domingo, 21 de junho de 2015

TEMPO de SESTA


Da extensa planície ao centro do Alentejo, sobressai o morro de cerca de 400 metros de altitude relativa. Acede-se por uma estrada poeirenta mas com um declive suave. O sítio é mágico. 


Progredindo, buscamos a sombra de sobreiros e azinheiras. Esta é hora imprópria: o sol tocou há pouco o zénite. E estamos na última quinzena de Junho.

                                   

 A passada mais curta e breves paragens, permitem olhar com mais atenção para o coberto vegetal, aliás, pouco denso como seria de esperar. Movimento? Apenas de um ou outro lagarto recolhendo à segurança da vegetação rasteira, mal vislumbrem a aproximação de estranhos.    


Apenas o pequeno insecto verde se deixa fotografar. Talvez confie na sua capacidade de camuflagem ou no efeito dissuasor do cardo ressequido. Ou pressentirá que também para os predadores é hora da sesta? 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

HYDRANGEA MACROPHILLA

 

Inflorescência. Flores indistintas em botão.


Do fundo amarelo pálido surgem tonalidades malva.


Flor estéril de quatro pétalas. Ao centro unem-se quatro lóbulos de efeito meramente ornamental. 


Inflorescência em forma de bola de neve.


As paredes da casa protegem-na todo  o dia da radiação solar directa. Acrescem as regas na estação quente. Parecem gostar.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ROSEIRA ANTIGA: do botão à flor aberta.


Ainda em botão, com seu manto de seda vermelho, contrastam vivamente com os tons róseos das flores abertas. Arranjo do jardineiro que as terá colhido ainda frescas?


Na realidade, o arranjo é natural. São flores de um mesmo pé.


Flores simples que se organizam em dois tons que se sucedem. Manifestação de hibridismo ou estratégia de acolhimento?   

quarta-feira, 20 de maio de 2015

LILIUM


Discretamente, surgem em Maio as primeiras três flores em botão do "lilium".


O aumento da exposição à radiação solar desperta as pigmentações mais quentes: acentuam-se os rosas e o amarelo das nervuras. Esvai-se o verde. 


O botão abre: muito lentamente afastam-se as sépalas. 


No seu despertar, parecem soltar um longo, longo bocejo... Não há pressa: a adaptação dos tecidos às novas condições requer tempo.


Naquele sector do jardim há um novo foco. Mas não apenas para nós jardineiros de trazer por casa: também os insectos polinizadores, gulosos e de narizes sofisticados, respondem à chamada. 


O tamanho dos vários elementos da flor proporciona uma oportunidade de revisão de matéria botânica elementar. Principiantes como eu não a deixam fugir. Daqui saudando os mestres, deixo o breve sumário dos meus apontamentos: idênticas na forma, cor, estrutura e função, mostram-se três pétalas na círculo interior (corola) e três sépalas no anel externo (cálice). A venação paralela em rosa escuro dá-lhes consistência, sinaliza e orienta na direcção do néctar os insectos com visão ultravioleta. Na base das pétalas e em torno das glândulas secretoras do precioso líquido açucarado, erguem-se uns curiosos lançamentos tubulares diversificando as escolhas dos visitantes. 



A olho nu são visíveis ao pormenor os estames (6),  elementos masculinos que rodeiam o carpelo e particularmente as anteras, em castanho, produtoras de pólen, suportadas pelos filetes em verde amarelado. Na base do carpelo fica o ovário, invisível na foto, onde são produzidas as sementes e, no topo, o estigma (trilobado como melhor se vê na 4ª foto) que recebe o pólen das anteras. Liga-os o estilete. 
Nota: atendendo às circunstâncias de crise generalizada espero a benevolência dos examinadores e, se não for demasiado, o dez da ordem... ou,  - vá lá - o nove mais. Não sejam forretas! 


terça-feira, 12 de maio de 2015

ALLIUM CRISTOPHII (ESTRELA-da-PÉRSIA, STARS of PERSIA, ÉTOILE de PERSE)


É costume relacionarmos alho e culinária. Hoje, trago imagens de um outro alho, que é novidade no jardim, uma das cerca de 500 espécies do género allium usado como decorativo. 


Por aqui abundam os bolbos selvagens. A aquisição que fiz de mais um para fins decorativos tinha viabilidade assegurada. O que resultaria em termos de flor, uma surpresa... No início de Março surgiram da base, lineares, encrespadas, as primeiras folhas. Acompanhando o desenvolvimento da planta, não a relacionei mais com o "allium". Só podia ser um equívoco da rotulagem.



Nos primeiros dias de Abril uma primeira inflorescência começou a abrir. Mais abaixo e à direita iria surgir um novo botão.


A partir do estado que a foto revela, surgiram as primeiras estrelas de um universo de cerca de cem por pé.


Em breve, as flores foram emergindo sucessivamente, formando um globo. Afinal como a inflorescência do alho comum. Não havia engano! 
Note-se como flores sumidas permanecem ao lado doutras em botão ou ainda no auge.  


Cada uma das flores, de muito perto, 


ou a inflorescência, são deslumbrantes. Aqui o que fora um segundo botão ultrapassou o primeiro em altura. 


Mesmo na senescência, a flor mantém-se bela. Uma aposta ganha. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

NIGELLA DAMASCENA (BARBAS-de-VELHO), num lugar improvável para nascer.


Mil e uma sementes a água das chuvas arrastou em cega e implacável dinâmica. 


Numa fenda do passeio alguma coisa a susteve. E, sorte, estava ali guardada uma provisão  de nutrientes mínima mas suficiente para alimentar uma herbácea. A condensação nocturna ofereceu a água.



E a flor surgiu, 


num local improvável para nascer. Possivelmente, novas sementes surgirão. Entretanto o serviço de passagem continua a fazer-se. Dá-me licença? Fique bem!

Fotos de ontem. Uma entrada do jardim.

domingo, 12 de abril de 2015

AKEBIA QUINATA (AQUEBIA, CHOCOLATE VINE, AQUÉBIE à cinq feuilles, LIANE CHOCOLAT)


Trepadeira lenhosa, ornamental, originária da China, Japão e Coreia, de flor muito exótica. Perfume intenso a baunilha.


Flores com formas diferentes na mesma planta e de ambos os sexos, sendo as femininas (3 primeiras fotos) de tamanho maior e situadas no lado exterior da inflorescência organizada em cacho pendente. Surgem nos finais de Março, inícios de Abril, brilhantes e vistosas.


Não têm corola. Em cima, flor fêmea em vermelho-purpúrea de 3 sépalas petalóides. Notável o aspecto dos pequenos estames. Em baixo, flores masculinas, significativamente mais pequenas. 


Não é planta muito comum nos nossos jardins. No entanto é muito rústica, exigindo apenas exposição ao sol ou meia-sombra. A planta é de crescimento muito rápido e pode tornar-se invasiva. Os cortes de contenção (ligeiros, de preferência) efectuam-se após a queda das flores.


Folhas compostas de 5 folíolos. Tão exótico como a coisa nomeada, o seu nome de família -imagine-se - Lardizabalácea.