domingo, 24 de novembro de 2013

THEVETIA PERUVIANA (CHAPÉU-de-NAPOLEÃO)


Na tarde muito quente de setembro, iniciamos uma pausa sentando-nos no banco de jardim à sombra das frondosas árvores e arbustos. Reparo nas muitas flores ainda vistosas que cobrem o chão. Os olhos dirigem-se logo para cima, para as flores frescas e descobrem os muito exóticos frutos verdes. É uma bela planta arbustiva ou pequena árvore da família apocynaceae, originária do Brasil, muito decorativa. Voltaríamos para as ver melhor. Sucedem-se as fotos para posterior identificação.



Flores amarelas de cinco pétalas muito vistosas, perfumadas, tubulares mais largas no cimo.


Os frutos são drupas achatadas, triangulares (daí a associação com o chapéu do Napoleão) contendo as sementes.


A planta, toda ela é, porém, demasiado tóxica para poder ser eleita sem risco para jardins frequentados por crianças ou animais.Os frutos atraem a curiosidade das crianças que as podem tomar por castanhas (quando maduras ficam de cor roxa ou castanha). Se ingeridas provocam fortes intoxicações. No entanto são muito eficazes no controlo do mosquito do dengue.


As folhas são  simples,  brilhantes, alternas, permanentes, de nervura central muito acentuada. As geadas matam as folhas e ramos mas na primavera recupera bem com novos rebentos. Reage igualmente bem a podas. O tronco é revestido por uma casca acinzentada e a seiva é leitosa. Aprecia sol pleno ou convive bem com a meia-sombra.

Fotos de setembro de 2013, na região da Andaluzia.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

RUSSELIA EQUISETIFORMIS (FLOR-de-CORAL, RUSSÉLIA)


Da família plantaginaceae, natural do México, perene e de ramagem pendente, a flor-de-coral é óptima para decorar muros ou taludes.


As pequenas flores tubulosas e avermelhadas, sobressaem dos inúmeros ramos herbáceos, de discretas folhas, delgadas e compridas  (filiformes).


Está em flor desde os finais da primavera até ao outono. Sendo muito sensível ao frio, é conveniente ser cultivada em potes suficientemente largos (não esquecer as aberturas para escoamento da água) que possam ser deslocados para o interior durante os meses de inverno ou logo que as temperaturas baixem dos dez graus centígrados. 


Também é muito decorativa quando cultivada no interior da casa, pendente de cestos, podendo passar o ano inteiro  em ambiente temperado, bem iluminado e arejado.

Fotos de setembro de 2013, em jardim particular do sul de Espanha onde não carecem de ser mudadas no inverno.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O OUTRO BUÇACO, para além dos fetos arbóreos.


Com as primeiras chuvas de outono e num ambiente conservado húmido potenciado pelos nevoeiros, os fetos, musgos e líquenes, estão agora nas suas sete quintas formando um revestimento natural lindíssimo. Como eles, há muitas outras plantas remoçadas que merecem a atenção do visitante. 


Umbigos-de-vénus  (umbilicus rupestris) e sedos (sedum reflexum?), ambas da família das crassuláceas, são conhecidas pela resistência a ambientes secos.  As folhas são carnudas, modo normal de armazenamento de água, sendo as primeiras de forma arredondada com uma covinha ao centro que lembra um umbigo e as dos sedos são alternas, não pecioladas, quase cilíndricas e de cor verde azulado a acinzentado.  


As fotos são de plantas espontâneas encontradas no início de novembro de 2013, junto à Cruz Alta, Buçaco, cerca dos 540 metros de altitude.  São de crescimento lento e frágeis. Não devem ser retiradas do seu meio-ambiente por mais nobre que pareça a sua utilização em decorações de Natal, pois acabarão sempre ingloriamente no lixo. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MANTIS RELIGIOSA (LOUVA-a-DEUS)


O ano vem sendo muito favorável ao louva-a-deus que só come presas vivas, pela abundância de gafanhotos e larvas diversas. No entanto, os primeiros frios do final de outono parecem afectar já a sua actividade.  O grande predador poderá não sobreviver  ás fortes geadas que também farão igual razia nos demais insectos que são as suas habituais presas. Na foto, muito mais atento do que parece, um exemplar de cor castanha expõe-se preguiçosamente aos raios de sol de um prolongado verão-de-são-martinho.


Podem ver-se as longas asas sobrepostas. No plano inferior, o abdómen e parte dos dois pés posteriores usados na deslocação. Nas fotos de baixo as patas anteriores modificadas para agarrar as presas. Na última são visíveis uma espécie de serrilhas  e espinhos colocados no fémur e na tíbia. 


