segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OUTONO


Diz-se na cidade que está mau tempo. Mas é outono. Não, não é ainda o outono da metamorfose das cores. Mas, nos campos é já o das preciosas chuvas, ausentes desde há tantos meses estranhamente abrasadores. Que tragam o estimável aprovisionamento das nascentes, valas e ribeiros, dos rios e lagoas! Saudemos o outono. 

Foto gentileza MM.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

STREPTOCARPUS SAXORUM (PRÍMULA-do-CABO, FALSE AFRICAN VIOLET, PRIMEVÈRE du CAP)


Foram para mim uma novidade absoluta do verão passado, estas singulares plantas herbáceas, perenes, originárias da África (Tanzânia e Quénia) e de Madagáscar. Surpreendentes não apenas pela forma e disposição das folhas organizadas em aparentes rosetas de três folhas por nó e pela beleza das flores mas o que mais me prendeu a atenção foram aqueles longos e finos pedúnculos erguendo e sustentando o tubo  branco, estreito e longo, da corola da flor que abre em cinco lóbulos.  


As flores produzem néctar em abundância, exalam um delicado perfume e tornam-se vistosas pelo tamanho e cor das pétalas, atraindo pássaros, moscas, borboletas e abelhas. O branco cremoso do pólen das duas anteras levemente unidas contrasta com o violeta-pálido das pétalas e parece dar continuidade à tonalidade do tubo que as envolve. Notem-se as sépalas na zona de inserção do tubo com o pedúnculo. 


Nas lâminas das folhas, vistas à lupa, podem ver-se protuberâncias e tal como os pecíolos mostram-se revestidas de pelos muito finos. O jardineiro chefe que me acompanhou diz-me que são de fácil cultivo. Gostaria de experimentar mas ainda não as vi disponíveis no mercado português. Em todo o caso, se vier a alcançá-las, e para começar, reservarei para elas um espaço no interior da casa.

sábado, 8 de outubro de 2016

O BRUTO e a FLOR. RECIPROCIDADES.


As flores interessam-nos. Por razões diferentes, é certo!  


Mas quando a planta se veste, se compõe, se perfuma, acena, oferecendo as suas iguarias requintadas, a quem o faz? 


O amor é cego! Aqui se dão a agressivas criaturas, dessas que atacam insidiosamente o mais distraído e inocente alvo. Claro que, só em fábula poderia invejar, quiçá "ter ciúmes", de insectos alados, para mais com evidente mania de perseguição


Mas a flor os amansa. E amansados se dão reciprocamente, facilitando-lhes a fecundação, para assegurar que no futuro continuem a haver plantas e, sempre mais e mais flores. 

domingo, 2 de outubro de 2016

GERANIUM ENDRESSII (GERÂNIO, FRENCH CRANÉ,S-BILL, GÉRANIUM d, ENDRESS)


São plantas vivazes, de 40 a 60 cm de altura, usadas como tapa-solos, muito rústicas e fáceis de cultivar, tolerantes à seca, folhagem persistente a meio-persistente, folhas de cinco lóbulos de belo efeito. Estão em flor entre Maio e Setembro.


Plantemos os gerâneos na primavera em solo bem provido de húmus e bem drenado. Em Maio haverá flores em cor de rosa-lilás ou em cor de rosa simples, com venação avermelhada. O auge da flor será, porém, no início do verão. Aí por outubro, fim da floração, cortam-se os raminhos rente ao solo. Com o frio as raízes entrarão em dormência. Na primavera seguinte rebentarão e rapidamente crescem.


De três em três anos desenterram-se para dividir o tufo em novas secções de raízes que irão ser replantadas para formar novas plantas.

Fotos do verão passado.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

ERIGERON ( MARGARIDA, SEASIDE DAISY)


Poderiam ser plantas espontâneas de campos com vistas para o mar. Mas às margaridas das fotos coube em sorte um esplêndido jardineiro porque o que lhes falta em sol, sobra-lhes em cuidados. Experimentado, culto mas prudente, escusou-se a designar a variedade de erigeron em causa, balançando entre o E. glaucus e o E. speciosus. Quem sou eu para o confirmar ou desmentir?


As asteráceas compõem um imenso mundo de variedades. Algumas apenas são distinguíveis por peritos nas observações microscópicas. Por agora, deixemo-nos tocar apenas pela beleza das flores: as marginais entre o lavanda claro e o violeta e as do disco em amarelo. Anote-se que o diâmetro do disco tem grandeza notavelmente superior ao comprimento das flores liguladas das margens. Realce para o lançamento das folhas espatuladas, aqui num verde desmaiado. Veja-se ainda a beleza frágil dos botões procurando soltarem-se ao precioso sol de verão. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

ESPAÇOS ABERTOS


Largas extensões rurais  de terra e água protegidas, reserva natural, refúgio de vida. Beleza, repouso, pureza.


Convite à comunhão? Ou, à solidão, fuga, vertigem, ilusão? Ou, mais prosaicamente, para apenas esquecer o modo de vida que, animados por uma vontade de cura, deixámos no limite da cidade


Espaço grandioso de contemplação mas igualmente de privacidade, liberdade e de gloriosa solidão, que nos restitui mais inteiros para o desempenho dos nossos papéis sociais e individuais.


Onde está a inalcançável  medida comum à natureza e ao homem, prodigiosa unidade de tudo?  

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ACHILLEA MILLEFOLIUM STRAWBERRY SEDUCTION (MILEFÓLIO, YARROW)

 

Ervas espontâneas dos solos ruderais e campos de cultivo abandonados, os milefólios de flores brancas podem passar despercebidos. Já aqueles que hoje trazemos, são híbridos  vistosos de sucesso garantido  e, para mais, de fácil cultivo, adaptáveis a diversos tipos de solo e muito resistentes.


Nas fotos, a vizinhança com a borragem, herbácea de flor azul, mais do que o conseguido belo efeito estético da associação, pode  igualmente significar uma justa preocupação do jardineiro com as abelhas.


O perfume natural da folhagem extremamente recortada e as notáveis inflorescências são uma atracção para os bons insectos. Simultâneamente têm fama de conseguir afastar outros indesejáveis. Afinal, uma escolha inteligente.