sexta-feira, 15 de agosto de 2014

EUPHORBIA PEPLUS (ÉSULA REDONDA, PETTY SPURGE, EUPHORBE des JARDINS, LECHERINA, CALENZUOLA PICCOLA)


No início do ano, de entre as pequenas eufórbias, a ésula redonda é uma das mais certas presenças no quintal. Sendo espontânea, no entanto, também não incomoda. 


As flores são de tamanho diminuto mas de morfologia bastante invulgar. Não se mostram com pétalas, sépalas ou tépalas. Estão inseridas num invólucro de brácteas fundidas entre si em forma de taça. O invólucro contém uma flor feminina munida de ovário e rodeando-a, várias flores masculinas reduzidas a um estame. Saindo do invólucro podemos ver na foto, 4 pares de pequenas hastes brancas inseridas nas extremidades das glândulas  nectaríferas. Estas, por sua vez, estão ligadas às paredes do invólucro.


O caule ergue-se em verde-claro com tintas vermelho-acastanhadas e a partir da base partem diversas ramificações, não atingindo mais do que 30 cm de altura. Os pequenos caules contêm uma substância de aspecto leitoso cáustico que é irritante para a pele e muito agressiva para as mucosas. De resto toda a planta é tóxicaAs folhas são alternas na parte inferior do caule e opostas na superior. O limbo é de forma oval. Os frutos são cápsulas. 

Fotos de finais de Abril, no quintal.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CHAMAESYCE (PROSTRATE SPURGE, EUPHORBIA PROSTRATA)


As pequenas flores brancas e levemente esverdeadas chamam a atenção. Mas, contra o que vai sendo habitual, reconheço facilmente a planta pelos caules e folhas pois estou habituado a vê-la entre o início do verão e início do outono no quintal e mesmo no jardim entre o relvado onde surjam pequenas clareiras. Já não associaria as flores com a planta.



Aqui, reconhecer não vale o mesmo que conhecer pelo nome. Bom pretexto para tentar ir mais longe com recurso às fontes habituais, escritas em papel ou na internet. 


É uma planta rasteira, de folhas de forma elíptica, opostas. Selvagem, produz grandes quantidades de sementes e pode mesmo alcançar três gerações numa estação, mas não tão abundante que requeira cuidados especiais de contenção. Suporta bem as secas mas, felizmente, os frios do inverno são o seu mais efectivo controlador. Pertence à Família das Euphorbiaceae.


Os caules irradiam de um nó central e os menos jovens ganham uma tonalidade vermelho-acastanhada que também está presente numa mancha longitudinal mais nítida nas folhas de alguns exemplares (C. maculata? - ver sobre o lado esquerdo das duas primeiras fotos). As sementes servem de alimento aos pássaros que assim também as disseminam.

As fotos são de 19 de Junho de 2014, no Quintal da Môca, no coração da aldeia.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LAGERSTROEMIA INDICA (LAGERESTROÉMIA, CRAPE MYRTLE, LILAS des INDES, ÁRBOL de JÚPITER, LAGERSTROEMIA)


De floração estival tardia fui mais uma vez surpreendido pelo esplendor dos rácemos terminais da lagerestroémia em Agosto. Está visto que não teme o calor. 
Para ver as flores mais de perto puxei um ramo alto. Tão desastradamente o fiz que esgalhou. Consolemo-nos com ver alguns detalhes das flores. 


Seis magníficas pétalas livres em tons de rosa-purpúrea de margens ondeadas. Na foto, os estames. Os saquinhos ovados  em amarelo dourado, já muito abertos contendo o pólen, são as anteras.


Estames. Os pequenos tubos em amarelo claro que no topo se ligam às anteras são filetes. Também são filetes os tubos encurvados postos lateralmente e bastante mais longos que os primeiros, de cor avermelhada. 


A não confundir com a haste no plano superior esquerdo da foto (sem antera, pois claro), também recurvada, de cor avermelhada desde a base mas tornando-se verde-claro na parte mais elevada e finalmente escura e que são o estilete e o estigma. Aqui hão-de germinar os pequenos grãos de pólen que lançarão como que uma espécie de raízes ao longo do tubo do estilete até alcançar o ovário. 


Pousando sobre o ovário de cor esverdeada, a abelha iniciando o dia de hoje na recolha de substâncias açucaradas.

Fotos de ontem pelas 19 horas e de hoje entre as 8 e 8H30 (céu muito nublado), no jardim.

sábado, 9 de agosto de 2014

LITHODORA PROSTATA (ERVA-das-SETE SANGRIAS, GRÉMIL COUCHÉ, LITODORA)


De entre os matos da Cabreira, no limite poente da aldeia, a discreta flor da litodora sobressai pelo azul aveludado das pétalas com ténues riscas rosadas que convergem para o centro na direcção do tubo.


Com 5 pétalas e 5 sépalas soldadas formando um tubo e nele estão resguardados 5 estames. Na parte superior do tubo vê-se um tufo de pelos brancos. 