Na foto, um desmesurado protórax e a cabeça com o par de longas antenas. Pescoço flexível. De um lado e outro da cabeça os olhos compostos e entre estes os ocelos. Na foto abaixo são visíveis as mandíbulas extensíveis.


Cabeça triangular orientável a 180º, permite-lhe uma visão de quase 360º. Olhos destacados e muito afastados. Entre os olhos, três ocelos podem captar as vibrações produzidas no ar pelo voo dos insectos. Dispõem ainda de um ouvido no tórax.


Religiosa só no nome, a fêmea tem o péssimo hábito  de devorar o macho durante a cópula. 
Os ovos postos no outono colados uns aos outros formam uma ooteca a eclodir na primavera. A ooteca acima, também fotografada no jardim, será de louva-a-deus ou apenas muito semelhante?

Fotos de ontem no jardim. 

sábado, 16 de novembro de 2013

INSECTA (INSECTOS), besouros no jardim


Insectos muito comuns aqui pela horta e jardim, alimentam-se de folhas. Diferentemente do escaravelho da batateira (Leptinotarsa decemlineata), bem conhecido em juízo, a identificação completa de insectos como o da foto não é nada fácil a um leigo. Daí que tudo quanto possa deixar aqui na tentativa de conhecer mais sobre bichezas do quintal e jardim, deva ser lido sob reserva. Apelo à generosidade dos conhecedores.


Nas fotos, trata-se indubitavelmente de um insecto: invertebrado, cabeça, tórax e abdómen bem distintos protegidos por exoesqueleto rígido, três pares de patas articuladas, duas antenas.   


Ressalta a forma ovalada do corpo e o brilho da  cor castanha avermelhada do exoesqueleto, com inúmeros pontinhos espalhados. Patas, antenas e cabeça em tons mais âmbar escuro. Vêem-se as asas anteriores duras (élitros) que se encostam na linha média do dorso, protegendo as posteriores mais finas situadas mais abaixo mas encobertas, usadas no voo. Antenas inseridas nos lados da cabeça, mais curtas que o restante corpo.


Curiosa a disposição da parte inferior articulada do pé apresenta quatro segmentos, o último com um entalhe em v.

Coleóptero (família chrysomelidae) ?  Crisolina?

Fotos de 11 de novembro de 2013, no quintal.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

NERINE BOWDENII, (NERINA), evocação das NEREIDAS



Já na água erguendo vão, com grande pressa,
Com as argênteas caudas, branca escuma;


Cloto co peito corta e atravessa
Com mais furor o mar do que costuma.


Salta Nise, Nerine se arremessa,
Por cima da água crespa, em força suma.


Abrem caminho as ondas encurvadas,
Do temor das Nereidas apressadas.  (Os Lusíadas, Luís de Camões, Canto II, 20.)


Flor bulbosa muito delicada e elegante, uma preciosidade actualmente em flor no jardim, é proveniente da África do Sul. Sensível ao frio, pede resguardo durante os meses que se avizinham. Multiplicação por divisão dos bolbos a plantar na primavera. Se se optar pelo cultivo no interior, escolher um sítio bem iluminado (não desdenha a exposição directa aos raios solares).

Fotos de novembro de 2012, no jardim do Casal Maia.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

FREIXIAL, após as primeiras chuvas de outono. Apontamentos.


Há um mês o leito de qualquer das regueiras apresentava-se completamente enxuto


e as árvores ainda frondosas coavam a luz do sol e lançavam sombra nos solos endurecidos.


Na vala não corria a água do Nascente. A meio das vindimas, porém, o tempo começou a mudar. Com calendários rígidos antecipadamente fixados pelas empresas compradoras de uvas, crescia a angústia  entre os viticultores. Até um certo limite a chuva favorece a colheita: os cachos aumentam de volume e de peso. Ultrapassado, e efectivando-se o risco de quebra da fina película dos bagos, pode seguir-se o apodrecimento. Adeus sanidade. 
Mas, ao menos desta vez, o desfecho foi feliz.


A alternância no ano entre seca e presença da água são arcos da mesma circunferência temporal e ambiental, só aparentemente em oposição e tão naturais um como o outro.  O arco da seca abrange, mesmo que por vezes já em nítida transição de fase, o ápice frenético e derradeiro das colheitas. Os frios, as noites longas, os dias nublados e a chuva trazem repouso que dele carecem adegas, celeiros, solos. E pessoas! Nos anos de boas colheitas e de melhor saúde, arcas cheias e tonéis atestados, haveria distensão maior que quando nos deixávamos embalar ouvindo a chuva caída dos beirais  e repercutida sobre um pote velho? 

Fotos da passada semana.