terça-feira, 6 de maio de 2014

LUPINUS (TREMOCEIRO ORNAMENTAL, LUPIN)


Temos já alguma experiência com lupinus albus que ainda cultivamos no quintal, o tal que dá o tremoço, fruto comestível após um processo de cozedura e depuração.


Já o tremoceiro ornamental nunca tentámos. Talvez por isso não associei logo as cores quentes e chamativas que alegram o jardim público das fotos com a planta de discreta flor azul muito ténue e branca a que estamos habituados do quintal. 


Igualmente os caules lisos rematando cada um numa única folha composta de 10 folíolos que partem de um mesmo ponto de inserção no pecíolo, não me remeteram logo para o lupinus.


Mas são, sem dúvida, exemplares de lupino ornamental. Quem sabe, não virá a habitar também o nosso jardim.

Nas fotos: Híbridos de Russel, provindo do L. Polyphyllus?


domingo, 4 de maio de 2014

1º DOMINGO de MAIO - EVOCAÇÃO DAS MÃES - SOPHIA de MELLO BREYNER ANDRESEN



                                                                          Porque

                                                Porque os outros se mascaram mas tu não 
                                                Porque os outros usam a virtude 
                                                Para comprar o que não tem perdão. 
                                                Porque os outros têm medo mas tu não.

                                                Porque os outros são os túmulos caiados 
                                                Onde germina calada a podridão. 
                                                Porque os outros se calam mas tu não.

                                                Porque os outros se compram e se vendem 
                                                E os seus gestos dão sempre dividendo. 
                                                Porque os outros são hábeis mas tu não.

                                                Porque os outros vão à sombra dos abrigos 
                                                E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
                                                Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Mar Novo (1958). Extraído de cvc.institutocamoes.pt



Flores do ramo-gentileza de Arlete M. na noite de véspera do Dia da Mãe de 2014, na aldeia.

sábado, 3 de maio de 2014

LATHYRUS (CIZIRÃO-REDONDO, GRASS PEA, ALMORTA DEL MONTE, GESSE CHICHE, CICERCHIA CICERCHIELLA)


No mesmo sítio mencionado na edição anterior e ao contrário da sideritis, esta pequena flor, se atendermos apenas ao tamanho, é uma insignificância naquele imenso mar vegetal. Ainda assim, a planta, pertencente à Família das Leguminosae (Fabaceae), mede uns 50 cm apoiados nos caules das vizinhas.


Aqui, sobre a superfície dum tronco de plátano, uma secção do caule, folhas e flor figuram em tamanho mais próximo do real. O caule, como se vê, é muito fino. As folhas são compostas de folíolos opostos, muito finos e alongados. Anote-se o longo pedúnculo que remata na flor.  


Flor isolada de cor entre o laranja-carregado a vermelho. É notável o elegante movimento ondulatório que compõem a disposição de sépalas e pétalas. O fruto é uma vagem.


Em botão. 

Fotos de 30 de Abril de 2014.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

SIDERITIS (HIRSUTA ?) (RABO-de-GATO, HAIRY IRONWORT, CRAPAUDINE HIRSUTE)


Inconfundível na selva densa de herbáceas e ainda assim conseguiu surpreender-me. A minha mulher descobriu-a nos seus habituais passeios a pé mas a pilha da câmara fotográfica que a acompanha acabara de esgotar as reservas. Descreveu a planta com entusiasmo e situou-a.  


Desloquei-me ao sítio indicado à beira da estrada, solos calcários, secos, incultos há largas décadas e revestidos de ervas altas. Logo a distingui. Em verde acinzentado, mais robusta que as demais. Reconheci as flores típicas das labiadas e as folhas opostas de aspecto rugoso aparentadas com as mentas.  A forma angulosa quadrangular dos caules também não me era estranha.


De particular, achei ainda curioso o revestimento toda ela de pêlos glandulares esbranquiçados. O aroma diz da real possibilidade de extracção de óleos essenciais.


Pequenas flores brancas com um leve toque rosado, reunidas em inflorescências axilares. Cálice tubuloso, 5 sépalas de bordo bilabiado. Corola de lábios superior e inferior de 5 pétalas unidas com 2 lóbulos para cima e 3 para baixo.


