Viver na aldeia os anos da reforma. A horticultura e a jardinagem. Guardar a criação. Conhecer-se cuidando. Semear ainda. Partilhar os frutos.
quarta-feira, 7 de março de 2018
O PROBLEMA DA HABITAÇÃO, ainda
PRIMAVERA
E TUDO ERA POSSÍVEL
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
(Rui Belo, Obra Poética, Edit. Presença, Vol. 1, 2ª edição, 1984, Lisboa, pág. 171.)
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
ALCHEMILLA MOLLIS (ALQUEMILA, ALCHÉMILLE, LADY,S MANTLE)
Grandes folhas verdes, aveludadas, excelentes para tapa-solos. Pequenas gotas brilhantes ao sol mantém-se por muito tempo pendentes das folhas e flores: uma especial capacidade para recolher e manter o orvalho da manhã ou emanam da própria planta?
Flores minúsculas (cerca de 3mm), sem pétalas, em amarelo-esverdeado a verde-limão, organizadas em corimbos. Floração de Junho a Agosto. Requer persistentes regas. De contrário as folhas mostram-se secas e com mau aspeto.
Flores minúsculas (cerca de 3mm), sem pétalas, em amarelo-esverdeado a verde-limão, organizadas em corimbos. Floração de Junho a Agosto. Requer persistentes regas. De contrário as folhas mostram-se secas e com mau aspeto.
Pode tornar-se invasiva. Então, preventivamente, quando as flores, após o auge, começam a secar cortam-se antes que produzam e espalhem as sementes. Em fins de Agosto rebaixa-se a folhagem à tesoura.
A planta pertencente à família das rosáceas (o que surpreende) é notavelmente robusta e prefere a meia-sombra. É conveniente proteger os caules do frio dos invernos com palha ou flores secas. No entanto existe em natureza.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
LAVATERA em cor branca
Para semear lá para os fins de Março, princípios de Abril, não mais que três sementes por vaso.
Em meados de Maio as pequenas plantas estarão em condições de ser transplantadas para uma zona ensolarada do jardim.
E entre Junho e Setembro terá belíssimas flores de um branco imaculado, de aspecto frágil e delicado.
domingo, 28 de janeiro de 2018
À LUZ de INVERNO
A partir de Outubro, os dias são cada vez mais frios e curtos. Mas o verdadeiro inverno ainda anda longe e só lá por Janeiro/Fevereiro nos é permitido dizer com rigor que o inverno chegou mesmo. E então, sem surpresa, porque no intervalo a adaptação lenta e progressiva, foi possível. O que verdadeiramente nos surpreende é a nova roupagem dos campos e matas.
A adaptação não dispensa cautelas.
Na cidade, os mais velhos devem ser poupados a esforços devido ao risco aumentado de ataque cardíaco. Para eles recomenda-se que ponham a pá de lado e, para a limpeza dos acessos à casa, a confiem desde logo a jovens de boa saúde, pagando já se vê.
Na cidade, os mais velhos devem ser poupados a esforços devido ao risco aumentado de ataque cardíaco. Para eles recomenda-se que ponham a pá de lado e, para a limpeza dos acessos à casa, a confiem desde logo a jovens de boa saúde, pagando já se vê.
Até as deslocações a pé pelas calçadas cobertas por um manto de gelo são ocasião frequente de escorregadelas e consequentes fracturas de ossos. Os jovens divertem-se a caminho das escolas saltitando na maior, aparentemente imunes a esse tipo de percalços.
Nos campos a aparente quietude do mundo vegetal, a contensão que respira, é a sua resposta activa à rudeza das condições ambientais que cada elemento rastreia permanentemente. Nem todos sobreviverão ao rigor do inverno e a vida continuará.
Entretanto, estes recortes à preciosa luz de Janeiro, comovem-nos, encantam-nos: como é prodigiosa a unidade de tudo!
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
FLORESTA NEVADA
Floresta adquirida ao estado por cerca de duzentos associados locais para ser gerida comunalmente. Os associados seleccionam as áreas de corte e promovem a reflorestação. Muito pragmaticamente os serviços públicos acompanham ajudando.
