domingo, 13 de julho de 2014

INSECTA, bichezas no meu jardim.



 Que prosa! Onde vai ele de fatinho domingueiro?


O guarda-roupa vistoso dá vantagens quando o objectivo é atrair um parceiro para a reprodução. Mas, simultâneamente, torna-os mais vulneráveis aos muitos predadores.  


Geralmente temperam o risco acrescido das suas cores vivas com a capacidade de opor aos inimigos um odor forte e desagradável que os acompanha. Mas cautela e caldos de galinha ...


Prudentemente, adopta uma posição menos exposta e quase passa despercebido. 

Fotos de 11 de Julho de 2014, no jardim, entre dálias amarelas.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

RUTA CHALEPENSIS L. (ARRUDA, FRINGED RUE, RUE de CHALEP, RUTA d, ALEPPO)


Início de tarde quente, diria mesmo abafada, de Junho, a hora de todo imprópria para andar pelos campos mas sem alternativa porque dependentes de transporte em grupo, estamos na várzea da Quinta da Paiva, no limite de Miranda do Corvo. 


Na berma da rua, entre inúmeras ervas, deparo com uma planta singular em verde acinzentado e amarelado com cerca de 80 cm de altura. A imagem das folhas e da sua disposição está algures na memória. Mas ao contacto com a flor a surpresa é a de um primeiro encontro: 4 sépalas, 4 pétalas e 8 estames (tetrâmera). Até aí não vai a novidade. Noto o enrolamento mas, sobremaneira, o invulgar contorno ciliado das pétalas. Aquelas franjas (mais longas na R. angustifolia) sugerem algo de primitivo. É ainda notável a proeminência do ovário, em posição superior.


Na foto de cima podem ver-se os pedicelos de tamanho sensivelmente igual ao das cápsulas e sem pêlos. Estas dividem-se em 4 lóbulos. Os frutos apresentam um revestimento exterior marcado por pontinhos como nos citrinos, igualmente rutáceas (ver melhor na 1ª foto). 


Folhas compostas de vários folíolos que, por sua vez, se subdividem noutros.

A arruda foi muito utilizada como erva medicinal. Mas de nenhum modo arriscaria a ingestão em qualquer dosagem por mais ligeira. Hoje em dia é usada na produção de óleos essenciais. É preciso cuidado até na manipulação da planta pois tem efeitos irritantes no contacto com a pele. 
Já como planta decorativa a ruta, na variedade graveolens, é usada em bordaduras com outras plantas de flor amarela ou com roseiras.  Gostaria de a experimentar no jardim. Estarei atento.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ARQUITECTURA RURAL, detalhes


Em contexto muito próprio, a aplicação de recursos materiais localmente disponíveis exprime saber acumulado e depurado gosto. A varanda com o pavimento de forma linear, a guarda em linhas exíguas e o  frio espelhado do vidro que guarnece a porta de acesso tornam-se o foco desta perspectiva da aldeia que interrompe a ligação com a envolvente natural e construída. 


Os materiais para a reconstrução das paredes exteriores estão disponíveis ali mesmo. Actualmente sobram poucos espaços como o da foto. 


Tareco de guarda. Quem não tem cão...


O letreiro engana de várias maneiras. Não, não há do pipo, a granel. "Timto" mas também "bramco", qualquer deles só engarrafado. Ao almoço: cheio! 

Junho de 2014, em Gondramaz, Serra da Lousã.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

HYPERICUM HIDCOTE, (HIPERICÃO, St. JOHN,s WORT, HIERBA de san JUAN, MILLEPERTUIS à GRANDES FLEURS)


Em sintonia com o sol, 5 pétalas livres relativamente largas convergem para o estigma, ao centro, em torno do qual as anteras parecem orbitar.  


Uma flor vistosa numa planta de fácil cultivo, uma óptima escolha para a decoração do jardim.


O eixo principal do caule termina numa flor que floresce em primeiro lugar. As outras flores florescem sucessivamente e em direcção lateral. Vejam-se na foto, à direita, a flor aberta vista por de trás (visível também o cálice de 5 sépalas) e os botões nas hastes ao lado. À esquerda e à direita pétalas desmaiadas em castanho-claro.


Aqui a planta apresenta-se exposta ao sol pleno, num porte arbustivo, alcançando cerca de 1,20 m de altura. Folhas opostas, sésseis, lanceoladas, em verde-escuro na página superior, mais pálido na inferior. O fruto é uma cápsula seca.

