domingo, 28 de setembro de 2014

PRELÚDIO (Cristovam Pavia)


                                                              Levanta-se da rocha a flor esmagada
                                                              Mais dura do que a rocha e cristalina
                                                              Raízes, caule, pétalas, angústia

                                                              Raízes para sempre ali cravadas,
                                                              Caule verticalmente inexorável,
                                                              Pétalas miraculosas: pura água.

                                                              Minhas mãos são chagas,
                                                              Para te colher ...
                                                              Minhas mãos são chamas,
                                                              Pedaços de gelo ...
                                                              Levanta-se da rocha a flor esmagada



Poesia de Cristovam Pavia (1933, Lisboa - 1968, Lisboa). 

A foto é do fim da tarde de ontem, no jardim.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

AQUARELA



                                                           ... Tristeza não tem fim
                                                           Felicidade sim  

                                                           A felicidade é como a gota
                                                           De orvalho numa pétala de flor
                                                           Brilha tranquila
                                                           Depois de leve oscila
                                                           E cai como uma lágrima de amor

                                    A poesia é de Vinicius de Morais, poeta brasileiro (1913-1980)


Foto de hoje, no jardim.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

AMARYLLIS BELLADONNA (BELADONA-FALSA, JERSEY LILY)


Ainda o mês de Agosto não chegara ao fim e, surpresa, eis a beladona-falsa em botão. Não tardaria a abrir em flor. Um estremecimento: o verão está a chegar ao fim ou será que a floração se antecipou?


Entrados em Setembro, as temperaturas do ar descem mas são ainda muito agradáveis, as chuvas dão um ar da sua graça.  A floração irá acompanhar o novo mês. Talvez por isso, ou porque continuaremos por mais algum tempo a vê-la despida de folhas, a associamos a Setembro e nos deixemos surpreender por ela em Agosto, um mês exuberante.  


A maneira simples de quebrar a imagem de solidão dada pelas silhuetas de hastes relativamente altas, sem folhas (elas virão a surgir mais tarde) e com uma bela inflorescência rosada no ápice, é plantar juntamente três ou quatro beladonas. Pela foto se fará ideia do possível efeito. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

CHLOROPHYTUM COMOSUM (CLORÓFITO, PLANTA-ARANHA, SPIDER PLANT, PLANTE-ARAIGNÉE, CINTA)


Já foi mais popular, que isto da jardinagem obedece também a modas sugeridas pelos grandes mercados internacionais de produção de plantas. Originária da África do Sul, teme os frios e em particular as geadas. 


Agradável surpresa foi poder admirá-la em Julho, num recanto de jardim de urbanização em Coimbra. Tufos de folhas verde-claras, simples, inteiras, arqueadas, lineares, com bandas longitudinais brancas ou verde ainda mais claro ao centro. De entre as folhas partem pedúnculos em amarelo-claro que podem alcançar cerca de um metro de comprimento. Entre Junho e Setembro e na parte terminal dos pedúnculos surgirão cachos de flores brancas de 6 pétalas. À medida da queda das pétalas, vai-se operando uma modificação das brácteas florais em vegetativas que, no final, poderão com o peso fazer pender a haste e vir a emitir raízes ou uma nova plântula. Naquele caso, em contacto com o solo, mergulham na terra e acabarão vivendo autonomamente como novas plantas. Também se pode facilmente obter a multiplicação por divisão dos tufos.


No entanto, este clorófito "comosum" pode ser mantido com vantagem em vaso como planta de interior, que pode ficar pendente. São-lhe atribuídas a capacidade de purificar o ar. Haverá que reservar-lhe um lugar muito bem iluminado tendo o cuidado de não a sujeitar ao sol quente do Verão. 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

TRANSIÇÕES (TRANSITIONS)


Cinco veias principais partem da base e voltam a encontrar-se no ápice. Ainda há vestígios da cor verde. Os carotenos amarelos e alaranjados antes apenas ofuscados pelos verdes, destacam-se agora. 


