sexta-feira, 13 de junho de 2014

HEMEROCALLIS FULVA (LÍRIO-de-UM-DIA, ORANGE DAYLILY, LIRIO DE UN DIA, LIS D,UN JOUR FAUVE, GIGLIO DI S. GIUSEPPE)


Antes da floração desconhecia-lhe o nome. Na primavera deste ano entrou no jardim por gentileza (mais uma) da nossa vizinha e amiga L.M. que a recomendou e descreveu, particularmente a flor. 


Em 10 de Junho, ainda em botão. As flores são suportadas por hastes sem folhas. Porém são visíveis as pequenas brácteas em baixo, uma apontando para nós e outra para a direita. 
Na 1ª foto e na base da planta está a coroa de onde irradiam as folhas. É uma planta acaule. Apesar da denominação, não se deve confundir com lírios!


Manhã do dia 11. Finalmente, a primeira das flores da inflorescência. Tratam-se de flores dobradas.



São flores de 6 tépalas dobradas, soldadas na base: as mais exteriores são sépalas e no interior as pétalas, ambas em número de 3, dobradas


Rápida senescência: verdadeira flor de um dia, abre de manhã, segue em esplendor para decair ao fim da tarde, não voltando a abrir. Outras lhe sucederão. A foto é do dia 12. 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

VERBENA SIMPLEX (VERBENA, NARROW-LEAVED VERVAIN, VERVEINE À FEUILLES ÉTROITES)


Durante séculos propriedade titulada da mesma família,  "a Quinta" foi, no coração da aldeia, a maior e melhor terra cultivada. Adquirida há anos pelo município, as emblemáticas e muito antigas edificações foram demolidas e em seu lugar construídas outras. Foram abertas ruas ladeadas por largos passeios. Sobraram alguns restos de obras.


Numa faixa estreita adjacente aos passeios, de solos perturbados por materiais a eles de todo estranhos, surgem herbáceas melhor adaptadas ao novo ambiente seco. No passado domingo, à beira do passeio e por entre alguns detritos a céu aberto, nomeadamente pedras soltas de calcário, caliças e betume, surgiu-nos, solitária, esta delicada inflorescência no ápice de uma pequena planta da família das verbenaceae. 


Nesse dia, à tarde, voltámos para a rever mais demoradamente e fotografar. Caules de porte erecto com cerca de 50 cm de altura. Folhas simples, estreitas, opostas, sem pecíolo, lanceoladas. Pequenas flores de 5 pétalas organizadas em espigas estreitas em tons de lavanda claro e esbranquiçadas, protegidas por brácteas em verde, fundidas numa taça. 


Percorremos vários outros lanços de passeios observando as margens mas não conseguimos deparar com nenhum outro exemplar de verbena. Para além da estreita faixa adjacente aos passeios, em solos argilosos, profundos, ricos e húmidos  adensam-se as colónias de ervas altas. É inútil estender a vista por aí. A mais simples das verbenas prefere um solo pobre, seco, calcário, de exposição aberta e detesta a concorrência de herbáceas de outras famílias. Feitios...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FALLOPIA CONVOLVULUS ( CORRIOLA-BASTARDA, BLACK BINDWEED, ALBOHOL, POLIGONO CONVOLVOLO, RENOUÉE FAUX LISERON)


Para manter limpos os canteiros de cebolas é necessário arrancar a erva mais do que uma vez. Como tenho dito, faço-o à mão. Na semana passada voltei a essa tarefa e com a persistência dos aguaceiros não é seguro que fiquemos por aqui até à colheita. Estrume e adubo no fundo dos regos na ocasião da plantação, alimentam cebolas e sobram para a concorrência. E que concorrência!


