segunda-feira, 8 de agosto de 2016

CAMPANULA ROTUNDIFOLIA (CAMPÂNULAS, HAREBELLS, BLUEBELL)


Caminhamos agora por entre o denso manto verde que veste as altas colinas rochosas por declives acentuados até ao mar. Fustigadas pelo vento, as ervas rasteiras sacodem as intermitentes águas das chuvas de verão e deixam-se ondular. Visto de longe, o verde, em diversos tons, parece ser a única cor. Mas, mais de perto, sobressaem pequenas colónias de ervas  floridas em branco, amarelo, rosa ou azul.  


O travamento das águas é um efeito normal do revestimento vegetal contínuo. Mas nem sempre evita o desprendimento das terras. Descobre-se então a nua rocha de basalto e sedimentos de grãos de areia de tamanho variado. Adivinhe-se, então, quem primeiro logrou povoar o novo  habitat?


Nada mais nada menos do que a frágil e graciosa planta de caule fino, com cerca de 30 a 35 cm de altura, levemente inclinada. As folhas basais são arredondadas e as primeiras a cair enquanto as do caule floral, estreitas e longas, permanecem. 


São flores de 5 pétalas, soldadas em forma de sino, que darão sementes contidas em pequenas cápsulas com 4 a 5 mm que, ainda assim, conseguem competir com a concorrência, mesmo a de ervas mais altas, como os pequenos juncos ou as ericáceas. Conseguem instalar-se em ínfimas fendas naturais ou no mais vertiginoso declive. Em suma, as delicadas campânulas são muito mais resistentes do que sugere a sua frágil aparência.  

terça-feira, 2 de agosto de 2016

LOBELIA (LOBÉLIA)


Para o pleno vigor das lobélias deve acudir-se com regas frequentes. Mas, por ali, onde as encontrei, viçosas e altas de cerca de 1 metro, são habituais as chuvas mesmo no verão pelo que o jardineiro está livre desse cuidado. 


Corola de cinco lóbulos, dois dorsais e três ventrais. Na flor ao centro da foto, entre os 2 lóbulos dorsais, destaque para o estilete e estigma curvados para baixo. 


As flores dispõem-se ao longo de um eixo em níveis diferentes formando um cacho que se vai desenvolvendo no ápice, situando-se as mais velhas nos planos inferiores. Pétalas invulgarmente belas, em azul-violeta.   


Onde for possível cultivá-las em jardim, estas variedades anuais, majestosas, superam as espécies anãs preferidas para apresentar em tufos densos postos em cestos elevados ou para compor as bordas dos canteiros.  

sábado, 23 de julho de 2016

RICINUS COMMUNIS (RÍCINO, CASTER BEAN, RICIN COMMON)


Arbusto da família das euforbiáceas, de crescimento muito rápido, muito vistoso em folhas, palmadas, muito largas e brilhantes, caules a vermelho-acastanhado, em flores pouco comuns ou nos frutos, aliás, extremamente venenosos. Uma única semente é suficiente para matar uma criança pequena. Mas, o rícino, todo ele, é das plantas mais tóxicas que podemos encontrar. Por prudência, não a tenho no jardim.


A melhor atitude será conhecer e respeitar em absoluto. Ainda assim, ver é uma coisa e outra é tocar-lhe.  


As inflorescências brotam no ápice de alguns caules com flores separadamente masculinas e femininas, situando-se estas em plano superior ao das masculinas. As flores femininas apresentam-se em tons de vermelho e não têm pétalas mas, apenas, sépalas. As anteras nos estames das flores masculinas são de início em amarelo-pálido e os filetes a branco.  Depois vão passando a verde-acastanhado e a castanho muito claro.


As jovens folhas  apresentam marcas amareladas que se distribuem pela periferia dos lóbulos. Parecem estrelas-do-mar. Acabam desaparecendo à medida que atingem o crescimento completo. Realce para o anel na intersecção de vários nós e para os invulgares nectários extra-florais  na forma de pequenas esferas amareladas, ricos em açúcares e gorduras que fazem as delícias das formigas que os procuram.

domingo, 10 de julho de 2016

SEDUM



Em vaso posto à sombra dos citrinos, este sedum é uma planta perene de aspecto saudável. No primeiro ano os caules muito tenros cresceram  terminando em rosetas de muitas folhas.   No ano seguinte alongaram-se, tornaram-se pendentes e desenvolveram hastes florais. As folhas carnudas, semelhantes a grãos de arroz, dispõem-se alternadamente ao longo dos caules.