Página inferior de folha simples, peciolada. O padrão de venação apresenta-se particularmente acentuado. Das nervuras principais parte uma fina rede de veias secundárias.  


Trata-se, no entanto, de uma folha isolada. Por ora, (fase adulta vegetativa) sadiamente o verde prevalece.  


Até que - mudando de fase - surjam os botões florais. Outras requintadas formas e combinações de cores em tons vivos,  instalam então o foco definitivo para onde se espera venham a convergir interessados que, uma vez retribuídos possibilitem por isso mesmo, a reprodução da planta. Neste caso de uma Dissotis Princeps (Dissótis).   

Fotos de Setembro de 2014, no jardim.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

BICHEZAS do MEU JARDIM: NAZARA VIRIDULA (PERCEVEJO-VERDE). Insects Living in my Garden: GREEN STINK BUG, PUNAISE VERTE, CHINCHE VERDE de las HORTALIZAS)


Quando se pretenda tirar a foto de muito perto, o uso de mola no nariz é recomendável. 


É mais um parasita social de tipo requintado pois prefere a papinha feita de tecidos tenros dos lançamentos novos e das sementes. Através do aparelho bucal, começa por injectar neles um suco digestivo com enzimas apropriadas. As enzimas dissolvem o tecido que depois é reingerido. 


Na escala ínfima em que trabalho, não dá para contabilizar os prejuízos que causam. E para mais, como não contestam a intromissão do fotógrafo nas suas vidas, nem contra ele fazem reserva de protecção da vida privada limitando-se soberanamente a ignorá-lo, então, por minha parte lhes digo: deixá-los andá-los que eles calar-se-ão.   E é bem feito!

Fotos de 13 de Setembro no jardim.

sábado, 13 de setembro de 2014

ASTER (DESPEDIDAS de VERÃO, WHITE PANICLE ASTER)


Aqui muito ampliado - o diâmetro real desta "estrela" (em latim, "aster") é de 2 cm - não parece, mas é um capítulo de flores de Despedidas de Verão.


Ofenderia se perguntasse: conhecem-nas? A certa robustez desta planta, acomodável ao mais fraco dos solos, tornou-a obrigatória  nos jardins de aldeia. Há disponíveis de flores simples, dobradas ou semidobradas e nas mais variadas cores: azul, branca, malva, púrpura, rosa, vermelha, violeta


Aliás, a multiplicação demasiado fácil das Despedidas requer uma intervenção periódica no sentido de as conter nos limites desejados. As nossas têm cerca de 1,30 m de altura pelo que precisam de suporte. De contrário, os ramos de flores tombam, perdem a graça e adensam o primeiro terço da planta onde se acumulam as folhas secas que perduram agarradas aos caules e com a ajuda das primeiras chuvas, é certa a presença do oídio. Se for caso disso, combatê-lo pulverizando com enxofre.


Lá para a 2ª quinzena de Novembro, finda a floração, procede-se ao corte dos caules rente ao chão. Aproveita-se para remover as plantas mais velhas (isto é, os que já alcançaram os 3 anos) dando espaço às demais. São desejáveis intervalos não inferiores a 30 cm e até aos 60 cm, pois o desenvolvimento das Despedidas  é muito rápido e, para as manter saudáveis, é preciso garantir a circulação do ar. O ideal é dividir os tufos, separar os que fiquem com boas raízes e 2 ou 3 folhas e replantá-los em cada três anos, aproveitando para voltar a terra, libertá-la dos pequenos rizomas e estrumá-la. Em Maio-Junho podemos voltar a cortar os caules agora pela metade para reduzir a necessidade dos apoios e favorecer a floração. Nas regas evitar molhar as folhas.


O que seria o Outono sem a doçura das Despedidas de Verão? 

Fotos de ontem e de hoje, no jardim.