Pilhas de madeira aguardam remoção. A maior parte é destinada à indústria. Nada é desperdiçado. Cerca de 10% dos troncos cortados estão a ser usados como combustível pelos associados. Até o serrim tem saída, depois de empacotado. As ramagens são frequentemente usadas no local para compostagem. Alguns troncos meio apodrecidos permanecem na área para servir de abrigo à fauna própria do local.
Foi projectada e está em realização uma estrada circular para o mais fácil acesso. Novos caminhos irradiam do centro para a periferia. A comunidade tem acesso livre à floresta. E procura a máxima rentabilização: promove visitas fora da época das neves, e admite a visita controlada à floresta nevada. Disponibilizam um pequeno centro de interpretação e fornecem mapas com sugestões dos melhores trilhos. Há natureza mas também arte e desafios para os audazes. Periodicamente há cursos sobre temas ligados à floresta. Dispõem também de pequenos espaços muito procurados que arrendam para cultivo. Aqui e ali há mesas para piqueniques e bancos feitos com a madeira da floresta e outros dispositivos para recreação e conforto dos visitantes. Vendem plantas em vaso, tampos para mesas, utensílios em madeira para a cozinha e elementos decorativos para toda a casa. As escolas aproveitam para proporcionar localmente aos estudantes um conhecimento directo da realidade da floresta. Os idosos são particularmente bem recebidos.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
PEREGRINAÇÕES
Nos meses de inverno são muitos os criadores a optar por estabular o gado, não apenas para protecção dos bichos contra o frio, ventos e chuva. Sucede que a escassez de alimento verde disponível numa quinta vale como desafio à invasão de terrenos vizinhos: há quase sempre uma falha nas vedações que tarde ou cedo os animais acabarão por descobrir e aí, muito provavelmente, o criador irá ter o vizinho à perna. Mesmo que o gado não venha a ultrapassar os limites da quinta mas havendo, como é normal, sementeiras de trigo ou cevada, são de temer o espezinhamento e compressão de solos permanentemente húmidos.
Ainda que por períodos de tempo limitados, é desejável que os animais façam algum exercício nos prados, compensando a longa inactividade, confinados às cercas e aos currais com riscos para a saúde, nomeadamente ao nível dos cascos. E, estando disponível, o prado supera em qualidade a alimentação com os fenos que se devem ter sempre de reserva.
Estes animais estão adaptados às condições próprias do inverno. No entanto devem ser poupados, sobretudo as crias, ao tempo frio acompanhado de ventos fortes. São particularmente hábeis para buscar alimento escavando a neve que cobre as ervas e tanto mais facilmente se a neve é fofa do que quando se mostra muito húmida e gelada. Aliás, se se tornar demasiado sólida à superfície pode ser impossível de quebrar por insuficiente peso e força destes animais. Quanto mais erva houver debaixo da neve e também quanto mais longa, menor a hipótese de geada na superfície e mais fácil é escavar para a encontrar.
Ei-los, por demais ocupados com a alimentação, peregrinando pelos largos espaços da quinta.
Ei-los, por demais ocupados com a alimentação, peregrinando pelos largos espaços da quinta.
sábado, 13 de janeiro de 2018
CORAGEM e MUITO RESPEITO
Passo decidido a caminho das melhores ondas do ano que, por estas paragens, são as dos curtos dias-de-luz de inverno. No entanto já há quem as procure desde os finais de Setembro até ao início de Abril. Em qualquer caso, há que aproveitar o máximo de luz do dia, isto é, entre as 9 e as 15H30.
Não é fácil! Há que contar com águas geladas, neve, rajadas de vento, por vezes nevoeiro e também com o risco de chocar com pedaços soltos de gelo largados por ali perto na embocadura do rio de montanha.
O montante em dinheiro do equipamento não é para todos: além da prancha, muito bons fatos (demoram a secar), botas, gorro, luvas...
E, sempre, muito e muito discernimento. Saber quando se deve sair do mar é tão importante como saber onde e quando entrar. É-lhe devido muito respeito!
E, sempre, muito e muito discernimento. Saber quando se deve sair do mar é tão importante como saber onde e quando entrar. É-lhe devido muito respeito!
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