De entre as ervas daninhas nesses canteiros, a corriola-bastarda é dominante. Rapidamente surgem colónias desta herbácea anual que suportam bem a secura e se adaptam a todos os tipos de solo. Se nos descuidarmos, acabam abafando a cultura pelo enrolamento em volta do suporte mais próximo, roubando a luz solar e os nutrientes. Os caules presos a raízes longas, aguçadas e bem ancoradas no solo são deveras resistentes. Há que usar luvas fortes. Para os extrair sirvo-me ainda de um pequeno sacho.  
Anote-se que estas plantas, quando conduzidas com critério, fora dos canteiros da horta, também têm um papel positivo na valorização dos solos, como adubo verde.   


Caules e folhas têm semelhança com as corriolas comuns mas as pequenas flores de cerca de 5 mm de diâmetro da corriola-bastarda são inconfundíveis. Nascem sem pétalas agrupadas em falsas espigas na axila das folhas. 5 sépalas em tons entre o esverdeado e o esbranquiçado. Os frutos são aquénios.


Os caules entre os 20 e 100 cm dispõem-se prostrados até alcançarem um suporte. Folhas alternas, sagitadas, e curta bainha na base do pecíolo. 

As sementes amadurecem rapidamente e a planta multiplica-se por si, ressemeando-se facilmente.



Fotos da semana passada, no quintal.

sábado, 7 de junho de 2014

MEDICAGO LUPULINA (LUZERNA-PRETA, BLACK MEDIC, LUZERNE LUPULINE, LUPULINA)


No sítio mais improvável para viver - o chão da eira - nasceram alguns pés de luzerna-preta. A superfície da eira é, toda ela, um fino reticulado aberto no cimento à força do malho em décadas de debulhas mas, sobretudo, pela subtil acção das variações térmicas que implicam movimentos de dilatação e contracção. Não espanta se nos depararmos aqui ou ali com fissuras. Uma coisa é certa: a mais ínfima não ficará nunca desabitada e a procura é desmedidamente superior à oferta.


Na primeira foto, para poder dar uma vista geral, foi seleccionada uma planta que se desenvolve em 2 caules que terão, cada um, cerca de 30 a 40 cm de comprimento. No entanto, o mais comum são plantas de caules primeiramente prostrados, depois elevando-se até uns 30 cm e algumas ramificações formando um pequeno tufo. 


Inflorescências em cachos axilares, arredondadas, flores de 2 a 3 mm, com 5 pétalas em amarelo (2ª foto). Após a floração a corola cai e deixa à vista as vagens (na foto acima ainda em verde - fase de formação). 


 Folhas de longo pecíolo, compostas de 3 folíolos ovais - o do meio com um caule mais longo e os laterais desenvolvem-se colados ao caule. Aqui na foto, as vagens na maior parte, estão maduras.


As vagens mostram-se curvadas em espiral e têm 3 a 5 mm. São achatadas e em forma de rim. Começam por ser verdes e, quando maduras, tornam-se negras. Cada vagem contém 1 fruto. 

Multiplicação da planta por sementes.

Fotos de ontem, na eira do quintal.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

TAMUS COMMUNIS (ARREBENTA-BOI, BLACK BRYONY, TAMIER, UVAS de PERRO, TAMARO)


No tempo em que os animais falavam... criança, o vasto mundo que a vista pode alcançar do alto dos Cabeços ou da Cabreira era todo o meu mundo. Ainda assim, de tão variados encantos que uma única vida não basta para alcançar senão em pequena parte e, muito menos, para domesticar como aparentemente convém à nossa geral presunção de senhorio. Por experiência própria e alheia íamos percebendo como eram autónomas essas outras vidas, vegetais e animais, que não estariam ali propriamente para melhor nos servir nem tão pouco para agredir, mas ...nem tudo o que luz é ouro!  


Tendo encontrado a denominação "Arrebenta-boi" como genuína para a trepadeira que aqui trago hoje, certamente relacionada com a circunstância de ser altamente tóxica, questionei-me sobre a quantos pequenos frutos tentadores, especialmente bagas, atribuíamos o epíteto cautelar de "arrebenta-bois". Certo é que, desse modo, acessível a uma criança, ficávamos prevenidos dos perigos escondidos do chamado "reino" vegetal, mesmo que o conhecimento da identidade da planta ficasse por décadas adiado ou, dele se prescindisse simplesmente por não se tornar imperativo conhecer em detalhe. 


