domingo, 13 de abril de 2014

SALVIA OFFICINALIS (SALVA-das-BOTICAS, SAGE, SAUGE OFFICINALE)


Parte aérea florida da planta. 


Lábio inferior, verdadeira pista de aterragem e descolagem para abelhas e zangões. Lábio superior, capa de cobertura e protecção  de estames e gineceu.


O cálice é composto de 5 sépalas unidas formando uma taça em cor acastanhada. A corola, envolvida na base pelo cálice, também  é formada por 5 pétalas reunidas em tubo muito aberto com lábio superior e lábio inferior. No tubo da corola inserem-se 4 estames, sendo o par anterior bastante mais desenvolvido que o posterior, este aliás muito rudimentar e 2 carpelos com um corte vertical no cimo. Naqueles estames, o conectivo - estrutura que liga o filete à antera - desce e baloiça quando o polinizador avança no tubo estreitando a entrada e provoca o encosto das anteras no seu dorso. Desse modo favorece a polinização cruzada. Na foto podem ver-se um estilete - arco maior, fendido na ponta, saindo encostado ao lábio superior e apontando para o lábio inferior e os dois estames anteriores .  


Natural da região do mediterrâneo oriental, a salva pertence à família das Lamiáceas (Labiadas).  Ao tocarmos folhas e caule ficamos com as mãos perfumadas. Não surpreende que seja muito procurada na produção de óleos essenciais.

Fotos de ontem no quintal.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

ALLIUM SHOENOPRESUM (CEBOLINHO, CHIVE, CIBOULETTE), em flor


O cebolinho tem um lugar certo nas cozinhas mais sofisticadas e a flor pode ser usada na decoração de magníficas jarras como - modéstia à parte - as concebidas pela minha mulher.


Temos no quintal um número excessivo de exemplares, considerando as nossas necessidades. Apenas tive que os semear uma vez: eles encarregam-se de se auto-reproduzir.   Basta deixar livre de concorrência o solo em volta  e, claro, não pisar as inúmeras plantinhas. 


Curiosamente suportam bem o frio e não são nada exigentes em cuidados.


Quem quiser que as folhas continuem tenras e utilizáveis na cozinha, tem de cortar a tempo as flores evitando que criem sementes. Para garantir a multiplicação basta deixar que uma ou duas flores  atinjam a maturidade. A maior parte das sementes cairá no chão e muitas conservar-se-ão no receptáculo a tempo de as recolher para uma folha de jornal.


Se está tentado a experimentar, comece por adquirir um pacotinho de sementes - coisa acessível no preço ou então alguns bulbilhos que se obtêm por divisão dos tufos abaixo do solo. Esta divisão deverá efectuar-se de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos para rejuvenescer os tufos. Pelos resultados do processo da sementeira esperará muito mais do que pela plantação dos pequenos bolbos. Estes colocam-se no solo em Março-Abril. Na sementeira cobrir muito ligeiramente as sementinhas. 


Mesmo que não utilize as folhas é conveniente cortá-las em raso para favorecer o crescimento. 

Se não dispõe de quintal, ainda assim poderá cultivar o cebolinho em vaso. Então, boas omeletes, sopas e saladas com cebolinho da sua criação!

Fotos de 9 de Abril de 2014, no quintal.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

IXIA (AMÊNDOAS-de-PÁSCOA, ÍXIA, AFRICAN CORN LILY, IXIA)


Na aldeia chamamos-lhes "Amêndoas-de-Páscoa" e aqui todos entendemos que sejam "aquelas plantas" com folhagem semelhante à dos íris e que florescem por fins de Março ou em Abril e dão uns botões avermelhados que sugerem amêndoas...  


Mas íxia será talvez a denominação mais adequada, até pelo bom aportuguesamento da palavra latina ixia, processo idêntico ao adoptado pelos descomplexados falantes de língua francesa ou castelhana.


As íxias são uma excelente flor de corte com as inflorescências terminais racemosas em espigão de 5 a 12 flores. As do nosso jardim estão em local abrigado acautelando-se assim a susceptibilidade de serem danificadas pelas geadas. E de tanto abrigadas, nos temos vindo a esquecer de lhes favorecer a multiplicação separando os pequenos bolbos (cormos) após o emurchecimento das folhas. 


