sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

HARDENBERGIA VIOLACIA "ALBA" (HARDENBERGIA, FALSE SARSAPARILLA)


Comprimento de onda e intensidade da luz são factores decisivos no processo de transformação de energia operado pela fotossíntese. Pigmentos fotossintéticos existentes na folha são capazes de captar a energia solar e canalizá-la para energia química. Outros factores igualmente importantes são a temperatura, a água e a morfologia da folha. Até certo limiar, a velocidade da fotossíntese na maioria das plantas aumenta em ambientes mais quentes. Olhando para as matas próximas de pinhal e mato damos conta de que as espécies melhor adaptadas ao clima de inverno são as coníferas com as suas folhas longas e estreitas em forma de agulhas  e os tojos de folhas verdes e rígidas terminadas em ponta aguçada em forma de espinho.


Podemos mimar algumas plantas oferecendo-lhes um ambiente de interior e ainda assim as florações de inverno são a excepção.


 Espantoso é que um arbusto de folha persistente da Família das Fabaceae,  planta de exterior, para mais originária da Austrália, eleja para florir uma quadra sensivelmente a meio do inverno, de céu carregado, fria e por demais molhada, persistindo até à produção de sementes viáveis que lhe asseguram a reprodução. Muito a propósito, as folhas são rijas e estreitas, simples, ovais lanceoladas, de cor verde escura com nervura acentuada. Claro que tudo tem um limite de resistência que para esta planta andará em torno dos -5º  e - 6º C e daí que se deva escolher para a implantação uma zona protegida.


Manifestamente, a beleza das flores da  hardenbergia, de 4 pétalas, normalmente em tons de rosa a púrpura e mais raramente em branco como as das fotos (notar o toque amarelado da pétala estandarte) têm um valor absoluto, por mais luminosa e amena que fosse a época do ano do seu despontar. Valem-lhe as notáveis capacidades de armazenamento de energia operadas em épocas de abundância de luz e de transformação dessas reservas em açúcares simples que "sabe" dosear adequadamente. 
Mas para quem, com abertura, souber demorar o olhar nestas plantas e por elas se alegre, acabará tocado por uma reserva de luz e calor nada desprezível no inverno que a hardenbergia  guarda  por excesso, deferência à atenção.   

Fotos de fevereiro, em Coimbra.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ARACHIS REPENS (AMENDOIM FORRAGEIRO, MANÍ FORRAJERO PERENNE, YELLOW PEANUT PLANT, ARACHIDE FOURRAGÈRE)


O amendoim forrageiro é uma herbácea leguminosa perene, originária do Brasil (Família das fabaceae), cultivável em climas tropicais e subtropicais húmidos e usada na alimentação do gado, como preventiva da erosão dos solos, planta de cobertura ou decorativa. Apresenta uma notável capacidade para fixar o azoto e daí também ser usado como adubo verde.  As flores em amarelo vivo são características das papilionaceae, de cálice bilabiado e cinco pétalas: estandarte totalmente em amarelo, duas asas e quilha amarelas, envolvidas por 5 brácteas. A quilha é composta por duas pétalas unidas que guardam os estames e o estilete. Na foto seguinte e na última é bem visível o hipanto, tubo estreito bastante desenvolvido (mede entre 3,5 a 11 cm de altura) que termina na parte inferior do cálice e o coloca acima do nível superior da folhagem. Em todo o caso o amendoim é auto-polinizável. 


Esta planta (não confundir com o Arachis hypogaea, amendoim cultivado usado na alimentação humana em grão torrado ou em manteiga)  espalha-se horizontalmente por meio de estolhos ou estolões ramificados, podendo atingir 1,50 m de comprimento, enraízando nos nós. Rapidamente alcança uma folhagem densa que protege o solo de ervas daninhas. 


As folhas em verde mais escuro na página superior, são compostas por quatro folíolos ovalados com uma nervura central evidente.


As raízes mergulham fundo no solo. 

A a. repens raramente produz sementes. Em contrapartida investe mais na produção de flores e por isso é preferida como planta decorativa. Já a a. pintoi muito parecida àquela, dá sementes de difícil recolha mas é usada como cultura forrageira. Uma e outra têm boa resistência ás secas e toleram mal as geadas. As designações mencionadas no título em português e em castelhano, são mais adequadas à variedade forrageira e não encontrei designação em português para a a. repens.

O fruto é uma vagem de uma semente. 


Fotos-gentileza JM, 2013, no sudeste asiático.Bjnhs.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CHOVE CHUVA CHOVE SEM PARAR

Chove chuva
Chove sem parar

Pois eu vou fazer uma prece
Prá Deus, nosso Senhor
Prá chuva parar
De molhar o meu divino amor...


Que é muito lindo
É mais que o infinito
É puro e belo
Inocente como a flor...

Por favor chuva ruim
Não molhe mais
O meu amor assim...


Chove chuva
Chove sem parar.

