sexta-feira, 24 de junho de 2016

ECHINOPSIS, FLOR de UM DIA.

























Numa pequena área do jardim, correspondente a solo mais pobre e pedregoso, os cactos parecem bem adaptados. Correntemente passam discretos. É o caso do echinopsis com a sua forma globular, de sulcos e relevos irradiando do polo superior, (contámos 15 costelas), mas também com aqueles espinhos nas aréolas que nos colocam à distância mas,  afinal, não chegam para impedir as investidas de frágeis caracóis e lesmas.



A floração é o seu momento de glória. O breve tempo de um dia!


Na foto podemos ver que os estames - os filetes em cor branca e as anteras com uma leve coloração  em creme - se distribuem segundo dois níveis: um, interior, mais profundo e concentrado, ocupando parte da parede do tubo e outro, exterior, em círculo completo e mais regular. Destacado, o estigma emerge no topo de um estilete bem estendido. Realce ainda para o tom rosa das pétalas, mais carregado ao longo das nervuras naquelas mais exteriores.


Em cima, parte do longo tubo floral, com revestimento externo formado por folhas modificadas em forma de escamas que se vão diferenciando em sépalas e pétalas  à medida que se aproximam do ápice da flor. Na primeira foto pode ver-se a base do tubo floral partindo do caule. 

Fotos de Junho de 2016, no jardim. 


quarta-feira, 15 de junho de 2016

SILENE ARMERIA


Num recanto do jardim,  espaço aberto pelo derrube de uma árvore de grande copa, foram tentados novos arbustos e colocadas plantas envasadas. A melhoria do solo continua sendo uma promessa adiada.  


De ano para ano, sem surpresa, fomos deparando com pequenas herbáceas espontâneas que aproveitam a mudança radical de iluminação solar e do arejamento para se instalar. Agumas nascem no próprio espaço de circulação e apesar de uma ou outra vez pisadas, manifestam uma inesperada capacidade de sobrevivência. Entre elas, a silene armeria que hoje aqui trazemos. 


Desde o meio da Primavera que venho fazendo as necessárias limpezas de infestantes. Mas para não suceder que acabe destruindo uma ou outra planta transplantável de mistura com outras indesejáveis, puxei dos meus melhores recursos em paciência e à mão, sentado no meu banco de madeira, pude recolher uma aqui, outra mais além, replantando-as para formarem um maciço.


Desse modo, tentei uma mancha de cores quentes com plantas adaptadas ao calor e a solos pobres, resistentes à secura. Pelas fotos se pode concluir que alguma coisa se conseguiu. 


No entanto, as flores da silene armeria são igualmente para observar bem de perto. Porque só de muito perto pode ser notada a singularidade da graciosa coroa de estreitas escamas que parte da base das pétalas num movimento curvilíneo que se afasta do centro. Vale a pena demorarmos o olhar. Destaque para os 5 estames que rematam em anteras de cor azul acinzentada. Na foto anterior sobressai o hipanto tubular e a corola vista de perfil.



A planta não resiste aos primeiros  frios. Mas as sementes, simplesmente caídas no solo, resultam quase sempre na  primavera seguinte. Afinal, uma planta fácil e de belo efeito. Que lhes parece? Por aqui iremos continuar apostando na silene.

terça-feira, 7 de junho de 2016

SPARAXIS TRICOLOR (FLOR de ARLEQUIM, HARLEQUIN FLOWER, FLEUR ARLEQUIN, FLOR de ARLEQUÍN)


As bulbosas têm um lugar certo no jardim. Com o alongamento dos dias, uma ilusão para quem julga que as geadas estão afastadas de vez, temos as primeiras tulipas, narcisos, jacintos, frésias, crocus. Mas outras há que reservam a floração para mais tarde. É o caso da sparaxis, um híbrido de novidade no jardim, que só entrou em floração neste mês de Junho.  Na foto, muito ampliada, uma flor de sparaxis tricolor, em vermelho, amarelo e lilás.


Aqui um sparaxis branco e amarelo, com um traço castanho-escuro em cada uma das seis pétalas. 


Folhas em leque a verde-pálido, estreitas e em forma de lança, levemente carnudas, confirmando a pertença à família das liliáceas.


Em Julho as folhas poderão amarelecer e eventualmente murcharão. Será altura para desenterrar os bolbos a guardar em local seco até Novembro. Nessa altura voltarão à terra. Convém protege-los das geadas cobrindo-os com um pouco de palha.  


