloiçar das folhas tenras, a brisa fresca da manhã, as cores, tudo convidando à fusão com a natureza. 
(Para voltar a ver/ouvir, accionar o símbolo no canto inferior esquerdo. Como fazer para apagar as referências indesejadas a outros vídeos?)

domingo, 29 de abril de 2018

PRIMEIRAS ROSAS do ANO


Há três para quatro dias, eram apenas botões.


Progressivamente, tornaram-se alguns em rosas abertas.


Outras flores, como as da base do canteiro, amarelas dos íris (mais precoces as dos íris azuis), fenecem cedo mas, por meses a fio, a roseira continuará em seu explendor.  

segunda-feira, 23 de abril de 2018

AZÁLEA


Em processo de adaptação, a azálea das fotos vai permanecer em vaso durante, pelo menos, um ano. 


Em meia-sombra, rega com água das chuvas e mensalmente uma pitada de adubo,  esperamos poder contar com a nova azálea por muito tempo. 


Ponto é que permaneça resguardada das temperaturas do ar da ordem dos 30 ou mais graus. A elevada humidade relativa destes dias é-lhe favorável. Mas, por quanto tempo?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

FLOR de GINGEIRA


Já depois das chuvas, flores abertas no nosso quintal.  Felizmente anunciam-se alguns dias sem chuva. 


Aqui, ainda em botão. Alguns começaram a abrir e até já são visíveis os estames. 


A árvore não gosta de encharcamento. Também não gostaria de passar sede na época da floração.  Poderá ser aconselhado um tratamento preventivo contra a moniliose.