Nem demos pelo surgimento dos botões florais, corados em cor-de-rosa. E, já neste mês, fomos surpreendidos pela primeira floração. Pequenas flores de 5 pétalas brancas em estrela, levemente rosadas e 5 sépalas em verde-claro e por vezes também riscadas a rosa o que pode estender-se mais largamente à página inferior da pétala.  Na zona de transição, um fundo aquoso verde-amarelado, permite o destacar os contornos das sépalas, como se pode ver na foto seguinte.   


De notar o gineceu com 5 carpelos, na base ao centro da flor, cf. a segunda foto. Quanto ao androceu, são 10 os estames. Atente-se nos filetes a branco, levemente sombreados de amarelo-limão e que sustentam as anteras vestidas de amarelo e, por vezes, também a vermelho.


Aqui, a haste floral contrariando o movimento geral do caule que é descendente, toma uma posição erecta. Realce para o novo caule ainda tenro, as folhas suculentas, a organização das flores e as sépalas. 

domingo, 3 de julho de 2016

DHALIA (DÁLIAS), do necessário e do supérfluo.



No universo rural a que pertenço, o cultivo de um espaço para plantas decorativas exprimia a excepcionalidade de um instante de encantamento - pura gratuitidade - e não era acessível a todos. De habitual e durante séculos,  todas as energias estiveram focadas na tentativa de domesticação da natureza de que dependia uma parte demasiado importante dos recursos de subsistência - absoluta necessidade, absoluta sujeição. 


Mesmo na dimensão do minifúndio, que lavrador de tipo médio contou de entre todas as suas árvores, arbustos, plantas hortícolas ou herbáceas, as que cultivaria simplesmente para ver ou mostrar, colher, cheirar as flores, admirar a disposição dos ramos e folhas - puro deleite dos sentidos? 


Na aldeia, apenas as três casas maiores dispunham de espaço e de meios para sustentar um jardim onde invariavelmente pontificavam duas ou três altas palmeiras (washingtonia filifera), mais as roseiras trepadeiras (rosa hybrida), as cameleiras (camellia), as glicínias (wisteria floribunda), madressilvas (lonicera japonica), corriolas (ipomoea purpurea) ou a trobeta-da-china (campsis grandiflora). E, nas celebrações festivas, disponibilizavam a quem as procurasse e em particular à igreja, uma abundância de flores da época. 


Discretamente, pela mão da mulher, as plantas de interior dispostas em vaso foram, talvez, as primeiras a romperem aquele círculo mais restrito: jardim íntimo, oportunidade de criação, de cuidado em diálogo silencioso, contemplação e elevação, espiritualidade. 


Ao longo do século vinte foi-se alargando o número de hortas e quintais que passaram a acolher um espaço, ainda que diminuto, próximo das regadeiras, uma reserva tolerada à mulher  a quem se desculparia o enlevo por certas coisas inúteis, desde que não ultrapassassem a escala do necessário. Recordo-me primeiramente dos cravos (dianthus caryophyllus), depois dos  gladíolos (gladiolus) e crisântemos (chrysanthemum) e, sempre, das dálias (dahlia). Ainda hoje, certamente por hábito, as cultivo no quintal.  Não todas: as das fotos - bolbos-gentileza de M.M. trazidos da Holanda - foram plantadas no jardim pela minha mulher.  Flores no jardim, flores no quintal: que privilégio!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

ECHINOPSIS, FLOR de UM DIA.

























Numa pequena área do jardim, correspondente a solo mais pobre e pedregoso, os cactos parecem bem adaptados. Correntemente passam discretos. É o caso do echinopsis com a sua forma globular, de sulcos e relevos irradiando do polo superior, (contámos 15 costelas), mas também com aqueles espinhos nas aréolas que nos colocam à distância mas,  afinal, não chegam para impedir as investidas de frágeis caracóis e lesmas.



A floração é o seu momento de glória. O breve tempo de um dia!


Na foto podemos ver que os estames - os filetes em cor branca e as anteras com uma leve coloração  em creme - se distribuem segundo dois níveis: um, interior, mais profundo e concentrado, ocupando parte da parede do tubo e outro, exterior, em círculo completo e mais regular. Destacado, o estigma emerge no topo de um estilete bem estendido. Realce ainda para o tom rosa das pétalas, mais carregado ao longo das nervuras naquelas mais exteriores.


Em cima, parte do longo tubo floral, com revestimento externo formado por folhas modificadas em forma de escamas que se vão diferenciando em sépalas e pétalas  à medida que se aproximam do ápice da flor. Na primeira foto pode ver-se a base do tubo floral partindo do caule. 

Fotos de Junho de 2016, no jardim.