Corolas de 6 brilhantes sépalas unidas na base e formando um tubo fino, 3 estames no centro da flor, anteras bem distintas, estiletes divididos em três partes, ovário ínfero.

Fotos de Abril de 2014, no jardim.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

OENOTHERA ROSEA (ONAGRA-ROSA, ROSE EVENING-PRIMEROSE, ONAGRE ROSÉE, AGUA DE AZAHAR)


A terminar a caminhada a pé e já à vista de casa, a minha mulher descobre na linha da intercepção de um muro de jardim com o plano da calçada do passeio que ladeia a rua, uma muito discreta herbácea com uma flor solitária. A corola é de 4 pétalas inteiras em cor de rosa, com veias de tom mais escuro. No interior 8 estames bem desenvolvidos. 


Ovário inserido no receptáculo e abaixo do plano de inserção de sépalas e pétalas (ovário ínfero). Tubo do hipanto muito prolongado, separando o ovário das restantes verticilos florais. Cálice com as 4 sépalas voltadas para baixo (reflexas), parcialmente unidas e bifurcadas nas pontas.


Planta (Família onagraceae) com cerca de 45 cm de altura e flor inserida na axila da folha. Caules avermelhados ou verdes.


Posteriormente, venho descobrindo com surpresa vários exemplares de onagra ao longo da rua junto aos passeios. Parece que estes últimos meses de chuva poderão ter alguma espécie de relação com esta singular presença em locais tão improváveis.

Fotos da passada sexta-feira, na aldeia.

sábado, 5 de abril de 2014

CYTISUS SCOPARIUS ANDREANUS (GIESTA-DAS-VASSOURAS, SCOTCH BROOM, GENÊT À BALAIS, RETAMA NEGRA, EDELGINSTER)


Giesta decorativa, domesticada, dá as boas-vindas junto ao portão da casa.


A giesta-negral das serras em amarelo-vivo não lhe fica atrás em beleza. Mas nas matas virou praga.


Teve um papel extraordinariamente importante como combustível, enxerga do gado, adubo, vassoura e, como tal, era cuidada. Com o abandono dos campos, fim duma cultura imemorial, a giesta entregue a si mesma, tornou-se ameaça: cresce exageradamente e, no limite, apenas alimenta a rasoura dos grandes fogos do verão.  


Resta-lhe o papel meramente decorativo em jardins no meio da aldeia. 

Últimos dias de Março, no jardim.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

VALERIANA



Inesperadamente, num canto do relvado ao abrigo do muro divisório e das fotínias, surgiram este ano cerca de uma dúzia de exemplares de valerianas, agora em floração. Não parece tratarem-se da valeriana dos jardins ou Alfinetes (Centranthus) embora pertençam à mesma família. Estas, trazidas pelo vento ou pelos pássaros, são selvagens.


A maior tem um porte de cerca de 72 centímetros. 


Folhas opostas, inteiras na parte inferior com pecíolo longo. Subindo no caule, encontramos folhas sésseis, compostas de 9 folíolos sendo o folíolo terminal oval ou oval alongado e muito maior do que os restantes. Na foto, folhas médias.


Raiz e folhas inferiores. Mais à esquerda uma folha média quebrada e daí o estar virada para baixo.


Disposição compacta da inflorescência.


Mais de perto as pequenas flores de 5 pétalas fundidas no tubo da corola. Três estames.  
Valeriana dioica? Centranthus calcitrapae?

Fotos de ontem, no jardim.


terça-feira, 1 de abril de 2014

BOTÕES DE FLOR (FLOWER BUD, BOURGEONS FLORAUX, BOCCIOLO, BOTÓN) e outros.



Primeiros dias de Março, em tarde de sol, passeio a pé pela Várzea, a memória por companheira.


Nos campos ao abandono, sobrevivem algumas árvores de fruto. 


É tempo de  promessas.


Ali botões florais, aqui vegetativos.


Simples objectos? Ou convergência na Vida? Porquê o estremecimento de alma quando o renovo nos sussurra: olá, com que então por aqui!?