Na foto são claramente visíveis 4 estames, 2 curtos e 2 mais longos. 

Fotos de 29 de Abril de 2014, nos campos em torno da aldeia.

sábado, 26 de abril de 2014

MALVA (COMMON MALLOW, MAUVE)


A nova avenida cortou a Várzea. Após aterro, o pavimento ficou situado acima do plano médio dos solos da área de cultivo. Entre esta e os passeios, uma zona de protecção lateral compactada, formada por materiais degradados e saibro.  A separá-la dos terrenos agrícolas um talude da mesma qualidade.  Ao centro da estrada um corredor estreito separa as faixas de rodagem. Sem surpresa, mesmo a vegetação espontânea no solo de cultivo contrasta pela variedade, abundância e vigor com a das zonas de protecção. Aí o solo é naturalmente muito pobre e a água das chuvas escoa seguindo a inclinação do talude, demorando-se bem pouco pela superfície vidrada.


Mas foi lá que deparámos com esta muito discreta variedade de Malvaceae.  Discreta pela disposição rasteira das hastes que, ainda assim, parecem tentar mostrar as flores erguendo-as tão alto quanto possível. E que flores! 


Aqui e para comparação com a da primeira foto, uma malva comum de caule erecto. Note-se ainda o afastamento  das pétalas entre si.


Voltemos. As raízes são curtas. A partir e em torno do caule principal, brotam os caules que suportam folhas arredondadas, verde-escuras, mais curtas do que eles. 


Flores de 5 pétalas em cor rosa, com riscas em tom mais escuro. Inúmeros estames. Os frutos são os conhecidos "queijinhos" que as crianças do meu tempo ingeriam embora nem soubessem bem.

Fotos de ontem.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

GLADIOLUS ITALICUS (CALÇAS-de-CUCO)


 Gladíolo dos campos, muito comum nos solos argilo-calcários da região, onde nasce espontâneamente no início da primavera.  


Estas belas plantas são por vezes difíceis de transpor para jardim. Mas neste caso a plantinha inteira (cormo incluído) que a minha mulher recolheu nos solos da Várzea, conseguiu adaptar-se bem e desde há alguns anos que as suas simples mas esplêndidas flores anunciam a quadra da Páscoa. 


Pergunto-me se entre as possíveis razões do êxito não estará a particular natureza do solo em que foi colocada nas imediações do poço de rega. 


Sucedeu, há muitos anos, ter havido necessidade de expurgar o poço de folhas e lamas. Nessa altura era um poço aberto. À superfície o solo é arenoso. Mas, a partir dos 4 metros de profundidade surge uma argila branca-acinzentada. Esse solo argiloso resultante de algum aprofundamento, foi elevado do fundo em baldes com a ajuda do tradicional sarilho e depositado em volta, formando-se um pequeno relevo. Ainda hoje está bem definido apesar de o termos vindo a melhorar, acrescentando-lhe composto vegetal.


A viabilidade do gladíolo dos campos no jardim poderá dever-se, em parte, à natureza desta mancha de solo no qual, aparentemente, se sente em casa para nossa maior satisfação. 

Fotos da primeira quinzena de Abril, no jardim.

terça-feira, 22 de abril de 2014

DELOSPERMA (ICE PLANT)


As delospermas começaram a florir: no jardim, em vermelho brilhante as mais comuns  e simultâneamente,  no jardim fronteiro dos nossos primos A.M. mas aí em delicadíssimos tons de rosa e branco. Muito rústicas, de crescimento lento, tamanho modesto e de floração compacta, são um campo de estrelas. 


Ao centro, um cone de estames, estiletes rematando com os seus estigmas e estaminódios semelhantes a pétalas.


Folhas carnudas, cilíndricas, persistentes. Tal como as flores, uma vez secas as folhas deverão ser prontamente removidas. Nos meses frios devemos poupá-las às geadas. Nos meses de calor querem  boa exposição ao sol.

Fotos da tarde de domingo de Páscoa de 2014.