Folhas e caules mostram-se cobertos de pelos finos. As folhas são alternas.
Pertence à Família das boraginaceae.

Fotos dos finais de Maio de 2014.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CARDUUS (CARDO)


Ao percorrer  um vale tão fresco e húmido em plena Serra da Lousã, não estava à espera de ver plantas espinhosas como cardos, habituado como estou a encontrá-las em ambientes secos.


De cabeça pequena e bem munido de espinhos, os delicados capítulos florais são bem menos densos do que nos cardos mais comuns.


Aqui em processo de maturação, uma nota de outono sob um fundo verde-brilhante. 


Será um exemplar de c. baeocephalus? 

Fotos de Junho de 2014.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

CAMPSIS RADICANS (TROMBETA-da-CHINA, TRUMPET CREEPER, BIGNONE)


Às vistosas trombetas em vermelho-alaranjado, seus caules enleiados entre si e apoiados em discretos suportes pregados na parede, sua folhagem quieta suspensa das horas quentes do alto estio ou acenando levemente com a aragem fresca dos fins de tarde que precedem as vindimas, associo a distinção serena dos antigos donos da Quinta que as trouxeram para junto das mais comuns ipomeias. Associação arbitrária, já se vê!


Sucedeu que na aldeia situada em zona de pedra calcária e de inúmeras cerâmicas do barro vermelho, uma muito pragmática entidade pública amante da modernidade, demoliu a emblemática Casa e em seu lugar edificou em estilo cubo + vidro + alumínio + painéis de fachada. Nada tenho contra o estilo que só ganharia se conjugado com as centenárias e muito vernáculas construções. 


Ao revisitar a Campsis ou o que dela resta, pareceu-me mutilada ela própria pela inconsequente demolição. Expressão de bom gosto, fora eleita num tempo em que era rara fora dos jardins botânicos. De algum modo, uma vez plantada, parecia partilhar da serenidade e simplicidade da casa. Certo é que as condições de vida proporcionadas pelo resguardo da parede da escada encostada à fachada nascente e do muro de vedação a norte com sol quanto baste, solo arenoso e humidade, permaneceram idênticas por largas décadas.  Agora muito mais exposta, a campsis irá continuar a adaptar-se ou entrará em perda irreversível de energia.


No entanto, continua linda: há flores novas e outras estão prometidas. Vejam-se os cálices arredondados com 5 lóbulos onde se inserem as corolas de forma campanulada compostas de 5 pétalas fundidas em tubo que termina superiormente com os conhecidos lábios voltados para fora de modo a patentearem as estruturas reprodutivas. Estas flores são riquíssimas em néctar e parecem adaptadas aos bicos fundos dos beija-flores ou colibris. Estames, anteras e estiletes e estigmas estão colocados de modo que a cabeça do pássaro as roce cobrindo-se de pólen que transportará de flor em flor. Não há beija-flores por aqui. Mas há muitos outros apreciadores de néctar, nomeadamente formigas e abelhas, que têm de encontrar outros expedientes para a recolha da substância adocicada, aparentemente sem vantagem para a polinização. Nada é perfeito. Ainda assim a campsis não desiste.

Fotos de Junho de 2014, na aldeia.

sábado, 2 de agosto de 2014

PARTHENOCISSUS QUINQUEFOLIA (TREPADEIRA-da-VIRGÍNIA em flor, VIRGINIA CREEPER, VIGNE VIERGE, PARRA VIRGEN, VITE del CANADÀ comune)

 

Arbusto trepador (liana) da Família das vitaceae, robusto, de manutenção fácil e resistente ás geadas, decorativo pela forma e disposição das folhas que no outono se tornam avermelhadas e pelos  frutos. As flores organizadas em inflorescências são de pequeno tamanho e posicionam-se discretamente pelo meio da folhagem.  


Folhas de pecíolos longos, compostas de 5 folíolos que partem de um mesmo ponto. Inicialmente são em verde claro depois em verde escuro e margem dentada. É notável pelo modo seguro como adere a um suporte seja vegetal, parede ou muro, usando uma espécie de ventosa no termo das gavinhas. 


Ainda que aparentemente insignificantes, vale a pena observar as flores mais de perto. As inflorescências nascem do caule em oposição às folhas. As flores são discretas, muito pequenas e dispõem-se em cachos.


Cada flor mede cerca de 6 mm e apresenta 5 pétalas livres, branco-esverdeadas, 5 estames e ovário cónico superior. Os pedicelos são avermelhados. As pétalas dobram-se para trás expondo as anteras e facilitando o trabalho dos insectos polinizadores, nomeadamente as abelhas. 


Os frutos são pequenas bagas em azul escuro evoluindo até ao negro e não devem ser ingeridas por mamíferos por serem tóxicas. Já os pássaros podem preferi-los sem problemas.

Fotos de 31 de Julho e 1 de Agosto de 2014, no jardim.