Estas flores de cores vivas e contrastantes apelam a pequenos besouros, abelhas  e moscas que, passivamente, acabam transportando pequenas quantidades das suas reservas de pólen, facilitando assim a polinização cruzada. De algum modo mimetizam as formas dos insectos visitadores sugerindo-lhes uma envolvente sedutora que propicia também os namoros que procuram. E não é que têm bom gosto!   

terça-feira, 31 de maio de 2016

VICIA (ERVILHACA dos CACHOS-ROXOS, HAIRY VETCH, VEZA VELLOSA, VESCE de RUSSIE,


Em resultado das últimas chuvas, as ervas crescem extraordinariamente altas, densas. Algures por entre a variada massa vegetal destacam-se tons de púrpura, violeta e branco levemente azulado.


Ao longe, assemelham-se a cachos de flores de glicínias, mas muito mais discretas, menos abundantes. Comparativamente, são trepadeiras sem fôlego pois que bem ao contrário daquelas não alcançam mais do que uns 120 cm de altura. 


Vista mais de perto, a flor inconfundível das fabaceae. Uma ou outra desenvolve já os pequenos frutos leguminosos. 


Precisariam de mais tempo para amadurecerem.


Mas está prevista a capinagem do quintal para estes próximos dias. Antes que outras sementes menos desejadas se tornem viáveis. Mas a manobra da máquina não dá escolha. Apesar de tudo, cá as esperaremos no próximo ano.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

LATHYRUS


Desde Abril que leguminosas em flor, em diversas variedades, abundam na parte não cultivada do quintal. 


Pensemos que em sucessivos anos ali foram cultivadas forragens incluindo diferentes  leguminosas e, entre elas, a por mais conhecida ervilhaca (vicium sativa).


Este ano, com surpresa, vimos crescer no jardim este latyrus trepando por uma das sebes, ultrapassando os dois metros de altura. Para as fotografar, só em bicos de pés. Mas tem sido com gosto que o venho fazendo. 


E a surpresa vem de o não termos semeado. Obra de aves, vento, águas da chuva ...o certo é que há mais de um mês continua a prender-nos pela elegância dos lançamentos, os caules jovens ainda tenros e flexíveis mas já angulosos desenhando uma curva, as gavinhas buscando apoio e as flores, primeiro em botão discreto, breve em esplendor e encantadoras ainda na senescência. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

SCROPHULARIA (ESCROFULÁRIA, FIGWORT, SCROFULARIA)


Pude avistá-las, distantes uma dúzia de metros na orla do matagal, em local húmido e sombrio sobressaindo inconfundíveis, as folhas recurvadas para baixo, as flores agrupadas em inflorescências nos tons entre o cor-de-rosa e o vermelho e amarelo pálido contrastando com o verde dos caules erectos, pubescentes. 


Aproximo-me. Reconheço a escrofulária de que há dois anos aqui dei notícia quando a descobri numa várzea em Vila Nova de Poiares. Mas, por aqui, a cerca de quatro quilómetros da aldeia, é novidade para mim.



Trata-se em todo o caso de variedades diferentes. Há notícia de mais de duzentas variedades desta planta. 


A escrofulária de hoje, ao contrário da anterior é manifestamente pubescente. Também os caules são menos claramente angulosos e as flores mais arredondadas e de maior volume.


Destaque para dois dos quatro estames férteis e menos distintamente o tubo do estilete e o estigma apoiados na pétala inferior em tons amarelados. No plano superior duas pétalas rosadas elevam-se do plano médio da abertura. As duas pétalas ao centro mostram-se levemente recurvadas para fora e para baixo.


Fruto jovem.

Fotos de ontem, cerca do meio-dia.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Uma ou outra vez cruzamos com córregos, dizia,


assomando enigmaticamente das entranhas da terra, ainda assim, joviais, acolhedores, quase domesticáveis,


e, no entanto, a aparente inesgotabilidade dos veios, a persistência  com que tecem os seus enigmáticos fios nunca verdadeiramente repetidos, a figurada vertigem com que se precipitam na direcção do grande rio, exprimem a afinidade entre o todo dum mesmo elemento líquido. 


Nos derradeiros metros e, afinal, já sem pressa, espraiam-se  as águas com volúpia pela estreita praia antes da inevitável fusão.


Ali, na margem oposta, um regato de diferente coreografia, amortecido o impacto directo nas rochas, raízes e troncos de árvores,  escapa-se e finalmente alcança o rio. 
  

Divergindo da orientação comum, uma disposição particular do solo orienta o fluxo  doutra ribeira segundo uma linha descendente mas oblíqua relativamente ao sentido geral do declive. O alongamento do percurso, permite-lhe acolher contribuições proporcionadas por outras dobras do terreno. Já próximo do grande rio, surge assim, pomposamente, exibindo um caudal vistoso.