Sacudim, sacudém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê, obá
Sacundim, sacundém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá...

Jorge Ben, Rio de Janeiro, Brasil (1945), compositor, guitarrista e cantor de samba-rock, bossa-nova, jazz ...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

PORTULACA GRANDIFLORA (ONZE-HORAS, PORTULACA, VIETNAM ROSE, ROSE MOSS, POURPIER, CHEVALIER D, ONZE HEURES)


A portulaca passa bem sem as nossas convenções. A abertura total das pétalas ao sol de um dia limpo de nuvens obedece a um relógio interno muito próprio. Por isso não nos admiremos que num sítios lhe chamem "onze-horas" e noutros "dez-horas". E, claro, independentemente da hora oficial se surgirem nuvens a tapar o sol a flor diz "boa-noite", corre a pestana e... recolhe a penates.


A portulaca já visitou o portal na forma de pétalas simples, muito finas e sedosas (dezembro de 2012). Hoje são as dobradas que alguns associam à disposição própria das rosas. De comum, o à vontade com solos secos e bem expostos ao sol. Em todo o caso, regas a tempo garantem mais ricas florações.


Não tanto a flor mas os caules, próprios das suculentas, evidenciam o parentesco com as conhecidas beldroegas. Ambas pertencem à família das portuláceas. Atenção, ao contrário das beldroegas usadas na culinária, os caules e folhas das onze-horas não são comestíveis. 

Fotos-gentileza de JM, 2013, sudeste da Ásia. Obrigado, bjnhs.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

MONSERRATE, SINTRA, palácio, motivos florais.


 Desígnio: criação. Domínio da mão, domínio da mente. Simetria. Excesso e simplicidade.


 Nem útil, nem prático: apenas belo. Ars gratia artis. A intemporal arte pela arte.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EX-VOTO SUSCEPTO (POR PROMESSA FEITA)


Milagre que fez Santa Quitéria Virgem Mártir a Zeferino Severino Firmino Souza de Meirelles, Porto 21 de Agosto de 1878.


Milagre que fez Nossa Senhora do Socorro ao Mestre João Loureiro na escuna Viúva Esperança vindo do Maranhão para o Porto no mar das Berlengas a 4 léguas lhe carregou tamanho temporal que o pôs em tal estado no mês de dezembro a 25. EV Ano 1821.

Pressupostos: juro que vivi em dor este transe  até ao limite das minhas derradeiras forças e que dele só regressei pela fé e pela esperança. Em gratidão e para memória futura, para exemplo e inspiração de outros em grave risco de vida, dou o meu breve testemunho nesta tabuinha pintada que encomendei.  

O património é diverso. 
Porto. Igreja do Seminário. A profunda humanidade que atravessa estes quadros excede em muito a porventura deficiente técnica dos seus autores anónimos. "O pintor de milagres...não é mais que um filho do povo para quem pintava, a rogo, como escrevedor de cartas procurado por analfabeto, um ou outro episódio de vida ressaltando do comezinho mas ainda assim caracterizado de uma precaridade de ser que é a vida do homem na Terra - Vale de Lágrimas", cf. Alberto Correia, "Carlos Massa" in Beira Alta, vol. XLI, Fasc. 2, ano 1982, 2º Trim., p. 317.

Por outro lado, em visita guiada pela inexcedível simpatia e erudição da Senhora Directora do Museu apreciámos também a arte de Autor e Escola exposta no Museu Soares dos Reis. A reportar, quem sabe, noutra ocasião.  


domingo, 2 de fevereiro de 2014

HAKEA SERICEA (HÁQUEA-PICANTE, ESPINHEIRO-BRAVO, SILKY HAKEA), em flor


A háquea-picante, (proveniente da Austrália, Família Proteaceae) é um arbusto ou pequena árvore capaz de formar uma impenetrável muralha espinhosa com as suas robustas folhas em forma de agulhas. 


Em Portugal é uma das espécies invasoras como tal já assim catalogadas na lei. Do seu natural cresce muito depressa e sem forma geométrica definida. Estranhamente a acção dos fogos facilita a sua expansão desordenada.


Num mês de escassas florações, esqueçamos por momentos os graves inconvenientes da proliferação destas plantas e assinalemos as delicadas inflorescências. As flores brancas ou rosa-pálido organizam-se em inflorescências em cacho de uma a sete flores. Colocam-se no ângulo formado pelo ramo e a folha aculeada.  No meio de tanta braveza uma faceta de inocência.


Frutos secos de forma ovalada, acastanhados, com uma fenda terminando em bico, trazem bem guardadas no interior as sementes.  


As háqueas da foto têm um pouco mais de três metros de altura.


Estas plantas situam-se à beira de uma estrada e delimitam um pinhal. Invadem com os ramos uma parte da via. Cautelosamente, os peões tomam a faixa de rodagem oposta pois sabem que a picada da háquea é dolorosa e como tal é de evitar.

Fotos de Janeiro de 2014, nos limites da aldeia.