 Planta da família das dioscoriaceae de raiz grossa, que lhe permite sobreviver largos anos. Na primavera surgem do rizoma subterrâneo os novos rebentos. O caule é fino, volúvel  e enrola no sentido dos ponteiros do relógio podendo alcançar os 3 m de altura . As folhas em verde-brilhante, de longo pecíolo, dispõem-se alternadamente. Na foto a face inferior da folha.


As pequenas flores em branco-acinzentado mostram-se reunidas em cachos. 


No ápice dos jovens frutos, pode ver-se uma pequena expansão que pica. Mesmo após a queda das folhas persistem os frutos, ficando então em tons de vermelho.
Em França a planta também é conhecida por "herbe aux femmes battues", certamente uma gracinha de mau gosto relacionada com o uso da planta na remoção de hematomas causados por agressões à mulher por energúmenos de todos os tempos.

Fotos de Maio de 2014, no Moinho, limite da aldeia.

terça-feira, 3 de junho de 2014

PHORMIUM TENAX (LINHO-da-NOVA-ZELÂNDIA verde, NEW ZEALAND FLAX, LIN de NOUVELLE ZÉLANDE vert, LINO de NUEVA ZELANDA variegado, LINO della NUOVA ZELANDA)


Esta planta muito exótica veio para o quintal há cerca de 4 anos e rapidamente se adaptou alargando a touceira da base. A primeira vez que floriu foi em 2013. Tem hoje um pouco mais de 1,80 m de altura. 


Como se pode ver na foto, as 2 hastes florais (pedúnculos) crescem, sem folhas, desde o rizoma subterrâneo até acima do ápice da folhagem. O tom castanho-avermelhado contrasta com o verde das folhas. 


Planta perene, acaule, rizomatosa. As folhas verdes, de forma linear, consistência dura e venação paralela são marcadas por longas e finas estrias. Como a ráfia, são fonte de fibras usadas para tecer ou simplesmente para atar. Mas, hoje em dia, têm sobretudo valor ornamental.


Na parte superior a haste floral abre em raminhos de 4 inflorescências. Em cada ramo, uma longa bráctea protege o conjunto das flores. À medida que vai abrindo, solta os botões florais organizados em panículas castanho-avermelhadas e amarelas. 


Cálix e corola estão envoltos num tubo levemente curvado. Os estames em número de 6 são mais longos do que as tépalas.

Multiplicação por divisão da touceira.

Fotos de finais de Maio de 2014 excepto a última que é de hoje.

domingo, 1 de junho de 2014

BOUGAINVILLEA (BUGANVÍLEA, BOUGAINVILLIER, BUGANVILLA)


Uma cascata florida ao alcance das mãos a partir da sacada. Mas o vermelho da buganvílea, reflectido pelos vidros da porta parece invadir suavemente como convém, o interior da casa. Contrastam as pinceladas exuberantes e soltas da trepadeira com a simplicidade e rigor formal do desenho e cor da grade, o perfil rectilíneo da pedra trabalhada  e do branco de cal e amarelo das paredes.


O movimento ascendente ao longo da parede da fachada da casa é interrompido a altura conveniente para curvar suavemente para o espaço da estreita rua. A partir da calçada de pedra, o forte azul do céu assim filtrado  pela alta ramagem colorida aparece suave, quase domesticado.  


As buganvíleas são tidas por muito resistentes. Porém, com muita pena nossa, ainda não conseguimos que vingassem no jardim pois não conseguem passar no muito exigente teste das geadas do inverno e princípio da primavera. 


Aquilo que parecem ser as enormes pétalas da flor são, na realidade, folhas modificadas, mais propriamente brácteas. As verdadeiras flores, alinham-se protegidas, ao centro das brácteas.  Na imagem, flores ainda em botão: são cada um dos três pequenos tubos que, em abrindo, mostrarão as pétalas de cor creme.

Maio de 2014, na Vila Poema.