sábado, 4 de janeiro de 2014

PRIMEIRA CHEIA DO ANO


Afinal, chegou mais cedo do que previra.


Aqui, entre a Barraca (canto direito) e a Vala do Moinho. 


A Ribeira do lado nascente do rio.


Em baixo, ao centro, o anel de resguardo de um poço. Imediatamente a seguir e para a direita, pode ver-se uma pequena mancha em verde-claro (não confundir com o verde do silvado em primeiro plano, no canto inferior direito). Trata-se de  uma colónia de lentilha-de-água que a dinâmica da cheia arrastou da superfície da água parada no poço e que curiosamente ainda se mantinha agrupada. 

Fotos da tarde de ontem, nos campos a nascente da aldeia.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

RIBEIRAS, entre a escassez e a abundância de água.


Em meados de setembro, perto do Nascente, leito da Vala. São visíveis fragmentos lenhosos e herbáceos a que o natural regresso das águas irá imprimir uma dinâmica de distribuição enriquecendo os solos dos campos limítrofes. 




Trinta de dezembro, no mesmo sítio. De momento e enquanto os solos não estiverem saturados de água, só nos picos das chuvadas os caudais de ponta transbordarão as margens para pouco depois regressarem ao leito normal, o que vem acontecendo. Ainda não há cheias.  Mas com a continuada precipitação que se anuncia, poderão ocorrer a todo o momento.  


Em outubro, regueira afluente da Vala. O material lenhoso retido nas margens e ás vezes também no leito das regueiras, além de travar matéria orgânica e nutrientes também oferece guarida à fauna e flora. Em primeiro plano travando o curso do imenso manto folhoso. Até à primeira cheia...


Final do ano: o mesmo sítio. A folhagem que cobre o solo continua em processo acelerado de transformação.



Dezembro, 30. Solo argilo-calcário.  O que fica após a passagem das águas: aqui é visível uma pequena área descoberta de solo. O tom escuro exprime a boa carga de húmus. 



No final do ano, à superfície das águas na zona da primeira foto, regresso da verdura. Guardando as margens, sentinelas despidas de folhas, freixos (fraxinus), amieiros (alnus glutinosa), choupos (populus), vimeiros (salix viminalis), ulmeiros (ulmus) e vidoeiros ( betula), em aparente repouso.  


Entre setembro e dezembro de 2013, na zona ribeirinha da aldeia.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

CICADA (CIGARRA)???, infância longa, curta vida de adulta.


Ao nível dos olhos, um insecto no tronco da palmeira ou apenas a exúvia pupal (exoesqueleto) que sobrou da muda mas que mantém perfeitamente a forma da ninfa. Se viva, teria tórax comportando três pares de vigorosas patas, particularmente as anteriores. Pela forma, dir-se-ia que a função poderá estar relacionada não só com a necessidade de locomoção como com a de escavar galerias no solo.  


O abdómen de cor clara, cilíndrico, estreitando na parte final e é atravessado por diversos anéis em tom mais escuro.  Da cabeça sai um par de antenas muito curtas. As asas são curtas e pouco desenvolvidas.


Tratar-se-à de um insecto à beira da idade adulta (metamorfose incompleta: ovo, ninfa e insecto adulto) ou apenas da sua rija cutícula juvenil? Na foto antecedente, muito ampliada, pode ver-se o que parece ser a zona de  rotura no dorso. Pertenceu a uma cigarra, (Tibicen?) modalidade de homóptero? Nesse caso, a ninfa terá emergido do solo onde poderá ter vivido muitos anos (até 17!) à custa das raízes das árvores. Continuará agora como insecto adulto voando por entre as copas das árvores por mais alguns dias ou curtas semanas, usando a cigarra macho o seu inseparável "violino" para atrair cigarras fêmeas. Uma festa!

Fotos-gentileza J.M., primavera de 2013, sudeste asiático.

domingo, 29 de dezembro de 2013

FICUS RELIGIOSA ( ÁRVORE-de-BUDA, FIGUEIRA-dos-PAGODES, BODHI TREE)


A ficus religiosa, segundo alguns árvore da sabedoria, árvore do mundo, é cultivada junto dos templos budistas e na Índia simboliza o despertar e a iluminação. É especialmente sagrada para os hindus que a associam à fertilidade da mulher. Da informação posta defronte desta árvore, consta ter sido plantada em 24 de março de 1959 pelo Presidente da Índia Rajendra Prasad e pelo Presidente do Vietnam Ho Chi Minh. Não foi escolhida ao acaso. O nome do antigo líder político do Vietnam significa "o que ilumina". Ora, terá sido debaixo dela que o Buda (Siddhatha Gotama) atingiu a iluminação.


A  árvore, de sombra agradável, alcança facilmente os 25 m de altura e é muito decorativa. O revestimento do tronco é acinzentado . As folhas são simples, de textura coreácea, verde-escuras mas as novas são cor-de-rosa.  A margem das folhas é ondulada e a extremidade pontiaguda (acuminada). As flores surgem em fevereiro e frutifica em maio-junho. Folhas, frutos, casca e mesmo o látex têm aplicações medicinais. 


Fotos gentileza JM, Vietnam, 2013.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

OS TRABALHOS e OS DIAS


E, depois das festas - trabalho como prazer -,


o imperativo regresso aos trabalhos.


Ou, o trabalho como critério de justiça, muitos séculos depois de Hesíodo. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NACI - NATAL -1966 poesia de RUY CINATTI




Senhor, tu nasceste neste dia
e eu aqui estou,
nascido no mesmo dia.
Apetece-me brincar com as palhinhas
Pousar o dedo no boi, digo, no beiço,
no focinho do boi, senti-lo húmido
da língua que o lambe.
Depois levá-lo à boca para saber
a que sabe.
Lembrando o que há tanto tempo sucedeu,
quando um boi, um dia, 
me lambeu a face,
de relance a boca.


Sal, apenas sal, queríamos nós.
O boi e eu.
Cloreto de sódio, símbolo
como aprendi no liceu.


Senhor, estamos tão sós
que até um boi nos valia.


Senhor, tu nasceste neste dia
e eu aqui estou
à espera me dês o sal
da tua boca.


O boi lambeu-me.


Obrigado, Senhor! 

Ruy Cinatti, Obra Poética, INCM, Lx. 1992, p.208.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

HEBE (VERÓNICA ARBUSTIVA), detalhes da flor.


Entrando o inverno e as flores da verónica estão de volta. 


Aliás, este arbusto está florido praticamente todo o ano.  


Que mais apreciar? Cor e forma tubular das flores,  disposição dos longos estames entre as quatro pétalas, forma e textura coreácea das folhas?

Fotos de dezembro de 2012, em Coimbra.