Fotos de Junho de 2014, em jardim particular, Quinta da Paiva, Miranda do Corvo.

sábado, 5 de julho de 2014

SALVIA MICROPHYLLA (SALVA, BABY SAGE, SAUGE à PETITES FEUILLES, SALVIA ROJA)

 

Descendo a encosta, cruzamos vários riachos que se perdem por entre a vegetação cada vez mais densa. Visíveis um ou outro tanque aberto transversalmente ao sentido das linhas de água por onde entram para, transbordando, logo seguirem  retomando o leito escavado nas dobras da vertente. Um deles - informam-nos - foi lavadoiro público até que o actual fosse construído bem no centro do povoado. Os demais foram usados na rega dos pequenos socalcos. Presentemente nenhuma destas áreas é cultivada. A vegetação espontânea tira partido.


Sobre este fundo, em local fresco, sombrio, deparo com inesperadas flores à beira do caminho, em vermelho-brilhante. De pedicelo curto seguido de cálice em forma de taça verde-clara que suporta a corola. Tubo, na primeira parte da corola e no seu interior mais fundo, o ovário. Na foto, de perfil, o lábio superior que especialmente protege o estilete e estigma até à maturação e o lábio inferior, espécie de pista de aterragem para insectos. Destacando-se ligeiramente do lábio superior, é possível verem-se as pontas do estigma: uma parece um dente afiado na boca de víbora e a outra está voltada para trás.


Aquipatenteiam-se  os lábios de frente para nós. No plano inferior os lóbulos são de tamanho maior e cor mais viva.


Pequenas folhas opostas, ovadas, levemente serrilhadas.
Fiquei surpreendido por encontrar esta salva fora do espaço dos jardins. É uma planta que em natureza pode ser encontrada no Arizona (EUA) e em algumas montanhas do México. Na Serra da Lousã é espontânea ou vestígio de planta ornamental cultivada em pequenos jardins ou à beira dos canteiros?  

Fotos de Junho de 2014, Gondramaz, Serra da Lousã.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

ARQUITECTURA POPULAR. DETALHES de PORTAS.


Subimos até aos 600 m de altitude relativa. Estamos agora à entrada duma aldeia de cara lavada, reabilitada, higienizada, diria asséptica. Uma reinterpretação da arquitectura rural no espaço serrano que respeita a integridade do sítio e satisfaz as necessidades do nosso tempo.  Como gostaríamos de ficar uns dias! Aplaudimos. Mas, nada de ilusões: são hoje três, apenas, os residentes habituais. 


Hoje, é espaço de relaxamento, ausente o contexto que a elegeu e a justificou para perdurar no tempo: o confronto entre homem e natureza.  Manifestamente, em Junho estamos fora de época.


Por junto, encontrámos dois pedreiros reforçando as fundações de uma casa em reconstrução. E só à despedida voltámos a cruzar com outra pessoa, uma simpática residente que se mostra feliz vendo-nos passar. Feita uma primeira avaliação do conjunto urbano e antes de tomarmos o trilho de pé que conduz à cascata (10 min), ao Penedo dos Corvos (10 min), a Espinho (2 h 30 min) ou à Chapinha (3 h 30 min), demoremos nos detalhes.


Evocação de ancestralidade rural que me é familiar.  Uma pequena peça de madeira protege o buraco da fechadura.


Puxador em redondo.  


Postigo interior.


Batente.

Fotos de Junho de 2014, em Gondramaz, Serra da Lousã. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

PÉROLAS POR UMA MANHÃ


Gramíneas. Oferecem-se à vista por tudo quanto é sítio e, no entanto, passam despercebidas, mero pano de fundo, muitas vezes pisadas sem remorso. 


Mas nesta manhã pardacenta e molhada vestiram-se especialmente para nós, irresistíveis, com o seu rico ornamento de pérolas. Impossível ficar indiferente. Pelo caule fino, um trepador dourado faz pausa. Ouve: "Acima, acima, gageiro/ Acima ao tope real!" Não aparenta pressa...


De aspecto simples. No entanto, demasiado complexas, nada fáceis de conhecer por um passante desprevenido.


Que me seja perdoada a ousadia: Polypogon monspeliensis? Ficaria tranquilo se uma alma condescendente quiser estender o conhecimento desta beleza a um não iniciado. Antecipadamente agradeço.  

Fotos de Junho de 2014, na vertente ocidental da Serra da Lousã.